CORRUPÇÃO

Gaeco mira vereadores de VG em operação que investiga compra de votos e suposta propina na Câmara

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Gaeco mira vereadores de VG em operação que investiga compra de votos e suposta propina na Câmara

JBNews

Por Nayara Cristina

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), deflagrou na manhã desta terça-feira (20 de outubro) uma operação contra vereadores e integrantes da administração da Câmara Municipal de Várzea Grande. A investigação apura suspeitas de corrupção, compra de votos parlamentares e pagamento de vantagens indevidas durante as articulações para a eleição da Mesa Diretora do Legislativo.

Segundo informações preliminares divulgadas pela imprensa, 13 vereadores de Várzea Grande estariam entre os investigados. Há relatos de cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, incluindo diligências em residências de parlamentares e servidores da Câmara. Os agentes também recolhem aparelhos celulares e outros materiais que poderão contribuir para esclarecer as suspeitas.

O principal foco da investigação é a eleição realizada em 14 de maio de 2026, quando o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), foi reconduzido ao comando do Legislativo para o biênio 2027/2028. Na ocasião, sua chapa venceu a disputa contra o vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL) por uma diferença de apenas um voto, obtendo 12 votos contra 11.

Entre os endereços que receberam equipes policiais está a residência da mãe de Wanderley Cerqueira, localizada no bairro Ipase. O próprio presidente confirmou a presença dos agentes no imóvel.

Também foram relatadas buscas relacionadas à vereadora Gisa Barros e à diretora financeira da Câmara, Lorineide Inhan, conhecida como Lori. O secretário Legislativo Samir Katumata e o vereador Rogerinho Dakar também foram mencionados nas informações iniciais sobre os alvos da investigação.

O procedimento foi aberto em maio pelo Gaeco, sob coordenação do promotor de Justiça Adriano Roberto Alves, depois que denúncias apontaram possíveis irregularidades nas articulações políticas para garantir a reeleição de Wanderley.

Uma das denúncias encaminhadas ao Ministério Público sustenta que vereadores teriam permanecido reunidos em uma chácara no distrito da Guia, nos dias anteriores à votação, supostamente sob vigilância de seguranças armados. A acusação aponta que dinheiro teria sido oferecido para assegurar votos à chapa vencedora.

As informações fazem parte de uma investigação que tramita sob sigilo e ainda precisam ser comprovadas. Entre as possíveis infrações examinadas estão corrupção, ameaça, extorsão, chantagem e cárcere privado.

Outra linha de apuração envolve a existência de um suposto acordo relacionado à privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande, que poderia incluir pagamento de vantagens indevidas. Os investigadores procuram esclarecer se houve negociações ilícitas envolvendo decisões políticas e administrativas do município.

A eleição que deu origem à investigação também provocou uma disputa judicial. No dia 21 de maio, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a votação após acolher uma reclamação apresentada pelo vereador Bruno Rios (PL).

O entendimento foi de que a eleição da Mesa Diretora havia sido antecipada irregularmente, contrariando os limites estabelecidos pelo Supremo para a escolha das direções dos legislativos municipais.

Mesmo após a anulação, a disputa política continuou. Neste mês de outubro, 15 dos 23 vereadores de Várzea Grande assinaram um requerimento solicitando a realização de uma sessão extraordinária para escolher a nova Mesa Diretora.

Como a votação não foi convocada, parlamentares recorreram à Justiça. No dia 7 de outubro, o juiz Carlos Roberto Barros de Campos, da 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, determinou que o presidente da Câmara apresentasse esclarecimentos antes da análise do pedido.

A operação desta terça-feira representa uma nova etapa da investigação sobre os bastidores da disputa pelo comando do Legislativo municipal. O material apreendido deverá ser analisado para identificar eventuais pagamentos, negociações ilegais e a participação individual dos investigados.

Até a divulgação das primeiras informações, o Ministério Público não havia apresentado uma relação oficial completa dos alvos, nem confirmado a existência de prisões.

Os envolvidos têm direito à presunção de inocência, e as suspeitas deverão ser esclarecidas durante as investigações.