JB News
Por Nayara Cristina
As obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande entraram em uma nova etapa de execução e o Governo de Mato Grosso agora trabalha para concluir o principal corredor operacional do sistema até o início de 2027. A previsão foi reforçada pelo secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, ao detalhar o andamento das licitações e das frentes de obras que envolvem o novo modal de transporte coletivo da região metropolitana.
Segundo o secretário, o Estado já avançou praticamente em todas as etapas estruturantes do projeto. A infraestrutura viária do corredor segue em andamento, as licitações das estações foram concluídas, os terminais já possuem ordens de serviço emitidas e o governo também iniciou os processos relacionados à aquisição da frota de ônibus e à implantação do centro de controle operacional do sistema.
De acordo com Marcelo, a meta do governo estadual é entregar ainda até o final deste ano toda a parte de infraestrutura rodoviária e as estações para os municípios de Cuiabá e Várzea Grande, permitindo que a operação do trecho prioritário comece no mais tardar no início do próximo ano.
“Já estamos licitando os ônibus e o centro de controle. Pra que a gente possa ter, no final do ano, no mais tardar início do ano que vem, o sistema CPA, que vem desde o Terminal do CPA ao Terminal do Aeroporto Marechal Rondon funcionando”, afirmou o secretário.
A fala ocorre em um momento em que o governo tenta consolidar uma virada de página em uma das obras mais polêmicas e demoradas da história recente da mobilidade urbana em Mato Grosso. O projeto do BRT surgiu após a decisão do governo estadual de substituir o antigo modal VLT, cujas obras foram iniciadas ainda para a Copa do Mundo de 2014, mas acabaram mergulhadas em denúncias, paralisações, entraves judiciais e sucessivos atrasos.
O Veículo Leve sobre Trilhos chegou a consumir bilhões de reais em contratos e intervenções urbanas sem jamais entrar em operação. Durante anos, os trilhos inacabados e os canteiros abandonados se transformaram em símbolo de desperdício de dinheiro público e caos urbano na capital mato-grossense. Diante da inviabilidade técnica e financeira de conclusão do modal ferroviário, o governo estadual decidiu substituir o projeto pelo BRT, alegando menor custo operacional, maior rapidez de implantação e viabilidade financeira mais compatível com a realidade do Estado.
A mudança de modal provocou debates intensos, disputas judiciais e questionamentos políticos, principalmente por conta da retirada da estrutura do VLT e da redefinição completa do sistema de transporte coletivo planejado originalmente para Cuiabá e Várzea Grande. Mesmo após a decisão definitiva pelo BRT, as obras enfrentaram novos períodos de lentidão devido à necessidade de elaboração de projetos executivos, adequações técnicas, revisões contratuais e novos processos licitatórios.
Agora, segundo o governo, a execução entrou em uma fase considerada decisiva. As obras de pavimentação dos corredores exclusivos avançam em diferentes trechos da Avenida do CPA, Avenida da FEB e região central de Cuiabá, enquanto os terminais começam a sair do papel após a conclusão das etapas burocráticas de contratação.
Marcelo de Oliveira explicou que o governo dividiu o sistema em várias frentes simultâneas justamente para acelerar a conclusão da operação parcial do corredor prioritário. Além das pistas exclusivas, o Estado trabalha paralelamente na implantação das estações climatizadas, terminais de integração, sistemas inteligentes de controle operacional e aquisição dos ônibus que irão operar o modal.
O centro de controle do BRT será responsável pelo monitoramento em tempo real da operação, fiscalização do fluxo dos veículos, controle dos horários e integração tecnológica entre os terminais e estações. A estrutura é considerada essencial para garantir regularidade, segurança operacional e eficiência do sistema.
O corredor inicial considerado prioritário pelo governo liga o Terminal do CPA ao Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, passando pelos principais eixos urbanos da região metropolitana. A expectativa é que esse trecho concentre grande parte da demanda diária de passageiros e funcione como base operacional para futura expansão do sistema.
Mesmo com o avanço recente, o projeto ainda enfrenta críticas de comerciantes, motoristas e moradores afetados pelas intervenções urbanas ao longo das avenidas onde as obras seguem em andamento. Trechos interditados, lentidão no trânsito e alterações viárias continuam provocando reclamações, especialmente em regiões centrais de Cuiabá.
Apesar disso, o governo sustenta que a conclusão do BRT representará uma transformação histórica na mobilidade urbana da baixada cuiabana, reduzindo o tempo de deslocamento, ampliando a integração do transporte coletivo e oferecendo maior capacidade operacional para atender o crescimento populacional da região metropolitana.
A promessa agora é concluir aquilo que há mais de uma década se tornou uma das maiores cobranças da população mato-grossense: entregar um sistema de transporte coletivo moderno, funcional e definitivamente operacional entre Cuiabá e Várzea Grande.
VEJA :