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Por Emerson Teixeira
Mulher afirma que Maike Koseki de Capua liderou grupo que se apresentou como policial, ameaçou sua família e tentou obrigá-la a transferir bens por débito atribuído ao ex-marido
O empresário cuiabano Maike Koseki de Capua, procurado pela Justiça de Mato Grosso sob suspeita de ameaçar e monitorar um delegado da Polícia Civil e familiares do policial, passou a ser alvo de uma nova denúncia. Desta vez, uma empresária de Goiânia afirma ter sido coagida, ameaçada de morte e pressionada a assumir uma dívida que, segundo ela, pertenceria ao seu ex-marido.
O episódio teria ocorrido no dia 14 de julho, na véspera da operação realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso para cumprir o mandado de prisão contra Maike. A denunciante, identificada pelas iniciais C.D.C.M., registrou boletim de ocorrência e também encaminhou uma carta à desembargadora Juanita Clait Duarte, responsável pela análise do habeas corpus apresentado pela defesa do empresário no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
No documento enviado à magistrada, a empresária pede que o benefício seja negado e afirma temer pela própria vida e pela segurança de sua filha e de seus pais idosos. Ela sustenta que Maike teria demonstrado comportamento perigoso e continuado a agir por meio de integrantes do grupo mesmo depois de passar à condição de foragido.
Conforme o relato apresentado à polícia, a cobrança estaria relacionada a uma suposta dívida atribuída ao ex-cônjuge da empresária, Phillip Wook Han. Divorciada desde 2024, ela afirma não possuir qualquer responsabilidade sobre o débito, mas teria passado a ser pressionada para assumir a obrigação e entregar bens como forma de pagamento.
A empresária relatou que seu pai havia ido buscar a neta, de 9 anos, em uma academia de artes marciais de Goiânia, quando foi abordado por Maike e outros três homens. Segundo a denúncia, os integrantes do grupo teriam se apresentado como policiais e afirmado que participavam de uma operação destinada a localizar a empresária.
Ainda conforme a ocorrência, o idoso e a criança teriam sido impedidos de deixar livremente o estabelecimento e levados até o edifício onde a mulher morava.
“Meu pai e minha filha foram impedidos de sair livremente da academia e conduzidos até o prédio onde resido”, declarou a empresária.
Pouco depois, ela teria recebido uma ligação informando que os dois estavam sob a chamada “custódia” do grupo e somente seriam liberados após uma conversa. Com medo de que o pai e a filha fossem agredidos, a mulher desceu até a entrada do condomínio, onde afirma ter encontrado aproximadamente sete homens.
Segundo a vítima, o grupo exigia que ela assumisse uma dívida que não havia contraído. Durante a abordagem, os homens teriam mencionado repetidamente sua filha, utilizando a criança como instrumento de intimidação.
“Os indivíduos exigiam que eu assumisse uma dívida que não é minha, mencionavam constantemente minha filha como forma de intimidação e afirmavam que eu resolveria aquela situação ‘de qualquer jeito’”, consta no boletim de ocorrência.
A empresária sustenta que Maike liderava o grupo e teria exigido que ela assinasse um contrato para transferência de bens. Temendo sofrer violência, a mulher disse que precisaria consultar uma assessoria jurídica antes de formalizar qualquer documento. De acordo com o relato, a resposta foi apenas uma estratégia para ganhar tempo e conseguir deixar o local em segurança.
A denunciante também afirmou ter recebido ameaças de morte. Um dos integrantes do grupo teria declarado pertencer à facção criminosa Comando Vermelho, aumentando o temor de que as ameaças fossem concretizadas.
Diante da situação, a empresária deixou o apartamento ainda naquela noite, acompanhada da filha e dos pais, e buscou abrigo em um endereço considerado seguro.
“Naquela mesma noite fui obrigada a deixar minha residência juntamente com minha filha e meus pais, ambos idosos, buscando abrigo em local seguro”, relatou.
Além das ameaças, a mulher afirma que ela e seus familiares foram expostos diante de moradores e funcionários do condomínio como se fossem criminosos. Segundo a empresária, a ação provocou constrangimento público, humilhação e danos à reputação de toda a família.
“Fomos expostos perante diversas pessoas como se fôssemos criminosos, causando enorme constrangimento, humilhação e danos à nossa honra e reputação”, declarou.
Parte da movimentação teria sido registrada pelo telefone celular da própria vítima. Imagens das câmeras de segurança da academia e das áreas comuns do condomínio também poderão auxiliar na apuração do caso, caso sejam requisitadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Após o episódio, a empresária afirma que pesquisou o nome de Maike e descobriu que, no dia seguinte, ele havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso. A investigação mato-grossense apura ameaças contra um delegado e a esposa do policial, além do suposto monitoramento do casal, do filho e de outros familiares.
Na carta encaminhada ao Tribunal de Justiça, a empresária relata que homens ligados ao grupo teriam voltado ao condomínio mesmo depois de Maike se tornar foragido. Ele não estaria presente nessa nova movimentação.
A suspeita levantada pela denunciante é de que os integrantes buscavam dinheiro para financiar uma possível fuga do empresário para fora do Brasil. A afirmação deverá ser apurada pelas autoridades e ainda não representa uma conclusão oficial da investigação.
Ao procurar diretamente a desembargadora responsável pelo habeas corpus, a empresária afirmou que decidiu tornar o caso público por temer novas represálias e para deixar formalmente registrado quem deverá ser investigado caso alguma violência ocorra contra ela ou seus familiares.
“Peço por socorro e torno público os fatos acima descritos para que qualquer mal injusto que eventualmente venha a ocorrer comigo ou qualquer pessoa da minha família possa ser investigado com maior precisão”, escreveu.
A denunciante acrescentou que vem sendo ameaçada de maneira reiterada para pagar uma dívida que atribui exclusivamente ao ex-cônjuge.
Maike Koseki de Capua permanece foragido da Justiça. As novas acusações apresentadas pela empresária de Goiânia deverão ser analisadas pelas autoridades competentes, com a verificação de imagens, mensagens, testemunhos e outros elementos que possam confirmar as circunstâncias narradas no boletim de ocorrência.