JBNews
Por Nayara Cristina
FURTO MILIONÁRIO SOB INVESTIGAÇÃO
Polícia descobre esquema suspeito de desvio de dez cargas de soja com participação de funcionários de fazenda em MT
Operação Fantasma mira investigados em Sapezal, Rondonópolis e Sinop; cinco prisões preventivas foram determinadas e caminhões entraram na mira da Justiça
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quinta-feira, 15 de outubro, a Operação Fantasma para desarticular um grupo investigado por furtos de cargas de soja de uma propriedade rural no município de Sapezal, a aproximadamente 480 quilômetros de Cuiabá. A investigação aponta que pelo menos dez carregamentos irregulares foram realizados entre janeiro e agosto de 2026, com suspeita de participação de funcionários da fazenda e pessoas ligadas ao transporte da produção agrícola.
A ofensiva foi coordenada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), após uma investigação que identificou movimentações suspeitas de caminhões e possíveis irregularidades nos procedimentos internos de controle da propriedade.
O Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Tangará da Serra, autorizou cinco mandados de prisão preventiva, cinco mandados de busca e apreensão e medidas para apreender cinco conjuntos veiculares utilizados no transporte de cargas, incluindo caminhões-tratores, reboques e semirreboques.
As ordens judiciais tiveram como alvo endereços situados nos municípios de Sapezal, Rondonópolis e Sinop.
Segundo a Polícia Civil, os veículos envolvidos entravam na fazenda, recebiam carregamentos de soja e deixavam a propriedade sem cumprir procedimentos habituais de pesagem, documentação e liberação das mercadorias.
A apuração aponta possível atuação coordenada entre pessoas que desempenhavam diferentes funções dentro e fora da propriedade rural. A dinâmica sob investigação inclui controle de acesso, classificação e pesagem de grãos, carregamento de caminhões e autorização de saída dos veículos.
Para identificar a movimentação suspeita, os investigadores analisaram imagens de videomonitoramento, registros de áudio da guarita, leituras automatizadas de placas, documentos operacionais, jornadas de trabalho e controles de entrada e saída.
O cruzamento desses dados permitiu identificar a repetição de procedimentos considerados irregulares e a utilização recorrente de determinados veículos.
Um dos episódios mais relevantes ocorreu em 14 de agosto de 2026, quando os policiais acompanharam o deslocamento de uma carga de soja retirada da fazenda e conseguiram localizá-la em Rondonópolis.
A mercadoria foi apreendida e posteriormente devolvida à empresa prejudicada. O episódio ajudou os investigadores a identificar pessoas suspeitas de participação na movimentação irregular dos grãos.
As investigações também apontaram possíveis comunicações entre os envolvidos sobre agendamento de caminhões, autorização de entrada, carregamentos e saída de veículos. Foram encontradas ainda referências a pagamentos e à possível tentativa de apagar conversas.
A suspeita de envolvimento de pessoas com acesso às rotinas internas da propriedade é considerada um dos pontos centrais da apuração, já que o esquema investigado dependia da movimentação de grandes quantidades de soja sem a regularização documental correspondente.
Apesar da identificação de dez episódios suspeitos, a Polícia Civil não apresentou um cálculo definitivo do volume de grãos desviados nem do prejuízo financeiro total.
Os nomes dos cinco investigados que tiveram prisões preventivas decretadas também não foram divulgados no comunicado inicial. A polícia não apresentou, naquele balanço, a confirmação individualizada de cumprimento de cada ordem de prisão.
Os materiais e documentos recolhidos durante a operação deverão ser analisados para esclarecer a participação de cada suspeito e identificar o destino das cargas ainda não recuperadas.
A investigação continua para determinar se outras pessoas participaram do esquema e dimensionar os danos provocados à atividade agrícola.