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Por Nayara Cristina
O deputado estadual Faissal Calil se pronunciou na manhã desta segunda-feira (8) após ser alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal durante a Operação Gemini, que investiga um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e ocultação de patrimônio envolvendo o desembargador afastado Dirceu dos Santos.
Durante a ação, agentes federais recolheram aparelhos celulares e equipamentos eletrônicos na residência do parlamentar. Ao deixar o imóvel, Faissal conversou com a imprensa e afirmou que recebeu os policiais com tranquilidade, colaborou integralmente com as diligências e negou qualquer participação nas irregularidades investigadas.
Segundo o deputado, não existe qualquer relação financeira entre ele e o magistrado investigado. Faissal rebateu diretamente a linha de investigação que o aponta como suposto operador ou braço financeiro do desembargador.
“Não existe nenhuma transação econômica minha com ele. Isso não é verdade. Eu sou o maior interessado para que tudo isso seja esclarecido o mais rápido possível”, declarou.
O parlamentar também afirmou que colocou à disposição dos investigadores todas as informações solicitadas, incluindo acessos a dispositivos eletrônicos e dados armazenados em nuvem.
“Recebi a Polícia Federal com total tranquilidade. Entreguei tudo o que foi solicitado, inclusive acesso ao iCloud. Não me esquivei em nenhum momento. Estou muito tranquilo porque não tenho nada a esconder”, disse.
Faissal ainda negou manter qualquer vínculo próximo com o desembargador afastado nos últimos anos. Segundo ele, após deixar atividades que mantinham contato institucional com o Tribunal de Justiça, a relação entre ambos deixou de existir.
“Depois que saí daquela atuação ligada ao Tribunal de Justiça, perdi totalmente o contato. Simplesmente me afastei. Por isso, essa versão de que eu seria braço direito de alguém não corresponde à realidade”, afirmou.
Questionado sobre as acusações que motivaram a operação, o deputado disse desconhecer os detalhes da investigação e preferiu aguardar o acesso aos autos para se manifestar de forma mais aprofundada.
“Eu nem sei exatamente do que se trata. Preciso me inteirar melhor dos fatos para depois dar uma resposta mais concreta. O que posso afirmar é que estou à disposição para colaborar e esclarecer tudo o que for necessário”, acrescentou.
A Operação Gemini foi deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar investigações sobre um suposto esquema de venda de sentenças, lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação patrimonial. De acordo com a corporação, as apurações apontam para a existência de uma complexa estrutura financeira utilizada para movimentar recursos de origem supostamente ilícita e ocultar patrimônio por meio de terceiros.
Até o momento, a defesa do desembargador afastado não havia se manifestado sobre as acusações. Já Faissal Calil sustenta que não possui participação em qualquer esquema ilegal e afirma confiar que a investigação demonstrará sua inocência.