ARRANCADA

Max lota Musiva, revisita trajetória e mostra força política em ato pela reeleição

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Max lota Musiva, revisita trajetória e mostra força política em ato pela reeleição

JB News

Por Nayara Cristina

Ovacionado por apoiadores em Cuiabá, presidente da Assembleia relembrou a escalada de 605 votos como vereador aos mais de 70 mil na última eleição, destacou atuação municipalista e causas sociais e apresentou o fortalecimento do Podemos como parte de um projeto político de longo prazo em Mato Grosso

O lançamento da campanha de Max Russi (Podemos) à reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, na noite desta quarta-feira (9), no Espaço Musiva, em Cuiabá, teve um significado que foi além de uma largada eleitoral. Com a casa lotada, o presidente da ALMT aproveitou o palco para revisitar mais de duas décadas de vida pública, medir a temperatura de sua base e demonstrar o tamanho da estrutura política que conseguiu construir desde os primeiros passos em Jaciara até chegar ao comando do Legislativo estadual.

Entre bandeiras, batucada, abraços, prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias, representantes de categorias e apoiadores de diferentes regiões do Estado, Max foi recebido sob aplausos e manifestações de entusiasmo. O ambiente permitiu ao parlamentar conduzir o discurso em tom pessoal, alternando lembranças da própria trajetória, prestação de contas do mandato e recados sobre a disputa eleitoral que entra em sua fase decisiva.

“Melhor que o mandato é a campanha”, resumiu Max, ao falar sobre a relação que mantém com o período eleitoral e o contato direto com a população.

“É muito bom esse calor humano, essa alegria, essa vibração, essa energia. Cada abraço gostoso, cada senhora que a gente recebe, cada criança, que é algo mais puro que existe, que abraça a gente, que quer tirar uma foto, que quer carinho. Isso é algo que a gente tem que viver”, afirmou.

Apesar do clima de festa, Max tratou de afastar qualquer discurso de eleição antecipadamente resolvida. No palco, pediu mobilização e lembrou que, mesmo com a estrutura política construída ao longo dos últimos anos, nenhum resultado pode ser considerado garantido.

“Não existe eleição ganha. Um voto tem que ser um voto consciente, um voto analisado”, disse.

A fala serviu como senha para o restante da noite. O presidente da Assembleia pediu que cada pessoa presente assumisse uma parcela da campanha, conversasse com amigos, familiares e conhecidos e buscasse novos apoios até a votação. A ordem, segundo ele, é crescer.

Esse discurso está diretamente ligado à própria trajetória eleitoral do parlamentar.

Max entrou na política em Jaciara em 2000, quando foi eleito vereador com 605 votos, sendo o mais votado naquele pleito municipal. Dois anos depois, tentou pela primeira vez chegar à Assembleia Legislativa. Recebeu 8.874 votos e ficou na suplência.

Em 2004, aos 28 anos, conquistou a Prefeitura de Jaciara com 6.992 votos. Quatro anos depois, foi reeleito, desta vez com 9.636 votos, permanecendo oito anos à frente do município.

A chegada definitiva à Assembleia ocorreu em 2014, quando Max recebeu 20.690 votos. Em 2018, ampliou a votação para 35.042. O salto mais expressivo veio na eleição de 2022, quando alcançou 70.328 votos, mais que o dobro do resultado anterior e mais de três vezes a votação obtida na primeira eleição para deputado estadual.

Foi justamente essa trajetória de crescimento que ele colocou no centro do discurso no Musiva.

“Na última eleição tive 70 mil votos. Eu falo que nessa eu tenho que ter pelo menos 71 mil. Político tem que ir para cima. Você quer disputar uma coisa maior. Se diminuir, está em queda”, afirmou.

A escalada eleitoral foi acompanhada por uma ascensão dentro da própria Assembleia Legislativa.

Depois de conquistar seu espaço no Parlamento, Max passou a ocupar sucessivamente posições estratégicas na Mesa Diretora. Foi primeiro-secretário, chegou pela primeira vez à presidência da Casa em 2021 e, posteriormente, retornou à primeira-secretaria.

Em agosto de 2024, consolidou novamente sua força interna ao ser eleito presidente da Assembleia Legislativa com os votos dos 24 deputados estaduais. Assumiu o comando da Casa em fevereiro de 2025 para o biênio 2025/2027.

A trajetória também passou pelo Executivo estadual. Durante o primeiro mandato como deputado, Max se licenciou para comandar a então Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social e também exerceu a função de secretário-chefe da Casa Civil.

No discurso desta quarta-feira, entretanto, Max procurou colocar outra característica como marca central de seu mandato: o municipalismo.

A presença de prefeitos e lideranças de diferentes cidades no evento não foi por acaso. O presidente da Assembleia fez questão de citar esse relacionamento e afirmou que espalhou ações, obras e emendas por Mato Grosso durante os últimos anos.

“O deputado Max é um deputado municipalista. Em todos esses municípios tem uma obra, uma ação, uma emenda do deputado Max”, declarou.

A expansão territorial de sua votação acompanha esse movimento. Em 2014, Max recebeu votos em 100 municípios. Em 2018, chegou a 133 cidades. Já em 2022, sua votação alcançou todos os 141 municípios então existentes em Mato Grosso.

No Musiva, ele decidiu transformar algumas dessas relações políticas e sociais em personagens do próprio discurso.

Representantes de movimentos, categorias profissionais e comunidades foram chamados ou mencionados para simbolizar pautas que Max afirma ter assumido dentro da Assembleia.

O parlamentar recordou, por exemplo, intervenções do Legislativo em conflitos envolvendo famílias ameaçadas de perder moradias ou terrenos. Citou situações em que comunidades consolidadas há décadas enfrentaram disputas jurídicas e afirmou que a Assembleia buscou oferecer segurança para evitar a retirada de moradores enquanto as discussões continuavam.

“Nós brigamos do lado certo, do lado da pessoa que mais precisa. Não vencemos a guerra ainda, mas vencemos uma luta importante”, afirmou.

Em outro momento, falou sobre uma comunidade onde centenas de famílias enfrentavam insegurança sobre a posse da terra após décadas vivendo na região. Max lembrou a atuação conjunta com outros deputados, entre eles Janaína Riva, e a aprovação de medida legislativa que, segundo ele, ajudou a dar mais segurança aos moradores enquanto a disputa prossegue.

“Essa é a forma de nós trabalharmos quando somos procurados por uma causa justa, uma causa para defender o trabalhador”, declarou.

A relação com os agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias também recebeu destaque.

Max lembrou articulações realizadas junto ao Tribunal de Contas e afirmou ter acompanhado diversas pautas da categoria ao longo dos anos. Segundo ele, essa proximidade criou uma ligação política presente em praticamente todas as cidades que visita.

“Em cada município de Mato Grosso que eu vou tem lá um agente de saúde abrindo a porta e recebendo o deputado Max”, afirmou.

A causa animal apareceu como outro eixo do mandato.

Max disse que, ao longo do atual período legislativo, passou a assumir de forma mais direta as demandas ligadas à proteção animal. Citou projetos de lei, recursos incluídos no orçamento, emendas parlamentares e o avanço do projeto para implantação de um hospital veterinário em Mato Grosso.

Segundo ele, a pauta passou a fazer parte de maneira permanente do trabalho desenvolvido dentro da Assembleia Legislativa.

A defesa dos povos indígenas também apareceu no balanço apresentado pelo parlamentar.

Max destacou a criação, dentro da Assembleia, de espaço destinado à discussão de questões relacionadas aos povos tradicionais e lembrou que a mobilização ganhou força depois que recebeu denúncias de dificuldades enfrentadas por indígenas para conseguir atendimento em unidades de saúde.

Para o deputado, situações desse tipo não podem ser toleradas.

A preocupação social apareceu ainda quando Max relembrou uma história do período em que era prefeito de Jaciara.

Segundo ele, em 2004, uma senhora o procurou e pediu que fosse criado um “cantinho para o idoso”, um espaço onde pudesse viver com autonomia, fazer a própria comida e cuidar da própria casa sem sentir que estava incomodando familiares.

Max contou que gostou da ideia, tentou concretizá-la durante os oito anos em que esteve à frente da Prefeitura, mas não conseguiu concluir o projeto naquele período. A lembrança foi utilizada para mostrar como determinadas demandas sociais permanecem acompanhando sua trajetória política mesmo muitos anos depois de terem surgido.

O discurso também avançou para o cenário estadual e para as alianças construídas pelo Podemos em 2026.

Ao falar do apoio ao governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos), Max revelou uma das pautas que colocou na mesa durante as conversas políticas: a ampliação da política habitacional em Mato Grosso.

“Pivetta, nós precisamos avançar muito na questão da moradia. Moradia, nós temos que avançar em todo o Estado de Mato Grosso”, relatou.

Para Max, habitação não deve ser tratada apenas como entrega de casas, mas como uma política capaz de fortalecer a estrutura familiar e produzir reflexos na segurança e na qualidade de vida.

“Moradia é o fortalecimento da família. Se nós fortalecermos a família, vamos diminuir um monte de problema na nossa sociedade. Problema de violência, um monte de coisa está no alicerce, está na família”, afirmou.

Segundo o presidente da Assembleia, Pivetta assumiu o compromisso de avançar nessa área e também em outras pautas que vêm sendo discutidas pelo Podemos para os próximos quatro anos.

A entrada de Max no Podemos representa outro capítulo importante de sua trajetória política.

Depois de anos no PSB, ele assumiu em 2026 o comando estadual da nova legenda e passou a organizar a estrutura do partido com a entrada de prefeitos, vereadores e lideranças de diferentes regiões.

Desde o início, a movimentação de Max produziu impacto no tabuleiro político estadual.

O Podemos chegou à pré-campanha discutindo a construção de candidatura própria ao Governo e defendendo maior protagonismo nas eleições de Mato Grosso. Ao longo das negociações, entretanto, a legenda decidiu apoiar a reeleição de Pivetta.

Paralelamente, Max concentrou esforços na montagem das chapas proporcionais.

O presidente estadual do partido chegou a projetar a possibilidade de o Podemos conquistar até seis das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, além de representação na Câmara Federal. A ambição é transformar a legenda em uma das maiores forças parlamentares de Mato Grosso.

No Musiva, Max reforçou essa estratégia.

Pediu que seus apoiadores não olhassem apenas para sua candidatura a deputado estadual e também trabalhassem pelos candidatos do Podemos a deputado federal.

A orientação foi clara: fortalecer o grupo político como um todo para que o partido tenha capacidade de atuar em Brasília e em Mato Grosso.

“Escolha um desses federais, peça voto, peça apoio, porque eles estão preparados para ajudar o Podemos, para ajudar o partido, para fazermos uma política de grupo, para ajudar o nosso grupo a trabalhar pelo Brasil, para fazer a diferença”, afirmou.

No Senado, Max reafirmou apoio a Janaína Riva e ao ex-governador Mauro Mendes.

Ao chamar Janaína para perto durante o evento, o presidente da Assembleia recuperou a história política dos dois no Legislativo.

Lembrou que ambos chegaram juntos à Assembleia e destacou que Janaína apoiou suas eleições internas para presidente e primeiro-secretário.

Max também ressaltou a decisão da parlamentar de deixar a Assembleia para disputar outro cargo.

“É a única que saiu da Assembleia para disputar um outro cargo. Tem coragem, é decidida, trabalhadora, gosta de gente, gosta de política, está preparada. Ela se capacitou, se preparou ao longo desses anos”, afirmou.

Segundo Max, a escolha de Janaína como uma das candidaturas ao Senado apoiadas pelo Podemos passou por conversa com os integrantes do partido e recebeu aval do grupo.

O outro nome defendido pelo presidente da Assembleia para o Senado é Mauro Mendes.

Ao falar sobre o ex-governador, Max lembrou a parceria política construída durante os últimos anos e destacou as obras e ações realizadas pelo Governo de Mato Grosso.

“Mauro foi um governador de muitas ações, de muitas obras, ele fez muitas entregas pelo Estado de Mato Grosso”, afirmou.

Max também citou o primeiro suplente Elcio Ramos e fez questão de contar parte de sua trajetória pessoal, destacando a origem humilde, o trabalho desde jovem e a construção de uma carreira empresarial.

Segundo o presidente da Assembleia, a escolha também leva em consideração a relação pessoal e política existente entre eles.

A montagem do palanque mostrou, nos bastidores, como Max pretende atuar nesta eleição.

Enquanto busca a própria reeleição com o número 20000, trabalha simultaneamente pelo fortalecimento do Podemos, pelo projeto de reeleição de Pivetta ao Governo e pelas candidaturas de Janaína Riva e Mauro Mendes ao Senado.

É um movimento que acompanha a mudança de patamar político experimentada por Max nos últimos anos.

O vereador eleito com 605 votos passou pela Prefeitura de Jaciara, chegou à Assembleia, ocupou secretarias estaduais, conquistou postos estratégicos dentro do Parlamento, assumiu duas vezes a presidência do Legislativo e agora comanda um partido que pretende ampliar de maneira significativa sua presença eleitoral.

Ao final do discurso, Max voltou ao terreno pessoal.

Disse considerar-se realizado, em primeiro lugar, pela família. Citou a esposa Andréia, os quatro filhos e os netos como seu maior patrimônio.

Mas colocou a política como o segundo grande motivo de realização.

“Eu sou uma pessoa realizada, primeiro por tantos amigos que eu tenho, por dois motivos principais. Primeiro pela família que eu tenho, a minha esposa, essa prefeita forte, uma mulher honrada, Andréia; pelos meus quatro filhos, que são o meu maior patrimônio, e agora o meu maior patrimônio passa a ser os meus netos”, afirmou.

Depois, explicou o que ainda o mantém motivado depois de mais de duas décadas de eleições.

“O deputado Max gosta de política, gosta de estar no meio do povo, gosta de ver uma vida acontecendo. Gosto de visitar o prefeito, visitar o vereador, ver um projeto, colocar debaixo do braço e dizer: esse projeto é meu. Vamos fazer essa obra, vamos levar recursos para a saúde, vamos fazer isso para a educação. É isso que o deputado Max gosta”, declarou.

A noite no Musiva, portanto, serviu para algo maior do que apenas colocar oficialmente o número 20000 nas ruas.

O evento foi também uma demonstração do espaço ocupado hoje por Max Russi no tabuleiro político de Mato Grosso.

Ele entra na disputa de 2026 não apenas como candidato à reeleição, mas como presidente da Assembleia Legislativa, comandante estadual do Podemos, articulador de uma chapa proporcional ambiciosa e integrante de um bloco que busca permanecer no comando do Governo do Estado.

Da primeira eleição em Jaciara aos 70.328 votos de 2022, Max construiu uma trajetória marcada por crescimento eleitoral praticamente contínuo.

Agora, cercado por prefeitos, vereadores, lideranças, movimentos sociais, categorias e aliados, deixou claro que não pretende tratar o atual patamar como ponto de chegada.

A meta declarada é superar a própria votação, ampliar a bancada do Podemos e manter o grupo político entre os protagonistas do próximo ciclo de poder em Mato Grosso.

No Musiva, diante de uma militância que respondeu com aplausos e gritos ao longo da noite, Max colocou essa ambição em poucas palavras: político, segundo ele, “tem que ir para cima”.

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