SUSPEITA DE TORTURA

Suspeito de torturar jovem com 20 golpes de palmatória morre baleado pela PM em MT

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Suspeito de torturar jovem com 20 golpes de palmatória morre baleado pela PM em MT

JBNews

Por Nayara Cristina

Pablo Vittor Farias, de 27 anos, morreu após ser baleado por policiais militares durante uma abordagem realizada nesta quinta-feira (22 de outubro), no município de São José dos Quatro Marcos, a 315 quilômetros de Cuiabá. Ele era investigado por suspeita de participação na tortura de uma jovem que teria sido submetida a uma punição conhecida como “salve”, supostamente determinada por integrantes de uma facção criminosa.

De acordo com informações da Polícia Militar, Pablo foi localizado por uma equipe do Grupo de Apoio (GAP) durante diligências realizadas em conjunto com a Polícia Civil e a Força Tática. As forças de segurança buscavam identificar e localizar os envolvidos nas agressões contra a jovem.

O suspeito foi encontrado quando entrava em uma residência na região central de São José dos Quatro Marcos. Segundo a versão apresentada pelos militares, ao receber ordem de parada, Pablo correu para o interior do imóvel e se dirigiu a um dos quartos, onde teria pegado uma arma de fogo.

Ainda conforme o relato policial, ele apontou a arma na direção da equipe, que reagiu efetuando disparos. Pablo foi atingido por dois tiros.

Após a intervenção, os policiais acionaram o socorro. O suspeito foi encaminhado com sinais vitais ao hospital municipal, mas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade de saúde.

Durante os procedimentos no imóvel, um revólver foi apreendido. A arma deverá passar por exames periciais para auxiliar na reconstituição dos acontecimentos.

A ocorrência está diretamente relacionada à investigação sobre a tortura de uma jovem, que teria sido submetida a uma espécie de julgamento e punição impostos por integrantes de uma organização criminosa.

Conforme as informações levantadas pelas forças de segurança, a vítima teria sido castigada por divulgar comentários envolvendo um suposto relacionamento amoroso.

A punição teria sido determinada por um homem conhecido pelo apelido de “Calculista”, apontado como integrante de uma facção criminosa com atuação na região.

Segundo a investigação, a ordem seria para que a jovem recebesse 20 golpes de palmatória, prática de violência física utilizada como forma de castigo e intimidação.

Pablo é apontado como um dos suspeitos de executar a agressão. Ele teria utilizado um pedaço de madeira para atingir repetidamente as mãos da vítima, provocando hematomas, inchaço e outras lesões.

A violência teria sido praticada como forma de impor regras estabelecidas pelo grupo criminoso, mediante ameaças e castigos físicos.

Além de Pablo, quatro mulheres também foram apontadas como possíveis participantes das agressões. A investigação busca esclarecer a atuação individual de cada uma delas, identificar quem participou diretamente da violência e determinar a responsabilidade pela ordem de punição.

O caso chamou a atenção das autoridades pela brutalidade das agressões e pela suspeita de que integrantes de uma facção tenham tentado exercer controle sobre a vida pessoal da vítima.

A prática conhecida como “salve” é utilizada por organizações criminosas para impor punições físicas, intimidar pessoas e exigir obediência a regras estabelecidas pelo próprio grupo.

Dependendo das circunstâncias comprovadas, condutas dessa natureza podem configurar crimes como tortura, lesão corporal, ameaça e participação em organização criminosa.

Após a morte de Pablo, a área onde ocorreu a intervenção policial foi isolada para os trabalhos periciais.

Os exames deverão auxiliar na identificação da dinâmica dos disparos, na análise da arma apreendida e no esclarecimento das circunstâncias em que ocorreu a abordagem.

A versão apresentada pelos policiais militares será analisada no procedimento de investigação da morte, juntamente com os elementos técnicos e demais provas eventualmente reunidas.

A morte do suspeito não encerra a investigação sobre a tortura da jovem. As forças de segurança continuam responsáveis por esclarecer a participação dos demais envolvidos e identificar o homem conhecido como “Calculista”, apontado como responsável por determinar o castigo.

Até o momento, não foram informadas prisões das quatro mulheres citadas na apuração nem a localização do suspeito de ordenar as agressões.