MODELO DE GESTÃO
JB News
Por Nayara Cristina
Governador afirma que Estado pretende se especializar na contratação e fiscalização de serviços e defende diferentes modelos para administrar hospitais públicos
O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (22) que o Estado pretende avançar na contratualização de serviços na área da Saúde e indicou que a realização de novos concursos públicos dependerá da necessidade identificada pela administração estadual.
A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), em Cuiabá, com candidatos ao Governo do Estado. O encontro foi organizado em conjunto pelo CRM-MT, Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat), Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed) e Associação Mato-grossense de Análises Clínicas (Amac).
Questionado sobre os resultados alcançados pela administração estadual na Saúde e os desafios para os próximos anos, Pivetta afirmou que o governo iniciou, ainda em 2019, um processo para ampliar a capacidade de atendimento de média e alta complexidade em Mato Grosso.
“Nós chegamos em 2019 para fazer a saúde funcionar. Construímos hospitais, contratamos muitos serviços e a saúde no Estado de Mato Grosso está começando a funcionar no ritmo que nós gostaríamos que tivesse sido possível fazer lá em 2019”, declarou.
Segundo Pivetta, uma das dificuldades encontradas no início da administração foi a ausência de estrutura suficiente para atendimentos de maior complexidade. O governador afirmou que a estratégia adotada passou pela construção de hospitais, aquisição de equipamentos e ampliação da contratação de serviços.
“Não tinha nem infraestrutura para a saúde de alta complexidade. Hoje nós temos um Estado que já tem bons hospitais, estamos terminando outros bons hospitais no interior e Mato Grosso terá, em todas as regiões, um bom hospital equipado com equipamentos de última geração, com bons médicos, com boas tecnologias para cuidar dos nossos mato-grossenses”, disse.
Durante a sabatina, Pivetta também foi questionado sobre compromissos apresentados à categoria médica. Ele respondeu que sua prioridade será, segundo afirmou, a defesa do interesse público e a manutenção do diálogo com entidades representativas do setor.
“Eu assumi o compromisso de defender o interesse público, primeiro, acima de tudo, ouvir os setores organizados. O CRM é um setor que tem de nós toda a atenção sempre que solicitado. Vamos continuar ouvindo”, afirmou.
Um dos principais pontos da manifestação do governador foi o modelo pretendido para a prestação dos serviços de saúde. Pivetta afirmou que o Estado vem aumentando a utilização de contratos para adquirir serviços e que a tendência é ampliar essa estratégia.
“O Estado cada vez mais se especializa em contratos, em comprar serviços na área de saúde, em todas as complexidades”, declarou.
Ao ser perguntado diretamente se a ampliação desse modelo significaria a ausência de concursos públicos na Saúde, Pivetta respondeu que novas seleções poderão ocorrer caso sejam consideradas necessárias.
“O Estado vai contratualizar. Nós estamos comprando e a tendência é cada vez mais o Estado se especializar em fazer contratos. Porque nós podemos fazer os contratos, ter métricas transparentes, claras, para auditar, para medir e pagar”, afirmou.
Em seguida, diante da pergunta sobre a realização de concurso público, acrescentou: “Se necessário haverá concurso público. Nós vamos, ao longo do tempo, analisando a situação. Nesse momento nós estamos contratualizando”.
Pivetta defendeu que o papel do Governo do Estado seja concentrado na capacidade de prover, contratar, fiscalizar e medir a prestação dos serviços, especialmente na alta complexidade.
“É isso que o Estado tem que ser: um grande provedor de serviços de alta complexidade. O nosso Estado de Mato Grosso está nesse caminho, se preparando para isso”, afirmou.
Como exemplo do modelo, o governador mencionou o Hospital Central de Alta Complexidade, em Cuiabá, cuja gestão foi contratada junto à Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein. O contrato entre o Governo de Mato Grosso e o Einstein foi formalizado em abril de 2025 para administração da unidade, destinada integralmente aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Pivetta também citou o modelo adotado no Hospital Regional de Sinop, envolvendo a participação de municípios por meio de consórcio intermunicipal. Segundo ele, a utilização de diferentes formatos permite ampliar mecanismos de fiscalização e controle sobre os serviços prestados.
“Temos diversos modelos de gestão e, pelo que tudo indica, estamos no caminho certo”, declarou.
O governador afirmou ainda que os modelos adotados devem ser acompanhados pelos mecanismos de controle social existentes no SUS, incluindo os conselhos municipais e o Conselho Estadual de Saúde.
“Ouvimos os conselhos municipais de saúde de todos os municípios. Temos nosso Conselho Estadual de Saúde e estamos sempre ouvindo bastante, falando pouco e fazendo bastante”, completou.
A sabatina desta terça-feira colocou a Saúde no centro das discussões com os candidatos ao Palácio Paiaguás. Entre os assuntos definidos pelas entidades organizadoras estavam financiamento e gestão do SUS, infraestrutura hospitalar, valorização dos profissionais, formação médica, regulação, judicialização da saúde e modelos de prestação dos serviços públicos.