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Por Nayara Cristina
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, já começou a articular junto aos poderes públicos e instituições instaladas na capital um plano de escalonamento de horários e flexibilização do expediente durante os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. A preocupação da Prefeitura é evitar um possível colapso na mobilidade urbana em meio ao grande volume de obras estruturantes que atualmente impactam os principais corredores viários da cidade.
Durante conversa com a imprensa nesta segunda-feira, Abílio afirmou que a gestão municipal já discute alternativas com órgãos públicos para reduzir o fluxo de veículos nos horários próximos às partidas do Brasil. Segundo ele, a ideia é construir um entendimento conjunto entre Prefeitura, Governo do Estado, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Ministério Público, órgãos federais e demais instituições para que a saída simultânea de milhares de trabalhadores não provoque um travamento ainda maior da cidade.
Ao comentar sobre a possibilidade de mudanças no funcionamento das escolas, o prefeito ponderou que o setor educacional possui uma dinâmica diferente e mais complexa, o que dificulta qualquer alteração imediata nos horários. “Nas escolas é diferente”, afirmou Abílio ao explicar que o sistema educacional envolve uma logística própria, calendário específico e impacto direto na rotina de alunos e famílias.
A preocupação do prefeito ocorre em um momento em que Cuiabá enfrenta uma das maiores frentes de obras urbanas dos últimos anos. Diversos pontos estratégicos da capital passam por intervenções simultâneas, alterando rotas tradicionais e reduzindo a capacidade de tráfego em avenidas fundamentais para o deslocamento diário da população.
Entre os locais mais afetados está a região da Prainha, onde as obras do novo sistema viário e de drenagem provocam interdições parciais, mudanças de fluxo e lentidão constante. O corredor é considerado um dos mais importantes da capital por conectar o centro histórico a bairros populosos e servir como eixo de ligação entre diferentes regiões da cidade.
Na região do Porto, as intervenções de infraestrutura e requalificação urbana também modificaram significativamente a circulação de veículos. O trecho concentra intenso movimento comercial e recebe diariamente milhares de motoristas vindos tanto da região central quanto de bairros periféricos. As alterações no trânsito e os desvios têm aumentado o tempo de deslocamento nos horários de pico.
Já na avenida Historiador Rubens de Mendonça, a CPA, considerada a principal artéria urbana de Cuiabá, as obras do sistema BRT continuam impactando diretamente o trânsito. Interdições de faixas, mudanças operacionais e estreitamento de pistas têm provocado congestionamentos frequentes ao longo do corredor, que corta praticamente toda a cidade e concentra órgãos públicos, centros comerciais, hospitais, escolas e sedes administrativas estaduais.
A situação se torna ainda mais delicada porque grande parte dos órgãos públicos e instituições estratégicas está justamente localizada ao longo da CPA e de vias conectadas ao corredor. Nos dias de jogos da Seleção, a saída antecipada simultânea de servidores e trabalhadores poderia ampliar drasticamente os gargalos já existentes, principalmente nos acessos ao Centro Político Administrativo e à região central da capital.
Segundo Abílio, o planejamento busca exatamente evitar esse efeito dominó. A proposta em discussão prevê horários alternados de expediente, liberações escalonadas e possíveis ajustes administrativos para distribuir melhor o fluxo de veículos ao longo do dia. A intenção é impedir que a combinação entre obras, movimentação de torcedores e encerramento simultâneo do expediente transforme Cuiabá em um grande congestionamento.
Nos bastidores da Prefeitura, a avaliação é de que a capital viverá um período extremamente sensível durante a Copa, especialmente porque muitas obras devem continuar em andamento em 2026. A gestão entende que, sem uma coordenação antecipada entre os poderes e instituições, o impacto sobre a população poderá atingir níveis críticos nos horários próximos às partidas da Seleção Brasileira.
Abílio ressaltou ainda que o objetivo não é apenas liberar servidores para acompanhar os jogos, mas criar uma logística urbana que preserve o funcionamento da cidade e reduza os transtornos para quem precisa circular por Cuiabá. A expectativa da administração municipal é construir um pacto institucional para que os dias de jogos não agravem ainda mais os problemas de mobilidade enfrentados atualmente pela população cuiabana.
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