ALERTA À DIREITA

Júlio Campos vê força de Lula, alerta para risco de derrota de Flávio e manda aliados tirarem o “salto alto”

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Júlio Campos vê força de Lula, alerta para risco de derrota de Flávio e manda aliados tirarem o “salto alto”

JB News

Por Nayara Cristina

Deputado afirma que o PT tem uma campanha forte, considera o segundo turno extremamente disputado e cobra união da centro-direita para evitar repetição da derrota de Jair Bolsonaro em 2022

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) fez um alerta às lideranças da centro-direita de Mato Grosso sobre os riscos de subestimar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo Palácio do Planalto. Em entrevista concedida na Assembleia Legislativa, na quarta-feira (14 de outubro), o parlamentar reconheceu a força eleitoral do PT, classificou a candidatura de Lula como perigosa para os adversários e afirmou que o excesso de confiança pode provocar uma derrota semelhante à sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Para Júlio Campos, o segundo turno, marcado para 25 de outubro, está longe de ser uma disputa definida. Mesmo diante da mobilização de governadores, prefeitos, deputados e outras lideranças em favor de Flávio Bolsonaro, ele considera que a campanha petista possui capacidade de crescimento na reta final e exige atenção permanente dos adversários.

“O PT tem um segmento muito forte na reta final, cresce bastante, consolida. É uma candidatura perigosa, que não pode descuidar”, afirmou.

O deputado demonstrou preocupação com o clima de confiança entre apoiadores de Flávio Bolsonaro, especialmente em Mato Grosso, onde a centro-direita trabalha para ampliar a votação obtida pelo candidato no primeiro turno.

“Tem muita gente de salto alto, mas eu quero cortar o salto, senão pode dar o que deu há quatro anos atrás”, advertiu, em referência à eleição presidencial de 2022, quando Jair Bolsonaro foi derrotado por Lula no segundo turno.

A avaliação de Júlio Campos ocorre em um momento de intensificação da disputa presidencial, com as campanhas buscando conquistar eleitores indecisos, ampliar alianças políticas e mobilizar aqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.

O parlamentar destacou que a diferença entre os dois candidatos é pequena e que nenhum dos lados possui margem para considerar a eleição antecipadamente resolvida.

“Não tem nenhuma tranquilidade”, resumiu, ao comentar o cenário eleitoral e a possibilidade de mudanças na preferência dos eleitores durante os últimos dias de campanha.

Júlio Campos também defendeu uma mudança de postura política entre os aliados de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a mobilização precisa ultrapassar os limites do bolsonarismo e incorporar todas as forças de centro-direita dispostas a apoiar o candidato do PL.

O posicionamento foi apresentado durante a inauguração da Casa 22, realizada na terça-feira (13), em Cuiabá. O espaço foi instalado no antigo comitê de campanha do governador eleito Otaviano Pivetta (Republicanos), conhecido como Casa 10, e passou a funcionar como ponto de articulação da candidatura presidencial em Mato Grosso.

“Na inauguração da Casa 22, fizemos um pronunciamento recomendando aos prefeitos, aos vereadores, a todos nós de centro-direita, que agora acabou o bolsonarismo. Agora é centro-direita, tem que se unir em torno do Flávio Bolsonaro, que foi o único candidato nosso que foi para o segundo turno”, declarou.

A fala evidencia a tentativa do parlamentar de ampliar a base de apoio ao candidato do PL, reunindo lideranças que participaram de diferentes projetos políticos durante o primeiro turno.

Entre as principais preocupações apresentadas por Júlio Campos está a abstenção eleitoral. Segundo ele, aproximadamente 22% dos eleitores de Mato Grosso deixaram de comparecer às urnas na primeira votação, percentual que considera elevado diante de uma eleição presidencial apertada.

O deputado defendeu uma mobilização nos municípios para estimular o comparecimento dos eleitores, especialmente daqueles que vivem em regiões distantes dos centros urbanos.

Como exemplo, relatou uma situação envolvendo trabalhadores de sua propriedade rural no Pantanal.

“Eu sou fazendeiro, tenho sete funcionários na minha fazenda lá no Pantanal. No primeiro turno, eles não foram votar. Neste segundo turno, já agilizei um barco para, na véspera da eleição, levá-los a Poconé”, afirmou.

Júlio Campos acrescentou que recomendou aos funcionários o voto em Flávio Bolsonaro. A declaração foi apresentada pelo parlamentar como exemplo de sua atuação na mobilização eleitoral.

A orientação de voto feita por um empregador a seus trabalhadores, entretanto, exige respeito à liberdade de escolha de cada eleitor, sem imposição ou constrangimento.

O deputado também apresentou metas para o desempenho de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso. Segundo ele, a articulação da centro-direita pretende ampliar o percentual de votos do candidato, passando de aproximadamente 65% para patamares entre 70% e 75%.

Júlio Campos avaliou que uma votação mais expressiva no estado poderia representar centenas de milhares de votos adicionais na disputa nacional. Os percentuais e a estimativa de aproximadamente 500 mil votos extras foram apresentados como objetivos políticos do parlamentar, e não como projeções confirmadas por pesquisas eleitorais.

Para ele, a mobilização dos últimos dias será decisiva para a estratégia da campanha, especialmente diante da capacidade de organização do PT e da possibilidade de crescimento de Lula.

Apesar do alerta sobre os riscos eleitorais, Júlio Campos reafirmou seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e lembrou a campanha presidencial de 2018, quando Jair Bolsonaro venceu a eleição.

O parlamentar contou que voltou a utilizar uma camisa associada à campanha daquele ano, atribuindo à peça um significado simbólico para a atual disputa.

Durante a entrevista, também manifestou desconfiança em relação às urnas eletrônicas e fez referência ao resultado de 2022. As declarações representam uma opinião pessoal do deputado e não constituem evidência de fraude ou irregularidade no sistema eletrônico de votação.

Outro assunto abordado foi a proposta de mudança na jornada de trabalho conhecida como fim da escala 6 por 1, que passou a ocupar espaço relevante no debate presidencial.

Questionado sobre o tema, Júlio Campos declarou apoio à aprovação da medida.

“Eu acho que tem que aprovar o 6 por 1, sem dúvida alguma”, afirmou, referindo-se à proposta de alteração da jornada de trabalho.

Ele citou o irmão, senador Jaime Campos (União Brasil), como um dos parlamentares que já haviam manifestado posicionamento favorável à mudança, além de mencionar o senador Carlos Fávaro.

A manifestação chama a atenção porque a discussão sobre a escala de trabalho também se tornou um ponto de divergência e reposicionamento entre as campanhas presidenciais, diante do impacto da proposta sobre trabalhadores e empregadores.

Mesmo defendendo Flávio Bolsonaro, Júlio Campos reconheceu a necessidade de avaliar pautas de forte repercussão social e de evitar que a disputa eleitoral seja conduzida apenas pela confiança na força das alianças políticas.

O recado mais contundente do deputado, porém, foi dirigido aos próprios aliados: a eleição presidencial continua aberta, Lula possui uma estrutura partidária forte e o resultado dependerá da capacidade de mobilização dos dois lados até o encerramento da votação.

Ao recordar a derrota de Jair Bolsonaro em 2022, Júlio Campos procurou demonstrar que a vantagem política percebida por determinados grupos não significa vitória garantida.

Para o parlamentar, o principal risco da centro-direita nesta reta final não está apenas na força da campanha adversária, mas também na possibilidade de seus próprios apoiadores subestimarem a capacidade de reação eleitoral do PT.

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