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Por José Teixeira
Assessoria de Euller Gustavo Preza critica exposição de ações judiciais, rejeita julgamento antecipado e afirma que somente os laudos periciais poderão esclarecer a morte de Lurdes Maria, de 24 anos
A assessoria jurídica e de comunicação do médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza divulgou, nesta segunda-feira (19), uma nota oficial contestando a associação de processos judiciais antigos à morte da jovem Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, ocorrida na sexta-feira (16), durante uma cirurgia plástica no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. A equipe do profissional criticou reportagens sobre seu histórico processual e ressaltou que a causa da morte permanece sob investigação.
O posicionamento foi divulgado após publicações, iniciadas no sábado (17), abordarem ações judiciais envolvendo o médico, incluindo reclamações de pacientes relacionadas a procedimentos estéticos e investigações referentes a outros episódios de sua trajetória profissional.
Segundo a assessoria, as reportagens passaram a explorar situações sem relação direta com a morte da jovem, criando, na avaliação da equipe, uma associação indevida entre episódios distintos.
“Nenhum desses processos diz respeito ao óbito ocorrido na última sexta-feira (16), tratam-se de procedimentos e períodos distintos”, afirma o comunicado.
A manifestação sustenta que a divulgação dos processos, no contexto da morte recente, pode induzir o público a conclusões antecipadas sobre eventual responsabilidade do médico, antes mesmo da conclusão dos exames periciais e das investigações conduzidas pelas autoridades.
A assessoria também afirma que Euller possui mais de 20 anos de atuação na medicina e acumula milhares de procedimentos realizados ao longo da carreira. Segundo a equipe, o profissional adota protocolos de segurança cirúrgica e trabalha com equipes qualificadas.
Em manifestações anteriores, a defesa havia mencionado mais de 25 anos de experiência profissional e sustentado que o médico possui histórico de poucas complicações em relação ao volume de cirurgias realizadas.
O caso ganhou repercussão após a morte de Lurdes Maria, casada e mãe de duas crianças, durante procedimentos estéticos que incluíam lipoescultura e colocação de próteses mamárias.
A cirurgia foi realizada na sexta-feira (16), no Hospital Geral e Maternidade, na capital mato-grossense. Durante o procedimento, a paciente apresentou uma intercorrência que evoluiu para parada cardiorrespiratória.
Conforme informações divulgadas anteriormente pela defesa, a equipe médica interrompeu a cirurgia e iniciou imediatamente as manobras de reanimação. Os procedimentos de emergência teriam se prolongado por aproximadamente duas horas, mas a paciente não resistiu.
A defesa afirmou que a jovem havia realizado as avaliações pré-operatórias exigidas e que o procedimento estava sendo conduzido em ambiente hospitalar adequado, por profissionais habilitados. Essas declarações integram a versão apresentada pelos representantes do médico e deverão ser consideradas juntamente com os demais elementos da investigação.
A causa exata da parada cardiorrespiratória ainda não foi esclarecida. Também não há conclusão pericial que permita determinar se houve alguma falha médica, complicação imprevisível ou outro fator relacionado ao óbito.
A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de Mato Grosso, investiga as circunstâncias da morte e aguarda os resultados dos exames realizados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
O exame de necropsia foi solicitado para auxiliar na identificação da causa da morte. A investigação deverá analisar as circunstâncias do atendimento, os procedimentos realizados e outros elementos técnicos que possam contribuir para esclarecer o episódio.
Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou uma sindicância para apurar as circunstâncias do atendimento médico. O procedimento tramita sob sigilo e poderá avaliar aspectos relacionados à conduta profissional, observadas as normas éticas aplicáveis à atividade médica.
Outro ponto que provocou questionamentos foi a situação do registro de especialidade do profissional. Reportagens publicadas no sábado (17) apontaram a ausência de Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica no cadastro médico consultado.
A defesa respondeu que Euller mantém inscrição regular no Conselho Regional de Medicina e argumentou que a legislação permite ao médico regularmente inscrito exercer atos médicos, inclusive cirúrgicos. A existência de registro profissional, entretanto, não se confunde com o reconhecimento formal de uma especialidade médica.
Na nova manifestação, a assessoria voltou a enfatizar que a medicina envolve riscos e que as complicações cirúrgicas podem variar conforme as condições clínicas de cada paciente e as particularidades de cada procedimento.
O comunicado, no entanto, não apresenta uma conclusão clínica sobre o que provocou a morte de Lurdes Maria, reforçando que os esclarecimentos dependem dos exames oficiais.
A equipe também questionou a exposição de informações médicas referentes a antigos pacientes envolvidos em processos judiciais. Segundo a assessoria, mesmo quando os nomes não são divulgados, a reprodução de dados relacionados à saúde exige cuidados para preservar a privacidade das pessoas.
As ações judiciais mencionadas pela imprensa envolvem diferentes períodos e circunstâncias. A existência desses processos não comprova, por si só, responsabilidade do profissional pela morte registrada na última sexta-feira.
Em relação ao óbito de Lurdes Maria, não existe, até esta segunda-feira (19), conclusão oficial que estabeleça a causa exata da morte ou eventual responsabilidade médica.
Ao encerrar a manifestação, a assessoria de Euller Gustavo Preza expressou solidariedade à família da jovem e afirmou que permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação e dos veículos de comunicação para prestar esclarecimentos.
A conclusão dos exames periciais será fundamental para determinar o que aconteceu durante a cirurgia e orientar os próximos passos das apurações policial e administrativa. Até lá, o caso permanece sob investigação, sem definição oficial sobre as causas do óbito.