JB News
Por redação
Investigado é ligado a tráfico de drogas, “Novo Cangaço”, plano de fuga na PCE e esquema de raspadinhas ilegais
Um homem apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças de uma facção criminosa que atua em Mato Grosso foi localizado e preso nesta quinta-feira (3), em Assunção, capital do Paraguai. Foragido da Justiça mato-grossense, ele foi encontrado utilizando documentação falsa para tentar esconder a verdadeira identidade e dificultar o trabalho das autoridades.
A captura ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva e mobilizou forças de segurança de três países. Participaram da ação a Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência de Polinter e Capturas (Gepol), a Polícia Nacional do Paraguai e a Drug Enforcement Administration (DEA), agência antidrogas dos Estados Unidos.
O preso é investigado na Operação Raspa Brasil e, conforme os levantamentos policiais, ocupava posição de destaque na estrutura da organização criminosa. Ele teria participação em diferentes frentes ilícitas, entre elas tráfico de drogas, administração financeira da facção, exploração de jogos ilegais, uso de documentos falsificados, tentativa de resgate de presos e roubo a instituição financeira.
A utilização de identidade falsa já havia sido identificada anteriormente. Em fevereiro de 2023, o investigado foi localizado em Pontes e Lacerda, a 483 quilômetros de Cuiabá, portando um documento público falsificado. Mesmo depois desse episódio, ele teria continuado se movimentando clandestinamente e adotando identidades diferentes para escapar do cumprimento das ordens judiciais.
Um dos fatos de maior gravidade ligados ao investigado ocorreu em outubro de 2025, quando equipes da GCCO/Draco chegaram a uma chácara vinculada a ele. Na propriedade, os policiais apreenderam quase duas toneladas de maconha. Quatro pessoas encontradas no local foram presas durante a operação.
O foragido também é suspeito de participação em um assalto contra uma instituição financeira praticado na modalidade conhecida como “Novo Cangaço”. Nesse tipo de ação, criminosos fortemente armados atacam cidades, utilizam violência e fazem reféns para dificultar a reação das forças de segurança.
Outro episódio atribuído ao investigado envolve um audacioso plano para retirar integrantes da facção da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Em 2022, ele foi citado nas investigações sobre a construção de um túnel de aproximadamente 257 metros, escavado a partir de uma residência em direção à unidade prisional.
Segundo a investigação, a passagem subterrânea seria utilizada para resgatar criminosos que estavam presos na PCE. O plano foi descoberto antes que a fuga fosse concretizada e passou a integrar o conjunto de apurações sobre a estrutura logística e operacional da facção.
As investigações também apontam que o homem exercia papel central na administração do esquema denominado “Raspa Brasil Nacional”, ligado à distribuição e exploração clandestina de cartelas de raspadinha. Ele seria o coordenador da atividade em Mato Grosso e participaria da definição das diretrizes financeiras, do controle dos valores arrecadados e da expansão do negócio ilegal pelo estado.
Durante o monitoramento, os policiais registraram o investigado transportando banners e materiais de divulgação das raspadinhas. A análise de aparelhos celulares também revelou videochamadas e comunicações mantidas com outros integrantes responsáveis pelo funcionamento do esquema.
Ainda conforme os levantamentos, o suspeito exigia planilhas detalhadas contendo os estabelecimentos comerciais participantes, a quantidade de bilhetes distribuídos, os valores arrecadados e os percentuais que deveriam ser repassados à organização. Quando as determinações não eram cumpridas, a orientação seria acionar o setor conhecido como “disciplina” da facção, responsável pela aplicação de punições internas.
Depois de deixar Mato Grosso, o foragido teria permanecido por determinado período no Rio de Janeiro, onde continuou mantendo contato com outros integrantes da organização criminosa. Posteriormente, as equipes descobriram que ele havia deixado o Brasil e concentraram as diligências no Paraguai.
Mesmo procurado pela Justiça, o investigado permaneceu ativo nas redes sociais usando identidades falsas. Em fevereiro de 2026, publicou imagens feitas no Rio de Janeiro ao lado de uma mulher contra a qual existiam cinco mandados de prisão. Em outra postagem analisada pelos investigadores, ele apareceu com uma arma de fogo com características semelhantes às de um fuzil.

Outras publicações mostravam atividades físicas, visitas a bares e momentos da rotina do foragido. Esses registros contribuíram para que os investigadores acompanhassem sua movimentação e reunissem informações sobre os locais por onde ele havia passado antes de ser encontrado em Assunção.
O homem também apresentou, em processos judiciais, laudos e alegações relacionados a uma suposta incapacidade mental. A GCCO/Draco, entretanto, identificou comportamentos que, em tese, seriam incompatíveis com um quadro de incapacidade total.
Durante o período em que esteve foragido, ele teria participado de videochamadas, transmitido determinações e feito cobranças a outros integrantes da facção. Diante dessas informações, os elementos reunidos foram encaminhados às autoridades competentes para subsidiar um pedido de revisão dos laudos apresentados nos processos.
Com a prisão em Assunção, Brasil e Paraguai deverão adotar os procedimentos de cooperação internacional necessários para garantir o cumprimento das ordens judiciais expedidas contra o investigado e viabilizar sua transferência para o sistema prisional brasileiro. As circunstâncias da captura e o histórico atribuído ao foragido foram confirmados em informações divulgadas sobre a Operação Raspa Brasil.