“NÃO VOU BATER NO COCHO”

Flávia defende secretária que apoia Lula e avisa: “Não estou ali para ter um posto de coronel”

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Flávia defende secretária que apoia Lula e avisa: “Não estou ali para ter um posto de coronel”

LIBERDADE POLÍTICA

JB News

Por Nayara Cristina

Prefeita de Várzea Grande rejeita imposição partidária dentro da administração, reafirma apoio a Flávio Bolsonaro e diz que eventual vitória do candidato do PL poderá abrir portas para os municípios

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que não pretende transformar a administração municipal em um espaço de imposição ideológica ou perseguição política contra integrantes de sua equipe que tenham preferências eleitorais diferentes das suas. Mesmo declarando apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, a gestora saiu em defesa da liberdade partidária de uma integrante do primeiro escalão que manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No caso em questão está A secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Várzea Grande Maria Fernanda Figueiredo.

A declaração foi feita na terça-feira (13), durante o lançamento da Casa 22, em Cuiabá, espaço de mobilização política destinado à campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

Em entrevista à imprensa, Flávia foi questionada sobre a posição da secretária municipal de Educação, que declarou apoio a Lula e afirmou ter recebido autorização da prefeita para manifestar sua preferência eleitoral.

A situação provocou questionamentos sobre uma possível contradição entre a posição política da chefe do Executivo, filiada ao PL, e a liberdade concedida aos integrantes de seu secretariado.

Flávia rejeitou a interpretação de que seus auxiliares devam obrigatoriamente seguir suas escolhas partidárias e afirmou que o respeito à divergência faz parte da democracia.

“Eu sempre defendi a democracia, como pessoa de direita que sou. A liberdade de expressão, a liberdade partidária, a liberdade de escolher candidato”, declarou.

A prefeita também fez uma comparação com práticas políticas que, segundo ela, marcaram administrações anteriores de Várzea Grande, destacando que não pretende exercer autoridade sobre as escolhas pessoais de seus colaboradores.

“Eu estou ali para ser democrática”, afirmou, ao explicar sua postura diante da divergência partidária.

Flávia ressaltou que sua posição favorável a Flávio Bolsonaro é pública e não sofreu alteração, mas considera legítimo que outras pessoas tenham entendimento político diferente.

“Eu sempre mostrei que sempre fui Flávio Bolsonaro. Se ela escolheu e tem a visão partidária dela, é dela, é a visão dela”, declarou.

A manifestação ocorre em um momento de intensificação da polarização política e de cobranças internas por fidelidade partidária entre integrantes da direita mato-grossense.

Mesmo dentro do PL, existem divergências sobre a composição de governos municipais e a participação de pessoas ligadas a outras correntes políticas em cargos de confiança.

A situação de Várzea Grande ganhou repercussão após críticas do ex-vice-prefeito Tião da Zaeli, que questionou a presença de representantes ligados à esquerda na administração Moretti e afirmou que bolsonaristas não tiveram espaço equivalente no primeiro escalão.

A prefeita, entretanto, sustentou que sua administração deve respeitar a pluralidade de posições, sem exigir adesão política automática de seus secretários.

O posicionamento também chama atenção pelo histórico recente da própria gestora. Durante a disputa pelo Governo de Mato Grosso, Flávia Moretti apoiou Otaviano Pivetta (Republicanos), apesar de Wellington Fagundes, candidato de seu partido, também disputar o cargo.

Agora, no segundo turno presidencial, a prefeita voltou a defender a união da direita e anunciou que pretende intensificar a campanha de Flávio Bolsonaro em Várzea Grande.

Segundo ela, a mobilização será realizada por meio de visitas aos bairros, caminhadas, conversas com moradores e articulações com lideranças políticas e comunitárias.

“Nós vamos contribuir com aquele trabalho em Várzea Grande. Eu falo tanto de formiguinha, batendo de porta em porta, fazendo nossas caminhadas, fazendo nossos contatos com lideranças”, afirmou.

Flávia revelou que a organização de uma mobilização eleitoral no município está prevista para a próxima semana e destacou que o período entre os dois turnos exige rapidez na organização das atividades políticas.

“É uma campanha rápida, falam que é até flash, né? É muito rápida. Mas o importante é que nós vamos entrar na campanha. Já estamos na campanha, já estamos trabalhando”, declarou.

A prefeita também contestou a avaliação de que a direita estaria unida apenas por conveniência eleitoral.

Segundo ela, as diferenças de posicionamento entre lideranças conservadoras não significam necessariamente ruptura ou ausência de identidade política.

“A direita sempre foi unida. Quem é de direita é de direita”, afirmou.

Flávia considera que o fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro depende da aproximação entre lideranças que estiveram em palanques distintos durante o primeiro turno.

Outro ponto importante da entrevista foi a expectativa da prefeita sobre a relação entre os municípios e o Governo Federal caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial.

Ela afirmou acreditar que uma administração comandada pelo senador do PL poderá estabelecer maior proximidade com os prefeitos, sobretudo nas discussões sobre investimentos, recursos e projetos de interesse municipal.

Na avaliação de Flávia, Flávio Bolsonaro possui uma visão municipalista, característica que considera importante para cidades que dependem da articulação com Brasília para executar obras e ampliar serviços públicos.

“Com o Flávio, é muito mais fácil. Os caminhos, as portas se abrem muito melhor para qualquer gestor municipal”, afirmou.

A prefeita acrescentou que tem esperança de uma mudança na maneira como a União se relaciona com as administrações municipais.

“O Flávio sempre foi um político muito municipalista e ele atenderá de frente nós, prefeitas. Então, como gestora municipal, eu tenho muita esperança dele lá, mudando essa cara do Governo Federal, mudando essa visão política do Governo Federal para com os municípios”, declarou.

A expectativa manifestada por Flávia está diretamente relacionada aos desafios de Várzea Grande, município que enfrenta demandas nas áreas de infraestrutura, saneamento, abastecimento de água, mobilidade urbana e ampliação dos serviços públicos.

A eventual mudança na Presidência da República, entretanto, não garante automaticamente maior liberação de recursos ou aprovação de projetos, que continuam sujeitos a regras orçamentárias, critérios técnicos e procedimentos administrativos.

Ao defender a liberdade política dentro da própria gestão, Flávia Moretti procurou estabelecer uma distinção entre sua atuação partidária e suas responsabilidades como chefe do Executivo municipal.

De um lado, confirmou que participará ativamente da mobilização eleitoral de Flávio Bolsonaro. De outro, deixou claro que não pretende exigir que seus secretários adotem a mesma posição nas urnas.

A declaração coloca a prefeita no centro de um debate que ultrapassa as divergências locais: até que ponto integrantes de governos municipais precisam acompanhar as escolhas partidárias de seus chefes políticos?

Para Flávia, a resposta está na liberdade individual e no respeito à democracia, princípios que afirma defender mesmo quando as preferências eleitorais de seus auxiliares contrariam sua própria posição política.

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