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Por José Teixeira
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) procurou afastar o temor de cortes em programas sociais e benefícios previdenciários durante o debate da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23 de outubro). Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador prometeu preservar o Bolsa Família e garantir reajustes acima da inflação para aposentadorias, em uma tentativa de conquistar eleitores que dependem dessas políticas.
O confronto ocorreu a dois dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25), e colocou em discussão o futuro das transferências de renda e a proteção financeira de aposentados.
Flávio defendeu a continuidade do Bolsa Família e procurou associar o aumento do benefício ao governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador lembrou que o Auxílio Brasil, programa que substituiu temporariamente o Bolsa Família, chegou ao valor mínimo de R$ 600 mensais em agosto de 2022.
A afirmação, entretanto, exige uma ressalva. O aumento foi autorizado por uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso Nacional e tinha vigência inicialmente prevista até dezembro daquele ano. A proposta orçamentária encaminhada pelo governo Bolsonaro para 2023 não assegurava a manutenção permanente do piso de R$ 600.
A continuidade do benefício nesse patamar tornou-se um dos temas centrais da transição entre os governos Bolsonaro e Lula.
No debate, Flávio também prometeu reajustar aposentadorias acima da inflação, incluindo os benefícios rurais. O candidato defendeu a utilização de ferramentas tecnológicas para facilitar o acesso aos direitos previdenciários.
A proposta ganhou destaque quando Lula questionou o adversário sobre sua política para os aposentados e estabeleceu comparações com a orientação econômica do presidente argentino Javier Milei.
Flávio reagiu procurando assegurar que não pretende retirar direitos ou reduzir a proteção dos beneficiários.
A promessa de reajustes reais, no entanto, apresenta um desafio fiscal importante. Como a Previdência Social representa uma parcela expressiva das despesas públicas, qualquer ampliação permanente de benefícios precisa ser acompanhada de projeções sobre seu financiamento.
O debate também evidenciou a importância dos programas de transferência de renda para municípios do interior brasileiro, onde pagamentos previdenciários e benefícios assistenciais contribuem para movimentar o comércio local.
Em Mato Grosso, essa realidade é particularmente relevante para pequenos municípios, comunidades rurais e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Ao assumir compromissos com o Bolsa Família e as aposentadorias, Flávio buscou ampliar sua presença entre eleitores que tradicionalmente associam essas políticas ao presidente Lula.
A disputa, porém, vai além das declarações de campanha. A execução das promessas dependerá das regras previdenciárias, das condições orçamentárias e das decisões do próximo governo e do Congresso Nacional.