CEMITÉRIO DE OBRAS
JBNews
por José Teixeira
O senador Flávio Bolsonaro (PL) abriu o debate presidencial da TV Globo, realizado na noite desta sexta-feira (23 de outubro), com uma cobrança sobre o andamento das obras públicas no Brasil. Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato afirmou que o país possui mais de 11,5 mil empreendimentos paralisados e acusou o governo de não conseguir concluir projetos essenciais para a infraestrutura nacional.
“O Brasil voltou a ser um grande cemitério de obras”, declarou Flávio, ao mencionar levantamento atribuído ao Tribunal de Contas da União (TCU).
O senador apresentou uma comparação entre diferentes administrações. Segundo ele, o governo de Jair Bolsonaro recebeu aproximadamente 14 mil obras inacabadas e encerrou sua gestão com cerca de 8 mil. Flávio sustentou que a quantidade atual voltou a crescer.
Os números apresentados pelo candidato dependem de comparação metodológica, porque levantamentos de obras públicas podem utilizar critérios diferentes para classificar empreendimentos paralisados, inacabados ou com atrasos.
Ao questionar o governo, Flávio procurou associar a paralisação de projetos ao desperdício de recursos públicos e à dificuldade de entregar serviços e estruturas prometidos à população.
O candidato também apresentou propostas para ampliar a infraestrutura logística brasileira. Entre elas, destacou a expansão da malha ferroviária, a conclusão da Ferrovia Transnordestina e a integração de corredores de transporte entre diferentes regiões do país.
“Vamos rasgar esse Brasil de ferrovias”, prometeu.
Flávio defendeu ainda a ampliação de concessões de rodovias e portos, argumentando que a participação do setor privado pode acelerar investimentos e melhorar as condições de transporte.
Outra promessa foi estabelecer gratuidade de pedágio para motociclistas nas novas concessões rodoviárias federais.
Lula respondeu afirmando que herdou aproximadamente 6 mil obras paralisadas e que sua administração retomou investimentos em infraestrutura.
O presidente citou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com previsão de R$ 1,7 trilhão em investimentos. Segundo os números apresentados por Lula durante o debate, quase R$ 800 bilhões já teriam sido executados.
A divergência colocou em discussão não apenas o volume de recursos anunciado, mas também a capacidade de transformar investimentos em obras efetivamente concluídas.
Para Mato Grosso, a discussão possui relevância especial devido à dependência do transporte rodoviário para o escoamento de grãos, carne e outros produtos destinados ao mercado interno e à exportação.
Ferrovias, rodovias e terminais logísticos influenciam diretamente o custo do frete, a competitividade do agronegócio e a atração de novos investimentos.
O debate terminou sem consenso sobre o balanço das obras públicas. Enquanto Flávio insistiu no número de empreendimentos paralisados, Lula defendeu a dimensão dos investimentos realizados por seu governo.
A comparação definitiva dos resultados depende de verificar os relatórios oficiais, os períodos considerados e a situação de cada projeto mencionado.