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Da redação
A expansão da rede de energia trifásica no meio rural mato-grossense começa a ser apontada como uma das maiores iniciativas de infraestrutura para o fortalecimento da agricultura familiar e da produção agroindustrial no Estado. Com investimentos de R$ 1,4 bilhão previstos até 2030, o Programa MT Trifásico, desenvolvido pelo Governo de Mato Grosso em parceria com a Energisa Mato Grosso, pretende levar energia de maior capacidade para milhares de propriedades rurais, reduzindo custos, aumentando a produtividade e criando novas oportunidades de geração de renda no interior.
O projeto prevê a implantação de 5 mil quilômetros de rede trifásica entre 2026 e 2030. Os recursos serão divididos igualmente entre o Governo do Estado e a concessionária de energia, com R$ 700 milhões aportados por cada parte.
A iniciativa é considerada estratégica para destravar investimentos que hoje enfrentam limitações devido à baixa capacidade das redes monofásicas instaladas em muitas regiões rurais. Na prática, a energia trifásica permite o funcionamento de motores mais potentes, sistemas de irrigação, resfriadores de leite, secadores de grãos, agroindústrias de processamento de alimentos e equipamentos utilizados na modernização das propriedades.
Para o agricultor familiar Carlos Roberto Leite da Silva, produtor de café na região da Linha 12, em Tangará da Serra, a chegada da rede trifásica representa uma mudança histórica para quem vive da produção rural.

Segundo ele, os custos para implantação de equipamentos elétricos são significativamente menores quando existe disponibilidade da rede trifásica. Em sua propriedade, um sistema que exigiria investimento de aproximadamente R$ 18 mil utilizando energia monofásica poderia ser instalado por cerca de R$ 5 mil com a nova estrutura.
“O pequeno produtor passa a ter condições de investir mais, produzir mais e agregar valor ao que produz. Isso abre caminho para a instalação de pequenas agroindústrias e para a geração de emprego e renda dentro das próprias comunidades rurais”, afirmou.
A ampliação da rede trifásica integra uma estratégia mais ampla do governo estadual voltada à industrialização da produção rural. A proposta é permitir que agricultores familiares deixem de comercializar apenas matéria-prima e passem a processar seus produtos dentro das propriedades ou em cooperativas locais.
Na cadeia do leite, por exemplo, a energia trifásica possibilita a instalação de tanques de resfriamento e pequenas fábricas de queijo. Na fruticultura, permite unidades de processamento de polpas e derivados. Já na cafeicultura, viabiliza equipamentos de beneficiamento e torrefação, aumentando o valor agregado da produção.
A expectativa é que a medida reduza a dependência dos produtores em relação aos grandes centros urbanos e fortaleça a economia dos municípios do interior.
O programa também busca solucionar uma das principais reclamações históricas do setor produtivo rural: o alto custo das ligações elétricas em áreas distantes dos centros urbanos.
Em diversas regiões do Estado, produtores deixaram de investir em irrigação, armazenagem ou industrialização devido ao elevado custo para ampliação das redes elétricas.
Recentemente, o governador Otaviano Pivetta destacou que o objetivo do programa é levar infraestrutura para garantir competitividade ao campo, especialmente para pequenos e médios produtores.
A direção da Energisa também afirmou que a expansão da rede trifásica permitirá a instalação de grandes troncos de distribuição elétrica em áreas rurais, reduzindo o custo das conexões e acelerando o desenvolvimento econômico das regiões mais afastadas dos grandes centros.
Especialistas do setor avaliam que os benefícios da eletrificação rural vão além da produção agrícola. A disponibilidade de energia de maior capacidade tende a atrair pequenas indústrias, incentivar cooperativas e ampliar a geração de empregos no interior.
O programa chega em um momento em que Mato Grosso busca ampliar a verticalização da produção agropecuária, agregando valor aos produtos antes de sua comercialização.
Com a execução dos 5 mil quilômetros de rede previstos até 2030, a expectativa é que milhares de propriedades rurais passem a ter acesso a uma infraestrutura considerada essencial para a modernização do campo.