CRISE NA CÂMARA DE VG
JBNews
Por Nayara Cristina
Demissões foram assinadas em 19 de outubro e publicadas nesta terça-feira (20); cinco assessores técnicos parlamentares e dois assessores de plenário perderam os cargos.
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), determinou a exoneração de sete servidores comissionados do Legislativo municipal. Os atos foram assinados na segunda-feira (19 de outubro) e publicados nesta terça-feira (20), no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso, em meio ao ambiente de disputas políticas dentro da Casa.
As exonerações foram formalizadas pelo presidente Wanderley Cerqueira e pela primeira-secretária da Câmara, vereadora Rosemary Souza Prado, conhecida como Rosy Prado (União Brasil).
Entre os servidores dispensados estão Bruna de Oliveira Gonzaga, Waldir Pedro da Silva, Roseli Alves de Souza, Leticia Alice da Silva e Sandra Mara Tabosa, que ocupavam cargos de assessor técnico parlamentar I.
Também foram exonerados Algemiro Benedito de Assunção e Ademir Augusto Monteiro de Arruda Junior, ambos ocupantes de cargos de assessor de plenário I.
As sete exonerações foram publicadas em sequência e possuem conteúdo semelhante. Os atos determinam o desligamento dos servidores dos respectivos cargos comissionados, com efeitos a partir da data de assinatura, em 19 de outubro.
Os documentos não apresentam justificativas para as dispensas, não informam se os desligamentos ocorreram a pedido dos próprios servidores e também não indicam quem deverá ocupar os cargos deixados vagos.
As funções atingidas estão relacionadas ao funcionamento administrativo e legislativo da Câmara Municipal. Os assessores técnicos parlamentares desempenham atividades de apoio aos trabalhos legislativos, enquanto os assessores de plenário prestam suporte às sessões e aos procedimentos internos da Casa.
As exonerações ocorreram em um momento de divisão política no Legislativo de Várzea Grande, marcado por divergências entre grupos de vereadores em torno da composição da Mesa Diretora e da condução administrativa da Câmara.
Segundo informações divulgadas pela imprensa local, os servidores dispensados seriam indicações de parlamentares que se afastaram do grupo político do presidente Wanderley Cerqueira. Essa possível relação, entretanto, não foi confirmada oficialmente nos atos de exoneração.
A Câmara Municipal é composta por 23 vereadores. Wanderley preside o Legislativo no biênio 2025-2026 e foi reeleito, em maio deste ano, para comandar a Casa no período de 2027 a 2028, em uma votação apertada de 12 votos a 11.
A publicação das exonerações também coincide com a deflagração da Operação Cathedra Venalis, realizada nesta terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suspeitas de corrupção e irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Wanderley Cerqueira está entre os investigados na operação. Ao comentar a ação policial, o presidente classificou a investigação como estranha e afirmou que aguardaria esclarecimentos sobre os fatos apurados.
Apesar da coincidência das datas, os atos de exoneração foram assinados na segunda-feira (19), antes da deflagração da operação, e não apresentam qualquer relação formal com a investigação conduzida pelo Gaeco.
Por se tratar de cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração, a administração do Legislativo pode realizar as dispensas sem necessidade de procedimento administrativo disciplinar.
Até a publicação dos atos, não havia indicação oficial dos substitutos para os sete servidores exonerados.
As mudanças ocorrem em meio às articulações políticas que envolvem o comando da Câmara Municipal e a relação entre os grupos que disputam influência no Legislativo de Várzea Grande.