PREVISÃO DE SECA EXTREMA

“Não temos ilusão de segurar grandes sinistros”, diz governador Otaviano Pivetta ao prometer punição exemplar a propriedades privadas por queimadas ilegais em MT

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“Não temos ilusão de segurar grandes sinistros”, diz governador Otaviano Pivetta ao prometer punição exemplar a propriedades privadas por queimadas ilegais em MT

JB News

Por Nayara Cristina

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, lançou nesta segunda-feira (25), no auditório Garcia Neto, em Cuiabá, o Plano de Ação de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais 2026. A cerimônia reuniu integrantes do Corpo de Bombeiros Militar, Ibama, Sema, Defesa Civil, forças de segurança pública, representantes do setor produtivo e órgãos ambientais estaduais e federais. O governo anunciou investimento de R$ 134 milhões para ações de prevenção, fiscalização, monitoramento e combate ao fogo em Mato Grosso.  


Durante o lançamento, Pivetta fez um dos discursos mais duros já adotados pelo governo estadual sobre a situação ambiental enfrentada por Mato Grosso. Em tom de preocupação, o governador afirmou que o estado terá um cenário climático mais severo em 2026, impulsionado pelo fenômeno El Niño, pelo aumento das temperaturas e, principalmente, pelo grande acúmulo de biomassa nos últimos dois anos.


Segundo ele, o governo ampliou investimentos, adquiriu novos equipamentos, reforçou a estrutura aérea e aumentou a integração entre os órgãos ambientais, mas ainda assim o estado não tem capacidade de impedir completamente incêndios de grandes proporções, especialmente em regiões como o Pantanal.


“Nós não temos a ilusão de segurar grandes sinistros. O território de Mato Grosso é enorme, a densidade demográfica é baixa e existem áreas extremamente difíceis de combater quando o fogo ganha força”, afirmou.


O governador relembrou que Mato Grosso enfrentou temporadas extremamente críticas nos últimos anos, principalmente em 2020 e 2024, quando incêndios devastaram milhões de hectares no Pantanal e em áreas da Amazônia Legal. Dados ambientais apontam que somente entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025 o estado registrou mais de 1,7 milhão de focos de calor, atingindo cerca de 18 milhões de hectares da Amazônia e outros 2 milhões de hectares do Pantanal.  


Pivetta comparou o cenário atual ao do ano passado e afirmou que 2025 teve um comportamento climático atípico, considerado menos agressivo pelas autoridades ambientais. Segundo ele, as frequentes frentes frias ajudaram a reduzir o avanço das queimadas e mantiveram maior umidade em diversas regiões do estado.


“O ano passado foi uma seca amiga. A cada 10 ou 15 dias vinha uma frente fria, formava nuvens e chovia. Tivemos poucas queimadas. Já este ano, a previsão é de uma seca inimiga”, declarou.  


De acordo com o governador, o problema é que a vegetação que deixou de queimar nos últimos períodos acabou aumentando o estoque de biomassa seca no estado. Isso significa que Mato Grosso poderá enfrentar incêndios mais rápidos, mais intensos e mais difíceis de controlar em 2026.


“Temos um acúmulo de biomassa dos últimos dois anos e previsão de uma seca mais rigorosa. Então eu não sou muito otimista em relação a isso. Temos que ser realistas”, afirmou.


O plano apresentado pelo governo prevê ações integradas de monitoramento por satélite, fiscalização em propriedades rurais, responsabilização criminal e ambiental de infratores, ampliação de brigadas, abertura de aceiros e fortalecimento das operações terrestres e aéreas.  


Entre os reforços anunciados estão novas aeronaves para apoio operacional, incluindo helicópteros e equipamentos especializados para atuação em áreas de difícil acesso, principalmente no Pantanal mato-grossense. O Corpo de Bombeiros também apresentou novos veículos adaptados para regiões alagadas e locais sem acesso convencional.  


O governador destacou que Mato Grosso possui atualmente uma das maiores estruturas aéreas de apoio ao combate ao fogo no país, contando inclusive com centenas de aeronaves agrícolas que podem ser utilizadas em operações emergenciais.


Além da parte operacional, o governo pretende ampliar campanhas educativas voltadas à conscientização da população. Segundo Pivetta, escolas públicas, meios de comunicação e produtores rurais terão participação direta nas ações preventivas para evitar queimadas acidentais ou criminosas.


“O que nós podemos fazer é prevenir mais, conscientizar mais e chamar todos os atores públicos para a responsabilidade. A sociedade também precisa fazer sua parte”, disse.


O discurso mais incisivo ocorreu quando o governador falou sobre queimadas em propriedades privadas. Pivetta afirmou que a orientação do governo é endurecer a fiscalização e utilizar todos os mecanismos legais disponíveis para responsabilizar proprietários rurais envolvidos em incêndios ilegais.


“Nossa orientação é punir exemplarmente. Se for em área privada, tem lei para isso. O que temos feito é usar a lei para punir todo e qualquer incêndio irresponsável ou proposital”, declarou.


A secretária estadual de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou durante o evento que Mato Grosso conseguiu reduzir em 82,6% o desmatamento bruto nos últimos levantamentos ambientais, resultado atribuído à integração entre Sema, Corpo de Bombeiros, Ibama, Polícia Militar, Polícia Civil e demais órgãos de fiscalização.  


Mesmo assim, as autoridades ambientais avaliam que 2026 pode representar um dos períodos mais difíceis dos últimos anos no combate às queimadas, principalmente pela combinação entre seca severa, calor intenso, baixa umidade e excesso de vegetação acumulada em diversas regiões do estado.  

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