1,5 BILHÕES

Governo e Energisa assinam acordo para expansão trifásica de energia e destravar nova era industrial em MT

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Governo e Energisa assinam acordo para expansão trifásica de energia e destravar nova era industrial em MT

JB News

Por José Teixeira

O Governo de Mato Grosso e a concessionária Energisa oficializam nesta semana um dos maiores programas de infraestrutura energética já planejados para o estado, com investimentos de R$ 1,5 bilhão destinados à expansão da rede trifásica e à modernização do sistema elétrico mato-grossense. O projeto é tratado internamente pelo Palácio Paiaguás como estratégico para destravar uma nova fase de industrialização, ampliar a competitividade do agronegócio e reduzir gargalos históricos que travam o desenvolvimento econômico em diversas regiões do estado.


A parceria será assinada pelo governador Otaviano Pivetta e pela diretoria da Energisa Mato Grosso, consolidando um pacote de investimentos que prevê ampliação da distribuição elétrica entre 2026 e 2030, atingindo assentamentos rurais, comunidades isoladas, distritos industriais, pequenas propriedades, agroindústrias e regiões consideradas críticas para o crescimento econômico do estado.


O plano surge em meio às constantes reclamações sobre a precariedade energética em Mato Grosso, principalmente no interior e em áreas de expansão econômica. Produtores rurais, empresários e moradores convivem há anos com oscilações, interrupções frequentes no fornecimento e limitações estruturais que dificultam a instalação de indústrias e novos empreendimentos. Em muitos municípios, empresários afirmam que deixam de investir justamente pela incapacidade da rede elétrica suportar operações industriais de maior porte.


A situação é considerada ainda mais sensível na Baixada Cuiabana. Apesar da proximidade com a capital, a região enfrenta dificuldades históricas para atrair grandes plantas industriais por conta das limitações energéticas e da baixa capacidade estrutural da distribuição elétrica. Técnicos do setor avaliam que o fortalecimento do sistema trifásico pode mudar esse cenário e abrir espaço para uma nova fase de industrialização no entorno de Cuiabá e Várzea Grande.


Outro ponto tratado como prioridade pelo governo é o Pantanal mato-grossense. A deficiência energética em regiões pantaneiras é apontada há décadas como um dos entraves para o fortalecimento do turismo, da hotelaria e de empreendimentos ligados ao ecoturismo. Em muitas áreas, pousadas, fazendas e estruturas turísticas operam com limitações técnicas, dependência de geradores e dificuldades para ampliação de serviços justamente pela ausência de uma rede elétrica robusta. A expectativa é de que parte do programa contemple a expansão da infraestrutura energética para regiões historicamente isoladas.


Ainda nos primeiros meses à frente do governo estadual, Otaviano Pivetta revelou que havia iniciado discussões técnicas com a Energisa para enfrentar os gargalos energéticos do estado. Na ocasião, o governador afirmou que Mato Grosso precisava preparar sua infraestrutura elétrica para acompanhar o crescimento econômico acelerado registrado nos últimos anos, especialmente diante da expansão do agronegócio, da agroindustrialização e da chegada de novos investimentos privados.


O programa também ganha força após a renovação da concessão da Energisa por mais 30 anos em Mato Grosso, autorizada pelo Governo Federal. O novo contrato prevê metas mais rígidas de modernização, ampliação da capacidade de distribuição e melhoria da qualidade dos serviços prestados à população.


Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a expansão da energia trifásica poderá provocar uma transformação estrutural no interior mato-grossense, permitindo desde a instalação de pequenas agroindústrias até a chegada de grandes empreendimentos industriais em regiões que hoje enfrentam limitações severas de infraestrutura. O entendimento é de que o fortalecimento energético passa a ser tratado como uma das bases da nova política de desenvolvimento econômico do estado.


Além da ampliação da rede, o projeto prevê reforço em subestações, construção de novos trechos de distribuição e modernização tecnológica do sistema elétrico, numa tentativa de reduzir interrupções frequentes e ampliar a estabilidade energética em regiões urbanas e rurais. A expectativa do governo é de que o programa se torne um marco para o avanço industrial de Mato Grosso e consolide o estado não apenas como potência agrícola, mas também como um novo polo de industrialização do Centro-Oeste brasileiro.