Uma reunião estratégica realizada nesta segunda-feira no Palácio Paiaguás colocou Mato Grosso no centro de um debate global sobre o futuro da energia. Liderado pelo governador Otaviano Pivetta, o encontro reuniu representantes da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo e integrantes da comitiva italiana para discutir o fortalecimento das relações econômicas entre o estado e a Itália, com foco direto na transição energética e no avanço dos biocombustíveis.
Entre os participantes, o empresário e interlocutor econômico Graziano Messano foi enfático ao posicionar Mato Grosso como uma referência internacional em soluções sustentáveis. Após a reunião, ele destacou que o estado brasileiro reúne condições únicas para liderar um movimento que ainda representa um desafio para países europeus.
Segundo Messano, Mato Grosso não apenas acompanha a transição energética, mas já vive uma realidade que a Europa ainda tenta construir. Ele afirmou que o estado pode “ensinar a Europa a produzir energia limpa”, especialmente diante de uma matriz energética considerada mais eficiente e sustentável, com forte presença dos biocombustíveis.
A fala reforça um ponto central do encontro: o papel estratégico de Mato Grosso na produção de etanol, principalmente a partir do milho, e sua capacidade de contribuir com soluções reais para reduzir emissões em mercados internacionais. Para o representante italiano, a dependência europeia de fontes energéticas menos limpas ainda compromete a efetividade da eletrificação, enquanto o modelo brasileiro — com biocombustíveis integrados — apresenta uma alternativa mais equilibrada.
Durante o diálogo, também foi destacado que o estado vive um momento de expansão econômica com base em investimentos estruturais feitos nos últimos anos. O governador Otaviano Pivetta ressaltou que Mato Grosso tem se preparado para ampliar sua inserção no mercado internacional por meio de obras de infraestrutura e do fortalecimento da industrialização, aumentando a capacidade produtiva e agregando valor às exportações.
Os números já indicam esse avanço. Em 2025, as exportações de Mato Grosso para a Itália ultrapassaram a marca de 360 milhões de dólares, com destaque para commodities como soja, carne bovina e milho. No entanto, a expectativa é de que essa relação comercial evolua para um novo patamar, com a inclusão de produtos emergentes, como o gergelim, e principalmente com a ampliação da cooperação no setor energético.
Messano também chamou atenção para o potencial de crescimento além das grandes exportações, citando o espaço para pequenas e médias empresas dentro dessa relação bilateral. Segundo ele, o mercado é amplo e ainda há margem para expansão tanto nas exportações quanto nas importações, impulsionadas por inovação e sustentabilidade.
O interesse italiano, no entanto, vai além da compra de produtos agrícolas. O foco agora é integrar Mato Grosso ao debate energético europeu, utilizando o modelo brasileiro como base para acelerar a transição para uma matriz mais limpa. Nesse cenário, o estado passa a ocupar uma posição estratégica não apenas como fornecedor, mas como protagonista de conhecimento e tecnologia aplicada à energia sustentável.
A reunião marca, portanto, um movimento de reposicionamento de Mato Grosso no cenário internacional — não apenas como potência agrícola, mas como referência global em soluções energéticas, em um momento em que o mundo busca alternativas viáveis para enfrentar os desafios climáticos.
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