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Por Nayara Cristina
A disputa pelo comando da Câmara de Cuiabá entrou de vez no centro da política municipal e promete transformar os próximos meses em um dos períodos mais tensos do Legislativo da capital. A presidente da Casa, Paula Calil, confirmou nesta semana que será candidata à reeleição da Mesa Diretora e, desde então, o ambiente político dentro do Parlamento se tornou ainda mais acirrado, com articulações, rompimentos e movimentações de bastidores envolvendo vereadores e o próprio Palácio Alencastro.
A tensão aumentou após Paula anunciar que colocará em pauta, na próxima sessão, o projeto do vereador Mário Nadaf que altera a data da eleição da Mesa Diretora, transferindo a votação do mês de agosto para o início de novembro. A mudança atende ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, que passou a restringir eleições antecipadas em casas legislativas municipais antes do período permitido pela Corte, fixado a partir de outubro.
O assunto ganhou ainda mais repercussão após o Supremo suspender recentemente a eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, decisão que repercutiu diretamente nos bastidores políticos de Cuiabá e acelerou o debate sobre a sucessão no Legislativo da capital.
Nos corredores da Câmara, vereadores admitem reservadamente que o cenário mudou completamente depois que Paula Calil decidiu entrar oficialmente na disputa pela reeleição. Antes disso, parte do grupo político trabalhava com outras composições internas. Entre elas, a possível candidatura do vereador Dilemário Alencar — citado nos bastidores como “Dilemar” — e também do vereador Kássio Coelho, que teria oferecido à atual presidente espaço estratégico dentro da futura composição administrativa da Casa caso abrisse mão da disputa principal.
Com a confirmação da candidatura de Paula, os ânimos passaram a se alterar dentro do Legislativo. A própria presidente afirmou, nos últimos dias, que havia uma tentativa de cercear o direito dela disputar novamente o comando da Câmara, principalmente diante das discussões jurídicas envolvendo a possibilidade de reeleição dentro da Casa.
A movimentação política também provocou efeitos diretos na relação entre vereadores e o Executivo municipal. O vereador Dilemário Alencar decidiu entregar a liderança do governo na Câmara após o entendimento de que o prefeito Abilio Brunini demonstrava apoio político à permanência de Paula Calil na presidência da Casa. Nos bastidores, interlocutores avaliam que o episódio acabou sendo interpretado como um enfraquecimento da construção de outras candidaturas dentro do Legislativo.
Apesar disso, o prefeito Abilio Brunini afirmou recentemente, durante agenda no Governo do Estado, que torce politicamente pela reeleição de Paula Calil, mas garantiu que não pretende interferir diretamente nas articulações internas da Câmara Municipal.
Em meio ao avanço das articulações, Paula Calil também comentou sobre a composição política da atual Mesa Diretora e admitiu que a formação da gestão foi construída a partir de acordos envolvendo espaços administrativos dentro da estrutura do Legislativo. Segundo ela, os vereadores participaram das indicações internas e das composições políticas para ocupação de cargos comissionados na Casa.
Ao defender as mudanças administrativas realizadas desde o início da gestão, Paula afirmou que substituições fazem parte de qualquer governo ou administração pública e ressaltou que cargos comissionados possuem natureza política. A presidente citou, inclusive, a saída recente de um secretário da Câmara que teria deixado a função para atuar em campanha eleitoral de um deputado.
As declarações ampliaram ainda mais o debate interno no Legislativo cuiabano e reforçaram a percepção de que a eleição da Mesa Diretora deixou de ser apenas uma disputa administrativa para se transformar em uma verdadeira guerra política por espaço, influência e controle institucional dentro da Câmara Municipal de Cuiabá.
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