OPERAÇÃO JANUS

Facção usava cestas básicas para lavar dinheiro e empresa de VG movimentou R$ 13,2 milhões, aponta Polícia

· 3 min de leitura
Facção usava cestas básicas para lavar dinheiro e empresa de VG movimentou R$ 13,2 milhões, aponta Polícia

DINHEIRO DA FACÇÃO

JB News

Por Emerson Teixeira

Operação Janus cumpre 14 ordens em MT e Goiás; investigação identificou movimentações milionárias e suspeita que distribuição de alimentos também era usada para ampliar influência territorial do grupo criminoso

Uma estrutura empresarial aparentemente voltada à comercialização e distribuição de alimentos passou a ser investigada pela Polícia Civil de Mato Grosso sob a suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma organização criminosa.

A apuração resultou na Operação Janus, deflagrada nesta quarta-feira (23) pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

Ao todo, foram expedidas 14 ordens judiciais contra os investigados, entre elas 11 mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro de bens móveis e imóveis relacionados à investigação.

As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, em Mato Grosso, e também em Goiânia, capital de Goiás. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Cuiabá.

A investigação concentra-se na suspeita de utilização de empresas do setor alimentício e da própria compra e distribuição de cestas básicas para conferir aparência lícita a dinheiro proveniente de atividades criminosas.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores está em Várzea Grande. Uma empresa do ramo de alimentos teria movimentado aproximadamente R$ 13,2 milhões em quatro anos, apesar de, segundo a investigação, não possuir estrutura física compatível com o volume financeiro registrado.

Outro braço investigado apresenta movimentação ainda mais expressiva. Conforme informações divulgadas a partir da investigação da Polícia Civil, uma das investigadas teria movimentado mais de R$ 36 milhões em contas bancárias.

As movimentações financeiras passaram a integrar a análise dos investigadores para identificar a origem e o destino dos recursos, as pessoas que efetivamente controlavam as operações e a eventual utilização das empresas para ocultar patrimônio e valores provenientes de crimes.

A investigação não trata as cestas básicas apenas como mercadorias inseridas em operações comerciais.

A Polícia Civil apura se a distribuição dos alimentos cumpria uma segunda função dentro da estrutura da organização criminosa: fortalecer a presença territorial do grupo e criar vínculos com integrantes, simpatizantes e pessoas situadas em áreas de interesse da facção.

Dessa forma, a estratégia investigada reuniria dois objetivos. De um lado, a circulação de recursos por empresas formalmente constituídas poderia ser utilizada para conferir aparência de legalidade ao dinheiro. De outro, a distribuição dos produtos serviria como instrumento para ampliar a influência social e territorial da organização.

Os investigados são apurados pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As medidas patrimoniais determinadas pela Justiça têm como finalidade impedir a dissipação de bens que eventualmente tenham sido adquiridos com recursos provenientes das atividades investigadas. O material recolhido durante as buscas, incluindo documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros, deverá ser analisado pela Polícia Civil.

A partir dessa documentação, os investigadores poderão reconstruir as operações financeiras, identificar beneficiários, fornecedores, empresas relacionadas e possíveis novos integrantes da estrutura.

A Operação Janus amplia uma frente de investigação que busca atingir não apenas integrantes responsáveis diretamente pela prática dos crimes, mas também os mecanismos financeiros utilizados para movimentar, ocultar e reinserir recursos ilícitos na economia formal.

As investigações continuam sob responsabilidade das unidades especializadas da Polícia Civil de Mato Grosso.