CONVENÇÃO PARTIDÁRIA

Wellington lança candidatura ao governo e promete “mutirão” para mudar Mato Grosso

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Wellington lança candidatura ao governo e promete “mutirão” para mudar Mato Grosso

JB News

Por Nayara Cristina

A convenção estadual do Partido Liberal (PL), realizada nesta quarta-feira (22), em Cuiabá, marcou oficialmente o início da caminhada do senador Wellington Fagundes rumo ao Palácio Paiaguás. Em um evento que reuniu parlamentares, prefeitos, dirigentes partidários, lideranças conservadoras, representantes do agronegócio e indígenas, o senador apresentou as primeiras diretrizes de sua pré-campanha e deixou claro que pretende construir uma disputa baseada no confronto de projetos administrativos para Mato Grosso.

Após o encerramento da convenção, Wellington concedeu uma longa entrevista coletiva na qual ampliou as propostas apresentadas durante o evento, respondeu aos principais questionamentos da imprensa e procurou demonstrar que sua candidatura não se limitará ao debate eleitoral, mas será sustentada por um plano de governo focado na infraestrutura, na descentralização administrativa, na conclusão de obras públicas e na aproximação entre Estado e municípios.

Durante a entrevista, o senador afirmou que sua prioridade será inverter a lógica dos investimentos públicos. Sem negar a importância de grandes empreendimentos, Wellington disse que um futuro governo precisa priorizar aquilo que produz resultado imediato para a população. Em um dos momentos mais contundentes da coletiva, voltou a criticar os investimentos realizados no Parque Novo Mato Grosso, afirmando que nenhuma roda-gigante, centro de eventos ou obra de grande porte pode estar acima da recuperação de rodovias, da conclusão de escolas, creches, hospitais e unidades de saúde espalhadas pelo interior do Estado.

Segundo ele, Mato Grosso convive atualmente com centenas de demandas consideradas mais urgentes do que obras de caráter monumental. A proposta apresentada durante a convenção é mobilizar equipamentos e equipes estaduais para promover verdadeiros mutirões de recuperação da infraestrutura, reduzindo o número de obras paralisadas e acelerando investimentos considerados essenciais para a população.

Wellington também aproveitou a coletiva para resgatar sua trajetória de mais de três décadas na vida pública. Ao responder críticas de adversários, listou uma série de obras federais que, segundo ele, tiveram sua participação direta na articulação em Brasília. Citou a pavimentação de rodovias federais, a duplicação de importantes trechos da BR-364, a federalização de estradas estratégicas, a expansão da BR-158, a concessão dos aeroportos de Várzea Grande, Sinop, Alta Floresta e Rondonópolis, além do trabalho pela retomada da Hidrovia Paraguai-Paraná.

O senador afirmou que pretende utilizar essa experiência para ampliar parcerias entre Mato Grosso e o Governo Federal, independentemente de quem esteja ocupando a Presidência da República. Segundo ele, um governador precisa ter capacidade política para buscar recursos onde eles estiverem disponíveis, sem transformar divergências ideológicas em obstáculos ao desenvolvimento do Estado.

Outro tema que ganhou destaque foi a política voltada aos povos indígenas. Ao ouvir representantes indígenas durante a convenção, Wellington afirmou que Mato Grosso precisa abandonar o histórico de conflitos entre produtores rurais e comunidades tradicionais. Disse defender políticas públicas que permitam aos indígenas produzir, gerar renda e participar da economia estadual sem abrir mão da preservação de seus territórios. Como símbolo dessa proposta, voltou a defender a criação de um Parque das Nações Indígenas em Cuiabá, projeto que considera importante para valorizar a diversidade cultural mato-grossense.

Na área administrativa, Wellington apresentou uma das principais ideias de seu programa de governo: a regionalização da gestão estadual. Segundo ele, Mato Grosso possui realidades muito distintas entre o Araguaia, o Nortão, a Baixada Cuiabana, o Médio Norte, a Região Oeste e o Sudeste, tornando inviável concentrar todas as decisões na capital. A proposta prevê administrações regionais fortalecidas, capazes de identificar demandas locais e acelerar a execução de políticas públicas.

Ao ser questionado sobre alianças políticas, Wellington adotou um discurso conciliador. Disse manter diálogo aberto com outras legendas, confirmou conversas com dirigentes do Partido Novo e afirmou que a escolha do candidato a vice-governador será construída coletivamente até o encerramento do prazo das convenções. Ressaltou que o critério será competência administrativa e capacidade de governar, afastando qualquer imposição baseada apenas em questões de gênero ou interesses eleitorais.

A presença de prefeitos — e a ausência de outros — também foi tema da coletiva. Wellington minimizou especulações sobre eventuais desgastes internos no PL e afirmou compreender que prefeitos precisam manter boa relação institucional tanto com o Governo do Estado quanto com o Governo Federal para garantir investimentos aos seus municípios. Segundo ele, não pretende exigir exclusividade política de gestores municipais, defendendo que a missão de um prefeito é governar para toda a população e não apenas para um grupo partidário.

No campo nacional, Wellington reafirmou seu alinhamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu sua participação na campanha eleitoral em Mato Grosso. Criticou decisões judiciais envolvendo o ex-presidente, classificou algumas medidas como excessivas e afirmou que o país precisa preservar as liberdades democráticas e o direito à manifestação. Também disse esperar que lideranças nacionais do PL, incluindo Michelle Bolsonaro, participem da campanha no Estado.

Outro ponto enfatizado pelo senador foi a organização partidária. Segundo ele, a convenção estadual demonstrou a capacidade do PL de estruturar uma campanha baseada em planejamento, disciplina e mobilização política. Wellington afirmou que pretende disputar o Governo apresentando propostas concretas, evitando transformar o processo eleitoral em uma guerra de ataques pessoais.

Ao encerrar sua participação, Wellington voltou a defender um governo voltado para resultados. Disse que pretende governar com diálogo permanente entre Estado, municípios, produtores rurais, trabalhadores, empresários e movimentos sociais, afirmando que Mato Grosso precisa unir forças para enfrentar seus principais desafios. Segundo ele, o objetivo é substituir disputas políticas pela construção de soluções conjuntas, acelerando investimentos, concluindo obras paralisadas e aproximando o governo das necessidades da população.

A convenção do PL consolidou oficialmente o nome de Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso e abriu uma nova etapa da sucessão estadual. Com um discurso fortemente voltado à infraestrutura, à descentralização administrativa, à valorização dos municípios e à crítica às prioridades do atual governo, o senador procurou transmitir a imagem de um candidato experiente, disposto a transformar sua atuação no Congresso Nacional em plataforma para administrar o Estado.

Veja partes discurso :

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