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Por José Teixeira
Candidato ao Governo afirma que pretende utilizar inteligência artificial para reduzir burocracia e diz que ausência no primeiro confronto eleitoral teve motivação política
O candidato ao Governo de Mato Grosso Rafaell Milas, do Partido Missão, defendeu a criação de uma secretaria estadual exclusiva para o agronegócio e o uso de inteligência artificial para reduzir a burocracia enfrentada pelos produtores. As propostas foram apresentadas durante o debate promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), nesta quinta-feira (20).
Milas afirmou que seu plano de governo está fundamentado no chamado “Livro Amarelo”, documento elaborado pelo Partido Missão com a participação de mais de 200 especialistas. Segundo ele, a publicação reúne propostas específicas para diferentes regiões brasileiras, incluindo o Centro-Oeste.
“Diferentemente dos outros candidatos, o meu plano de governo é baseado no Livro Amarelo, que é um livro de propostas do Partido Missão, no qual mais de 200 intelectuais se reuniram para apresentar soluções para o Nordeste, o Centro-Oeste e o Sul”, explicou.
Entre as principais medidas defendidas pelo candidato estão a digitalização dos processos públicos relacionados ao campo, investimentos em tecnologia, ampliação da capacidade de armazenamento da produção e melhorias na infraestrutura de transporte e escoamento.
Milas também propôs a criação de uma Secretaria Estadual do Agronegócio. Para o candidato, embora Mato Grosso seja um dos maiores produtores de alimentos do Brasil e do mundo, o setor ainda não possui uma estrutura específica dentro do primeiro escalão do Governo.
“A gente está no Estado mais produtivo do Brasil e do mundo e não tem uma secretaria voltada para o agronegócio. Temos uma secretaria da Agricultura Familiar, que é muito importante, mas, para o agro em si, não existe nada”, declarou.
O candidato afirmou que pretende tratar o setor produtivo como parceiro da administração pública. Segundo ele, o desempenho do agronegócio mato-grossense ocorre apesar das dificuldades impostas pelo poder público, especialmente pela burocracia e pelas deficiências logísticas.
“A nossa ideia é ter o agro como parceiro e não como adversário, trazendo soluções reais, usando inteligência artificial, economizando recursos públicos e criando processos mais inteligentes. Hoje o agro é bom apesar do Estado. Se o Estado fizer o dever de casa, o agro vai se desenvolver ainda mais”, sustentou.
Entre as medidas consideradas estratégicas estão investimentos em rodovias, hidrovias, silos e novas tecnologias. Milas argumentou que cabe ao Governo criar condições para que os produtores possam ampliar a competitividade e reduzir os custos para transportar a produção.
Durante a entrevista, o candidato também voltou a reclamar de não ter sido convidado para o primeiro debate eleitoral entre os postulantes ao Palácio Paiaguás, que contou com as participações de Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD).
Segundo Milas, a organização informou que o Partido Missão não preenchia o requisito de possuir pelo menos cinco deputados federais eleitos. Ele reconheceu que a legenda, criada recentemente, conta atualmente com apenas um representante na Câmara dos Deputados, mas questionou o fato de veículos ligados ao mesmo grupo de comunicação terem adotado regras diferentes em Mato Grosso do Sul.
“O Partido Missão não tem nem um ano de existência e possui apenas um deputado federal. Porém, quando vi que a regra era diferente em Mato Grosso do Sul, onde chamaram até o PCO e o Agir, perguntei: por que a regra do mesmo grupo é diferente aqui?”, questionou.
Milas atribuiu sua ausência no confronto a uma possível articulação política e mencionou o senador e candidato Wellington Fagundes. O candidato, contudo, não apresentou provas que confirmassem a acusação.
“Eu soube, nos bastidores, que há políticos grandes, como Wellington Fagundes, tentando impedir a minha participação. Ficou bem claro que foi algo político, porque, se em Mato Grosso do Sul chamaram até o PCO, por que aqui existe esse argumento dos cinco deputados federais?”, indagou.
Para Milas, a ausência de parte dos candidatos prejudica principalmente a população, que deixa de conhecer todas as opções disponíveis na disputa pelo Governo. Ele elogiou a Aprosoja por reunir os cinco postulantes e permitir que propostas diferentes fossem apresentadas ao setor produtivo.
“Quem perde é o eleitor, porque estão impedindo a população de conhecer todos os candidatos. Ainda bem que a Aprosoja é independente e conseguiu trazer todos”, afirmou.
O candidato também comentou a aproximação de lideranças do agronegócio com Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo Partido Missão. Conforme Milas, empresários e produtores procuraram conhecer as propostas do presidenciável e demonstraram insatisfação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O pessoal do agro olhou para o Renan e falou: ‘Nós cansamos do Bolsonaro’. Eles entenderam que Bolsonaro não trouxe solução para o Brasil, muito menos para o agro. Sabatinaram o Renan e perceberam que ele tem propostas e inteligência para apresentar soluções para o Brasil, especialmente para o setor”, disparou.
Apesar de reconhecer que importantes representantes do agronegócio mato-grossense apoiam Pivetta na disputa estadual, Milas afirmou que a aproximação com Renan Santos representa um avanço político para o Partido Missão. Ele admitiu, porém, que ainda não recebeu declarações públicas de apoio de lideranças do setor à sua própria candidatura.
“Não tenho declaração de apoio de ninguém do agro. Eles vão declarar apoio ao Renan, até porque o Renan tem candidato ao Governo aqui, que sou eu. Estou feliz. O importante é que o agro apoie Renan Santos, que é a melhor candidatura para o Brasil”, concluiu.
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