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Por Nayara Cristina
Abílio aconselha Flávio a evitar confronto com Lula e aposta em propostas para conquistar eleitores no debate
Durante inauguração de unidade de saúde em Cuiabá, prefeito defendeu que candidato concentre discurso na redução da maioridade penal, segurança pública e manutenção do Bolsa Família para quem conseguir emprego
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, defendeu nesta sexta-feira (23) que o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro evite confrontos diretos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante os debates da reta final do segundo turno das eleições de 2026. Para Abílio, a estratégia mais eficiente seria concentrar o tempo de televisão na apresentação de propostas, especialmente nas áreas de segurança pública, assistência social e economia.
As declarações foram feitas durante entrevista concedida na manhã desta sexta-feira, durante a inauguração de uma unidade do Programa Saúde da Família (PSF), no bairro Doutor Fábio, em Cuiabá. Embora o compromisso oficial estivesse relacionado à entrega da estrutura de saúde, o prefeito também comentou a disputa presidencial e as estratégias que considera fundamentais para a reta final da campanha.
Aliado político de Flávio Bolsonaro e uma das lideranças da direita em Mato Grosso, Abílio afirmou que, se estivesse na posição do candidato, não desperdiçaria tempo respondendo a provocações do adversário.
“Eu, se fosse o Flávio, faria todo o meu tempo de proposta e deixaria o Lula lá, oito, dez minutos falando as besteiras que ele quisesse falar. Não entraria em confronto”, declarou.
Na avaliação do prefeito, o confronto direto entre os candidatos dificilmente modificaria a posição dos eleitores que já possuem preferência consolidada. Por isso, defendeu que o debate seja utilizado para apresentar soluções concretas aos problemas enfrentados pela população.
Abílio também elogiou o formato de debate descrito na entrevista, com dois blocos dedicados às propostas dos candidatos e um terceiro com maior liberdade para o confronto político. Segundo ele, esse modelo pode favorecer uma discussão mais objetiva sobre os projetos de governo.
O prefeito afirmou que espera a realização do debate e destacou a necessidade de os candidatos apresentarem propostas específicas para diferentes regiões do país.
Entre as medidas defendidas, Abílio destacou a redução da maioridade penal, proposta que considera importante para o enfrentamento da criminalidade.
“Uma delas é excelente proposta, é a questão da redução da maioridade penal”, afirmou.
Outro ponto mencionado foi a possibilidade de beneficiários do Bolsa Família ingressarem no mercado de trabalho sem perder imediatamente o auxílio financeiro.
Segundo Abílio, Flávio Bolsonaro defende um modelo que permita ao trabalhador manter integralmente o benefício ao conseguir emprego, evitando que a entrada no mercado formal provoque perda automática da renda assistencial.
Para o prefeito, a proposta poderia ampliar as oportunidades de emprego e melhorar as condições financeiras das famílias de baixa renda.
“São propostas para a pessoa conseguir comprar comida, para sobreviver, ter uma vida mais digna”, declarou.
Abílio também criticou a política econômica do governo Lula e utilizou o preço dos alimentos como exemplo da pressão sobre o orçamento das famílias. Durante a entrevista, mencionou um tomate anunciado a R$ 16, citando o episódio para questionar o custo de vida e a carga tributária.
O prefeito afirmou ainda que considera viáveis as propostas defendidas por Flávio e sustentou que o candidato apresenta medidas que poderiam ser efetivamente implementadas.
Na área de segurança pública, Abílio defendeu mudanças na legislação para permitir o enquadramento de organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), na categoria de organizações terroristas.
O prefeito afirmou que alterações constitucionais podem ser necessárias para viabilizar determinadas propostas, incluindo a redução da maioridade penal.
Ao comentar críticas relacionadas à necessidade de modificar a Constituição Federal, lembrou que propostas de emenda constitucional fazem parte do processo legislativo brasileiro e não representam, por si só, uma medida excepcional.
“Toda PEC é uma proposta de emenda à Constituição. Toda PEC é uma mudança na Constituição”, afirmou.
Abílio também mencionou sua experiência como deputado federal e destacou que alterações constitucionais dependem de tramitação e aprovação pelo Congresso Nacional.
No caso da redução da maioridade penal, a mudança exigiria discussão constitucional. Já a classificação de facções criminosas como organizações terroristas envolve questões jurídicas específicas, inclusive a legislação federal sobre terrorismo, e não decorre automaticamente de uma declaração política.
As manifestações do prefeito ocorrem em meio à intensificação da disputa presidencial, na qual Lula busca a reeleição e Flávio Bolsonaro tenta conquistar o Palácio do Planalto.
A estratégia defendida por Abílio é direcionar a campanha para temas que atingem diretamente o cotidiano dos eleitores, como preços dos alimentos, emprego, benefícios sociais e combate ao crime organizado.
Ao aconselhar Flávio a evitar embates pessoais, o prefeito sinaliza que considera mais vantajoso apresentar compromissos de governo do que transformar o debate em uma troca prolongada de acusações.
Para Abílio, a reta final da eleição deve ser marcada pela comparação entre propostas e pela capacidade dos candidatos de convencer o eleitorado ainda indeciso.