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Por Nayara Cristina
A disputa pela eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novos contornos políticos após o prefeito Abilio Brunini anunciar publicamente que decidiu se afastar das articulações envolvendo a sucessão no comando do Legislativo da capital. Em meio à polêmica sobre mudanças no regimento interno e ao desgaste provocado dentro da própria base aliada, o prefeito afirmou que não pretende mais participar das negociações e indicou que parte dos vereadores estaria construindo um projeto político contrário à sua gestão.
A declaração foi dada após uma sequência de reuniões e movimentações internas que intensificaram a crise entre vereadores aliados e grupos independentes dentro da Câmara. Apesar de continuar declarando apoio à permanência da vereadora Paula Calil no comando da Casa, Abílio afirmou que não irá mais interferir no processo de escolha da futura composição da mesa diretora.
Segundo o prefeito, a decisão foi tomada após perceber que a disputa ultrapassou o campo administrativo e passou a envolver interesses políticos voltados ao enfraquecimento de sua administração. “Minha torcida continua sendo pela Paula, pelo grupo dela, mas eu não vou mais me envolver nisso. Pelo que eu percebi, estão construindo um projeto anti-Abílio dentro da Câmara”, afirmou.
A fala expõe o clima de tensão que se instalou entre o Executivo municipal e setores do Legislativo justamente no momento em que Cuiabá enfrenta debates importantes sobre orçamento, obras estruturantes, mobilidade urbana e reformas administrativas. Nos bastidores, vereadores discutem alternativas para a presidência da Câmara e possíveis composições envolvendo nomes considerados menos alinhados ao Palácio Alencastro.
Abílio também sinalizou que, caso a futura mesa diretora adote postura de enfrentamento contra a prefeitura, a responsabilidade política pelos impactos administrativos recairá sobre os próprios parlamentares. “Se escolherem um caminho que dificulte a gestão nos próximos dois anos, isso será responsabilidade dos vereadores. Eu vou continuar trabalhando e tocando a prefeitura”, declarou.
Questionado sobre uma possível composição envolvendo o vereador Hildon ou outros nomes de consenso com participação de sua base, o prefeito evitou aprofundar o assunto e reforçou o distanciamento das negociações. “Não sei como eles estão conversando. A decisão vai ficar por conta deles. Eu vou parar de me envolver com isso”, disse.
A crise em torno da mesa diretora ocorre em um cenário de divisão interna entre parlamentares e deve continuar movimentando os bastidores da política cuiabana nas próximas semanas. A disputa também é vista como um termômetro da relação entre a prefeitura e a Câmara para os próximos anos, especialmente diante das votações estratégicas que devem chegar ao plenário ainda neste segundo semestre.
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