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Por Emerson Teixeira
Candidato ao Senado criticou Congresso e Supremo, questionou situação fiscal do Governo Federal e disse que pretende chegar a Brasília para “passar a limpo” marcos legais do país
O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) votou na manhã deste domingo (4), na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, e deixou o local fazendo algumas das declarações mais duras de sua campanha. Ao conversar com jornalistas, defendeu uma profunda revisão dos marcos legais brasileiros, falou em mudanças na própria Constituição e afirmou que, sem reformas estruturais, o Brasil corre o risco de enfrentar uma grave crise fiscal.
“Chegou a hora do Brasil fazer uma revisão constitucional e passar a limpo algumas histórias que não estão cheirando bem nesse país”, declarou.
Mauro foi além e afirmou defender uma nova Constituinte para promover mudanças que, segundo ele, dificilmente seriam realizadas dentro do atual modelo institucional.
“Eu defendo a nova Constituinte, porque algumas mudanças passam necessariamente por uma Constituinte. Senão o Brasil vai quebrar. Anote isso aí”, afirmou.
O candidato relacionou o alerta principalmente à situação das contas públicas federais. Segundo Mauro, o crescimento do endividamento e o peso dos juros colocam o país diante de um problema que precisará ser enfrentado pelo próximo Congresso.
“É um país que tem o seu governo central, o Governo Federal, totalmente endividado, não consegue pagar o juro da dívida, está tomando dinheiro emprestado para pagar juros. Isso vai quebrar, gente, é óbvio que vai quebrar”, disse.
Mauro também fez críticas ao funcionamento das instituições em Brasília. Para ele, decisões tomadas pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), além de conflitos entre os Poderes, vêm provocando insegurança e desgaste da confiança da população e dos investidores.
“O Brasil não aguenta mais, nós estamos à deriva. A todo momento é um show de horrores que vem de Brasília, do Congresso Nacional, do Supremo, decisões contraditórias, que deixam o país chocado”, declarou.
Segundo o ex-governador, caso seja eleito senador, uma de suas prioridades será justamente participar da revisão de marcos legais e constitucionais. Mauro afirmou que pretende levar ao Legislativo a mesma cobrança por resultados que marcou seu discurso durante os anos em que comandou o Executivo estadual.
“Se eu for eleito, abriremos um novo ciclo, que é trabalhar numa seara que para mim vai ser uma novidade, que é trabalhar no Legislativo. Sempre fui um homem de Executivo focado em resultado. Lá no Congresso Nacional eu estarei focado em resultado”, afirmou.
Em seguida, disparou contra o que classificou como excesso de discurso e falta de entrega na política brasileira.
“Odeio muita conversa fiada, muito blá-blá-blá e nada de resultado. E é isso que a maioria dos políticos brasileiros são especialistas em fazer: muito blá-blá-blá, muita conversa fiada. Quando você peneira ali a atuação, você vê muito pouco resultado”, disse.
Questionado sobre ter utilizado durante a campanha realizações de seu período à frente do Governo de Mato Grosso, Mauro afirmou que o histórico administrativo serve como referência para que o eleitor avalie a capacidade de entrega de um candidato.
Ele citou o Hospital Central como exemplo. A unidade permaneceu com as obras paralisadas durante mais de três décadas e foi retomada durante sua gestão. Para Mauro, apresentar o que realizou no Executivo é uma forma de estabelecer uma ligação entre o histórico político e aquilo que pretende realizar no Senado.
“Falar que vai fazer isso ou aquilo, falar um monte de coisas, qualquer candidato pode fazer. Qual que é a referência? Esse cara já fez alguma coisa? Esse cara tem capacidade de entregar aquilo que está dizendo?”, questionou.
“Fizemos coisas que pareciam impossíveis de serem feitas em Mato Grosso. O Hospital Central é uma delas, afinal de contas ficou parado 34 anos. E a partir dessa referência nós dizemos: poderemos fazer em Brasília coisas que lá no Congresso Nacional parecem impossíveis de serem feitas”, acrescentou.
Mauro também comentou as pesquisas eleitorais que, ao longo da campanha, o colocaram entre os principais nomes na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado. Apesar dos números favoráveis, afirmou que os institutos perderam parte da credibilidade nos últimos anos por resultados que ficaram distantes do que posteriormente apareceu nas urnas.
“Respeito as pesquisas, obviamente têm valor técnico se são feitas corretamente. E nos últimos anos, infelizmente, elas foram perdendo a confiança porque tiveram erros muito além da margem de erro”, afirmou.
Segundo ele, a campanha foi conduzida independentemente das oscilações dos levantamentos.
“Trabalhei como eu sempre fiz, independentemente, olhando para as pesquisas, confiando em Deus e confiando que as pessoas são capazes de reconhecer aquilo que é certo e errado no nosso Mato Grosso.”
Sobre questionamentos judiciais envolvendo sua candidatura, Mauro minimizou a possibilidade de impugnação e afirmou não enxergar fundamento capaz de impedir sua participação na eleição.
O ex-governador ainda avaliou o cenário da eleição presidencial. Para ele, a polarização política continua predominando no país e a tendência é de uma disputa em segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
“Eu vejo que tem um cenário de polarização, ele ainda domina o país e nós vamos, sim, para o segundo turno, muito provavelmente, com Flávio e com Lula”, declarou.
Ao ser questionado sobre eventuais articulações após o primeiro turno, Mauro evitou antecipar movimentos políticos.
“Vamos esperar primeiro terminar o primeiro turno, terminar as eleições e apurar as urnas. E aí, no dia seguinte, no day after, a gente pensa o que vamos fazer.”
Mauro classificou a campanha como tranquila e disse encerrar o primeiro turno com sentimento de dever cumprido, não apenas pela disputa eleitoral, mas pelo período em que esteve à frente do Governo de Mato Grosso.
“Você fecha um ciclo. Se eu for eleito, abriremos um novo ciclo”, afirmou.
Na saída da UFMT, Mauro voltou a demonstrar confiança no resultado das urnas. Segundo ele, as pesquisas divulgadas na reta final reforçaram uma percepção que já carregava durante a campanha.
“Eu sempre falei isso. Nós iríamos ganhar essas eleições. Eu nunca tive dúvida disso”, concluiu.
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