ESCALA 6X1

Mauro mantém posição contra fim da escala 6x1, diverge de Flávio e dispara: “Não vou mudar minhas opiniões”

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Mauro mantém posição contra fim da escala 6x1, diverge de Flávio e dispara: “Não vou mudar minhas opiniões”

JBNews

Por Nayara Cristina

Senador eleito por Mato Grosso afirma que não teme desgaste político, defende liberdade de negociação entre trabalhadores e empresários e diz que divergências são naturais na democracia: “Vence a maioria”

O ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) voltou a reafirmar sua posição contrária ao fim da escala de trabalho 6x1 e garantiu que não pretende mudar suas convicções para evitar críticas ou conquistar popularidade. Mesmo diante da posição favorável à mudança anunciada pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), a quem apoia no segundo turno, Mendes descartou qualquer contradição política e afirmou que, numa democracia, prevalece a vontade da maioria.

Em entrevista à imprensa, o ex-governador foi questionado sobre a repercussão negativa de suas declarações anteriores, nas quais defendeu maior liberdade para que trabalhadores e empresários negociem jornadas de trabalho, inclusive com regras mais flexíveis do que as previstas atualmente na legislação brasileira.

O posicionamento provocou críticas, especialmente de setores da esquerda e de representantes da classe trabalhadora, que defendem a redução da jornada semanal e a ampliação do período de descanso sem diminuição salarial.

Ao ser perguntado se temia que a polêmica pudesse prejudicá-lo em futuras disputas eleitorais, Mauro foi enfático ao afirmar que não condiciona suas opiniões à repercussão política.

“Eu nunca temi falar o que acredito. Se eu me preocupasse com isso, eu não estaria onde estou”, declarou.

O senador eleito sustentou que sua trajetória política foi construída com base nas posições que considera corretas, mesmo quando elas provocam resistência de determinados segmentos da sociedade.

“Foi fazendo a coisa certa, dizendo a coisa correta e, obviamente, respeitando o contraditório”, afirmou.

Mauro ressaltou que não pretende abandonar suas convicções simplesmente porque existem pessoas contrárias ao seu pensamento.

“Mesmo que alguém seja contra, alguém chia, alguém reclama, eu vou mudar as minhas opiniões?”, questionou, ao defender o direito à divergência.

O ex-governador também lembrou seu desempenho nas urnas como demonstração de que suas posições políticas não impediram o reconhecimento popular. Ele destacou que foi eleito três vezes, incluindo duas vitórias para o Governo de Mato Grosso e a eleição ao Senado Federal, em 4 de outubro.

DIVERGÊNCIA COM FLÁVIO BOLSONARO

Um dos momentos mais relevantes da entrevista ocorreu quando Mauro Mendes foi confrontado com a mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre a escala 6x1.

O candidato do PL passou a apoiar o fim desse modelo de jornada, enquanto Mendes mantém críticas à proposta e defende maior flexibilidade nas relações trabalhistas.

Questionado se essa diferença representaria uma contradição dentro do grupo político que apoia a candidatura presidencial de Flávio, o senador eleito rejeitou a interpretação.

“Não vejo contradição nenhuma. Isso é democracia. Cada um tem direito a ter o seu pensamento. Vivemos numa democracia e vence a maioria”, respondeu.

A declaração evidencia que Mauro pretende preservar sua independência de pensamento, mesmo diante de posições diferentes assumidas por aliados políticos.

A discussão ganhou dimensão nacional durante o segundo turno da eleição presidencial. A proposta em debate no Congresso prevê substituir a escala de seis dias de trabalho por um de descanso por um modelo com cinco dias de trabalho e dois de folga, além de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial.

Mauro, entretanto, sustenta que as regras trabalhistas precisam permitir maior liberdade de negociação entre empregados e empregadores. Sua avaliação é de que o excesso de rigidez legal pode limitar acordos entre trabalhadores e empresas.

O posicionamento coloca o senador eleito em uma corrente mais liberal da discussão econômica, enquanto defensores da redução da jornada argumentam que a mudança representa melhoria na qualidade de vida e na saúde dos trabalhadores.

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL E DISPUTA PELOS INDECISOS

Durante a mesma entrevista, Mauro Mendes também analisou a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, marcada pela busca de votos no segundo turno.

Na avaliação do senador eleito, o resultado dependerá principalmente da capacidade dos candidatos de estabelecer conexão com os eleitores que não participaram do primeiro turno ou que escolheram outras candidaturas.

Mauro afirmou que tanto a esquerda quanto a direita estão desenvolvendo estratégias para ampliar suas bases eleitorais e conquistar votos fora dos respectivos grupos tradicionais.

“Vai ganhar essa eleição quem gerar mais conexão”, avaliou.

Segundo ele, a disputa não será decidida apenas pela fidelidade dos eleitores que já escolheram Lula ou Flávio, mas também pela capacidade de mobilizar os ausentes e atrair votos de outros segmentos.

O senador eleito minimizou a estratégia atribuída à campanha petista de buscar apoio de eleitores que não votaram no presidente no primeiro turno. Para Mauro, trata-se de um movimento previsível e que também deverá ser realizado pelos adversários.

“A direita também não vai dormir”, afirmou, acrescentando que não costuma revelar publicamente suas estratégias políticas para evitar que sejam reproduzidas pelos adversários.

INFLUENCIADORES NÃO CONTROLAM O ELEITOR

Outro ponto abordado por Mauro Mendes foi o peso de artistas, cantores, influenciadores digitais e lideranças políticas na definição do voto.

O ex-governador relativizou a capacidade dessas personalidades de direcionar o comportamento do eleitorado e utilizou o resultado das eleições em Mato Grosso como exemplo.

“Hoje em dia está mais que provado que o eleitor é autônomo. Não é conversinha de cantor, de influencer, de político que vai mudar a cabeça do eleitor”, afirmou.

Ele destacou que os eleitores mato-grossenses fizeram escolhas entre candidatos de diferentes partidos, incluindo PL, Republicanos e União Brasil, sem necessariamente seguir uma orientação partidária única.

Na avaliação de Mauro, o eleitor não se deixou conduzir exclusivamente por ondas políticas, influência de personalidades ou financiamento de campanha.

PIVETTA TERÁ LIBERDADE PARA ESCOLHER SECRETARIADO

Mauro Mendes também comentou a formação da equipe do governador eleito Otaviano Pivetta (Republicanos) e as mudanças previstas na estrutura administrativa estadual.

Ao ser questionado sobre a permanência de integrantes do atual secretariado, evitou interferir diretamente nas decisões do sucessor.

“Eu defendo que o governador tenha autonomia, como eu tive, para escolher o seu secretariado”, afirmou.

O senador eleito lembrou que, durante sua administração, teve liberdade para nomear os integrantes da equipe e considera que Pivetta deve exercer a mesma prerrogativa.

“Eu tive essa autonomia, escolhi quem eu quis. Ele tem o direito de escolher quem ele quer para ficar, para continuar. Ele tem toda a liberdade para fazer as escolhas que julgar melhores para a equipe dele”, acrescentou.

Mauro ainda avaliou como naturais as movimentações administrativas e elogiou um nome mencionado durante a entrevista para atuar na articulação política, destacando a importância estratégica da Casa Civil no relacionamento entre governo e demais instituições.

UNIÃO BRASIL PRECISA SE RENOVAR

Ao comentar o futuro do União Brasil em Mato Grosso, Mauro Mendes afirmou que o partido apresentou desempenho eleitoral positivo, mas reconheceu a necessidade de renovação de quadros, formação de lideranças e revisão de estratégias.

O senador eleito ressaltou os resultados obtidos pela legenda nas eleições de outubro, incluindo sua própria vitória ao Senado e a conquista de cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

Para ele, o desempenho não elimina a necessidade de modernizar a estrutura partidária e ampliar a participação de lideranças do interior.

“A reciclagem, a renovação, mudança de estratégia, é algo que eu sei fazer muito bem”, declarou.

Mauro também demonstrou disposição para receber sugestões de integrantes da sigla interessados em fortalecer o União Brasil para as próximas disputas.

FOCO NO SENADO

Questionado sobre especulações envolvendo futuros arranjos políticos nacionais, Mauro preferiu não alimentar hipóteses e afirmou que pretende concentrar sua atuação no mandato para o qual foi eleito.

“Eu não sou presidente, então não posso pensar como presidente. Tenho que pensar como cidadão, como senador eleito por Mato Grosso, e que vou trabalhar no Senado Federal”, declarou.

O ex-governador acrescentou que não pretende desperdiçar energia com cenários políticos sem elementos concretos.

A postura também apareceu quando foi questionado sobre uma controvérsia envolvendo a Justiça Eleitoral. Mauro afirmou que não havia acompanhado o episódio em profundidade e, por isso, preferia não emitir julgamento.

As declarações reforçam a disposição do senador eleito de iniciar sua trajetória em Brasília preservando posições próprias, inclusive quando elas divergem das adotadas por aliados nacionais.

No debate sobre a escala 6x1, Mauro Mendes deixou claro que continuará defendendo suas convicções econômicas e trabalhistas, mas reconhece que a decisão final cabe à maioria no processo democrático.

A posição sinaliza que seu apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial não significa concordância automática com todas as propostas defendidas pelo candidato do PL.

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