HORROR EM SINOP

Laudo aponta que menina de 2 anos morreu asfixiada mecanicamente; criança estava desnutrida

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Laudo aponta que menina de 2 anos morreu asfixiada mecanicamente; criança  estava desnutrida

MORTE SOB INVESTIGAÇÃO

JB News

Por Emerson Teixeira

Laudo aponta que menina de 2 anos morreu asfixiada; criança estava desnutrida e já havia passado pela rede de proteção

Exame apontou constrição no pescoço, subnutrição e desidratação crônicas; pai foi preso e mãe adolescente responde por atos infracionais análogos a homicídio qualificado e maus-tratos

A morte de uma menina de apenas 2 anos em Sinop ganhou novos contornos após o laudo necroscópico apontar que a criança sofreu asfixia mecânica aguda provocada por constrição no pescoço. Além da causa da morte, os exames identificaram quadro crônico de subnutrição e desidratação.

A criança foi levada pelo pai, de 20 anos, à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) André Maggi, em Sinop, na manhã de domingo (20). Quando chegou à unidade, entretanto, já estava morta.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Sinop. Conforme informações atribuídas ao delegado Braulio Junqueira, o exame necroscópico constatou a asfixia por constrição no pescoço e revelou também que a menina enfrentava havia algum tempo um quadro de subnutrição e desidratação.

Profissionais da unidade de saúde também observaram sinais de desnutrição e condições inadequadas de higiene. Segundo as informações repassadas à Polícia Civil, a criança apresentava sinais clínicos indicando que a morte havia ocorrido pelo menos uma hora antes de sua chegada à UPA.

A ocorrência foi comunicada à Polícia Civil e o Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para os procedimentos periciais.

Aos investigadores, os pais relataram que a filha havia sido vista com vida durante a madrugada. Segundo a versão apresentada por eles, entre 5h e 6h perceberam que a menina não respondia. O pai levou a criança para atendimento por volta das 7h.

Um dos elementos que agora deverá ser aprofundado durante a investigação é o histórico anterior da menina. Conforme informações registradas no caso, ela havia passado recentemente por uma internação e já apresentava sinais de desnutrição naquela ocasião.

O Conselho Tutelar teria sido acionado durante esse atendimento anterior. A informação coloca sob análise também o histórico de acompanhamento da criança pela rede de proteção e quais providências foram adotadas depois da identificação do quadro de desnutrição.

Diante das condições encontradas na UPA e das informações inicialmente levantadas, os pais foram encaminhados à delegacia para prestar esclarecimentos.

O pai, de 20 anos, foi autuado em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado e maus-tratos contra menor de 14 anos. A mãe, por ter 17 anos, foi responsabilizada pela prática de atos infracionais análogos aos mesmos crimes.

A autuação inicial, contudo, não encerra a apuração sobre a responsabilidade individual de cada um. A Polícia Civil ainda trabalha para reconstruir a dinâmica da morte, determinar de que maneira ocorreu a constrição no pescoço da menina e esclarecer a participação atribuída a cada investigado.

Também deverá ser apurado o período em que a criança permaneceu em situação de subnutrição e desidratação e as circunstâncias dos cuidados que recebia dentro de casa.

O laudo necroscópico representa uma mudança importante na investigação. No atendimento inicial, a criança havia chegado à UPA em parada cardiorrespiratória e ainda não havia definição sobre a causa do óbito. Com o resultado pericial indicando asfixia mecânica por constrição no pescoço, a DHPP passa a concentrar a investigação na forma como a lesão foi produzida.

A Polícia Civil ainda não divulgou, até o momento, detalhes conclusivos sobre o instrumento ou mecanismo que provocou a constrição, nem esclareceu publicamente quem teria praticado diretamente a ação que resultou na asfixia.

As circunstâncias da morte e o histórico de cuidados dispensados à menina continuam sendo investigados pela Polícia Civil de Sinop.