PESQUISA SOB QUESTIONAMENTO
JB News
Por redação
Grupo aponta divergência na data publicada pela CNN, questiona comparações entre levantamentos e cita condenação anterior do instituto; decisão da Justiça Eleitoral não apontou fraude ou manipulação dos resultados
A nova rodada do Paraná Pesquisas sobre a disputa pelo Governo de Mato Grosso passou a ser questionada por integrantes da oposição após a divulgação dos números nesta sexta-feira (18). As críticas concentram-se em uma informação incorreta sobre a data da coleta publicada pela CNN Brasil, na interpretação dos recortes da pesquisa e nas variações registradas entre levantamentos realizados pelo próprio instituto.
O levantamento registrado na Justiça Eleitoral sob o número MT-09335/2026 ouviu 1.352 eleitores em 50 municípios de Mato Grosso. As entrevistas foram presenciais e realizadas entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro informada para o resultado geral é de aproximadamente 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece com 42,4%, Wellington Fagundes (PL) registra 29,6% e Natasha Slhessarenko (PSD), 13,5%. Sargento Laudicério (Agir) tem 0,8%, enquanto Mauricio Coelho (Mobiliza) e Rafaell Milas (Missão) aparecem com 0,4% cada.
O primeiro questionamento apresentado pela oposição está relacionado à data da pesquisa. Ao divulgar o levantamento na sexta-feira, a CNN Brasil informou que as 1.352 entrevistas teriam sido realizadas entre os dias 15 e 17 de agosto.
A informação diverge do período efetivamente apresentado para a pesquisa, que corresponde aos dias 15, 16 e 17 de setembro. Outros veículos que divulgaram o mesmo levantamento utilizaram setembro como período de realização das entrevistas.
A divergência está, portanto, na informação publicada pela CNN sobre a data da coleta, e não nos números de intenção de voto apresentados pelo levantamento.
Outro questionamento apresentado pela oposição envolve a utilização da margem de erro geral na interpretação dos diferentes segmentos apresentados no relatório.
A margem de 2,7 pontos percentuais corresponde à amostra geral de 1.352 entrevistados. Nos cruzamentos por idade, escolaridade, sexo, renda ou região, o número de pessoas entrevistadas em cada grupo é menor.
No segmento de eleitores entre 16 e 24 anos, por exemplo, foram realizadas 178 entrevistas. No cenário de segundo turno entre Pivetta e Wellington, o senador aparece numericamente com 44,9% nesse grupo e o governador registra 41,6%.
O relatório apresenta os resultados segmentados, mas não informa uma margem de erro específica para esse grupo de 178 entrevistados.
A oposição também passou a questionar as variações verificadas entre as diferentes rodadas realizadas pelo Paraná Pesquisas em Mato Grosso.
Em um dos levantamentos anteriores, realizado em agosto, Pivetta aparecia com 39% e Wellington com 35%. Na pesquisa divulgada nesta sexta-feira, Pivetta alcançou 42,4% e Wellington ficou com 29,6%.
Na comparação entre esses dois levantamentos, Pivetta registra variação numérica positiva de 3,4 pontos percentuais, enquanto Wellington apresenta redução de 5,4 pontos.
A diferença numérica entre os dois, que naquele levantamento era de quatro pontos, passou para 12,8 pontos na pesquisa divulgada nesta sexta-feira.
O Paraná também realizou uma rodada intermediária no início de setembro. Nesse levantamento, Pivetta apareceu com 40,8% e Wellington com 30%. Considerando apenas essa pesquisa mais recente como referência, a variação até a rodada divulgada nesta sexta é menor: Pivetta passou de 40,8% para 42,4%, enquanto Wellington foi de 30% para 29,6%.
A existência dessa rodada intermediária é relevante para a comparação da evolução registrada pelo próprio instituto ao longo da campanha.
Os questionamentos também alcançam a interpretação dos índices de rejeição. Nessa pergunta, o entrevistado poderia apontar mais de um candidato em quem não votaria. Dessa forma, os percentuais apresentados nesse levantamento não correspondem necessariamente a uma rejeição exclusiva de cada nome.
Situação semelhante ocorre na pesquisa para o Senado. Como Mato Grosso elegerá dois senadores em 2026, os entrevistados puderam indicar até dois nomes. Os percentuais, portanto, correspondem a uma pesquisa de múltiplas respostas e não a uma simulação em que cada eleitor escolhe apenas um candidato.
A discussão em torno do novo levantamento ocorre poucos dias depois de o Paraná Pesquisas ter sido condenado pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso em outro episódio envolvendo pesquisa para o Governo do Estado.
Naquele processo, o instituto e a Abril Comunicações, responsável pela revista Veja, receberam multas individuais de R$ 53.205, totalizando R$ 106.410.
A condenação ocorreu porque a pesquisa registrada sob o número MT-02157/2026 foi publicada pela Veja no dia 23 de agosto, um dia antes da data em que sua divulgação estava autorizada.
O levantamento havia sido registrado em 18 de agosto e somente poderia ser divulgado a partir do dia 24.
A Justiça Eleitoral considerou irregular a antecipação e responsabilizou tanto o veículo quanto o instituto. No caso do Paraná Pesquisas, a decisão considerou que cabia à empresa manter os resultados sob sigilo até o encerramento do prazo legal.
A condenação anterior, entretanto, não ocorreu por fraude, manipulação dos resultados ou irregularidade na metodologia da pesquisa.
Na própria decisão, a Justiça registrou que aquele levantamento estava regularmente registrado e não apontou indícios de fraude, ocultação ou tendenciosidade nos resultados. A irregularidade reconhecida foi especificamente a divulgação antes do prazo permitido.
O novo levantamento divulgado nesta sexta-feira está registrado na Justiça Eleitoral sob o número MT-09335/2026 e apresenta Pivetta com 42,4%, Wellington com 29,6% e Natasha com 13,5% no principal cenário estimulado para o Governo de Mato Grosso.