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Da Redação
Operação investiga Hugo Garcia, ex-presidente do Imafir-MT; apuração aponta transferências de R$ 774 mil para empresa ligada a ex-diretor e de R$ 270 mil para escritório de advocacia
A Polícia Civil deflagrou a Operação Mandato Espúrio para investigar movimentações financeiras supostamente irregulares que ultrapassam R$ 1 milhão nas contas do Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT). O principal alvo da investigação é o produtor rural Hugo Garcia (PSDB), suplente de deputado estadual, candidato novamente à Assembleia Legislativa e ex-presidente da entidade.

Durante a operação, foram cumpridos em Cuiabá dois mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e a suspensão dos acessos utilizados pelos investigados para movimentar os recursos do instituto.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias – Polo Cuiabá, com base nas diligências conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da Capital. O inquérito apura, em tese, os crimes de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica.
De acordo com a investigação, as possíveis irregularidades teriam sido praticadas durante um período de intensa disputa pela representação legal do Imafir-MT. A entidade aparece formalmente como vítima e, segundo a Polícia Civil, está colaborando com as investigações.

Os indícios apontam que um ex-dirigente teria realizado atos de gestão e movimentado recursos da entidade mesmo após a homologação de um acordo e a emissão de uma decisão judicial que o impediam de reassumir a presidência ou praticar atos em nome do instituto.
A apuração também identificou alterações estatutárias, disputa interna pelo controle administrativo e transferências patrimoniais consideradas expressivas para pessoas físicas e jurídicas relacionadas à gestão investigada.

Entre as transações sob suspeita está a transferência de aproximadamente R$ 774 mil para uma conta pessoal e para uma empresa pertencente ao então diretor-executivo do instituto. Outra movimentação, no valor de R$ 270 mil, teria sido destinada a um escritório de advocacia. Somados, os repasses chegam a cerca de R$ 1,044 milhão.
Além do bloqueio das contas, a Justiça determinou a suspensão e a desativação de perfis de acesso, credenciais eletrônicas, tokens, certificados digitais, assinaturas eletrônicas e demais mecanismos usados pelos investigados para movimentar os recursos do Imafir-MT, incluindo a chamada Chave J.
Com a medida, os alvos ficaram impedidos de autorizar pagamentos, transferências, operações via Pix, aplicações, resgates e quaisquer outras movimentações bancárias em nome da entidade.

A operação busca apreender documentos, computadores, aparelhos celulares e registros contábeis que possam esclarecer as contratações, as autorizações bancárias e a destinação dos valores. Todo o material recolhido será submetido a análise e perícia para subsidiar a conclusão do inquérito e um eventual indiciamento dos envolvidos.
As suspeitas ainda estão em fase de investigação, e os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Até a publicação desta matéria, não havia manifestação apresentada pelas defesas dos investigados. O espaço permanece aberto.