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Por Jota de Sá
A chegada dos trilhos da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo à região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá começa a provocar uma das maiores articulações políticas, econômicas e empresariais dos últimos anos em Mato Grosso. Em meio ao avanço das obras ferroviárias rumo à capital, lideranças do setor produtivo, representantes da Assembleia Legislativa, empresários e integrantes do Fórum Pró-Ferrovia irão se reunir no próximo dia 18 de maio de 2026, às 15h, na sede da AEDIC, no Distrito Industrial de Cuiabá, para discutir um novo projeto de desenvolvimento regional que promete mudar o perfil econômico de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger.
O encontro será realizado com participação da Prefeitura de Santo Antônio de Leverger pela Prefeita Francieli Magalhães, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso com a presença do deputado Max Russi, da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá (AEDIC) representada pelo presidente Domingos Kennedy, do Fórum Pró-Ferrovia que tem a sua frente Frqnciso Vuolo, além de representantes do setor produtivo, classe política, entre eles senadores Jayme Campos, Wellington Fagundes e sociedade civil organizada. No centro das discussões estará a proposta de implantação do Distrito Industrial de Santo Antônio de Leverger, considerada estratégica diante do avanço dos trilhos da Ferrovia Estadual Senador Vuolo rumo à capital.
A proposta nasce como consequência direta da consolidação do terminal ferroviário na região próxima ao trevo de Santo Antônio de Leverger. O projeto é tratado nos bastidores como estratégico para descentralizar o desenvolvimento econômico de Mato Grosso e reduzir o abismo estrutural existente entre a Baixada Cuiabana e municípios do interior que cresceram impulsionados pela logística ferroviária.
Segundo o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, o avanço da ferrovia representa um divisor de águas para toda a região metropolitana. A avaliação do grupo é de que a chegada do terminal ferroviário poderá atrair indústrias, operadores logísticos, centros de distribuição e novos investimentos privados para a Baixada Cuiabana, criando uma nova dinâmica econômica baseada na redução do custo do frete e no fortalecimento da infraestrutura logística.
A discussão ganhou força após debates envolvendo possíveis mudanças de localização do terminal ferroviário. Segundo Vuolo, o setor produtivo e as lideranças políticas chegaram ao entendimento de que alterar o traçado ou o local do terminal neste momento seria tecnicamente inviável, além de gerar impactos jurídicos e administrativos em contratos e licitações já consolidados. A partir disso, foi construída uma solução considerada estratégica: manter o terminal ferroviário na região planejada e criar um novo eixo industrial em Santo Antônio de Leverger para aproveitar o impacto econômico da ferrovia.
A expectativa é que o novo distrito industrial funcione como uma extensão do crescimento logístico da capital e de Várzea Grande, permitindo que empresas encontrem áreas disponíveis para instalação industrial, centros logísticos e operações ligadas ao agronegócio e à distribuição de mercadorias.
Nos bastidores, o projeto é tratado como uma resposta prática aos alertas recentes feitos pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Ricardo, que nos últimos dias tem defendido publicamente a necessidade urgente de enfrentar o avanço da pobreza, da desigualdade social e da formação de bolsões de miséria na Baixada Cuiabana. O presidente do TCE vem alertando que a região metropolitana corre o risco de aprofundar problemas sociais históricos caso não receba novos investimentos estruturantes capazes de gerar empregos, renda e desenvolvimento econômico sustentável.
Dentro desse contexto, a implantação do terminal ferroviário e do futuro distrito industrial passou a ser vista como uma alternativa concreta para enfrentar o crescimento da vulnerabilidade social em Cuiabá, Várzea Grande e municípios vizinhos. Lideranças empresariais e integrantes do Fórum Pró-Ferrovia avaliam que a chegada da ferrovia poderá impulsionar uma transformação econômica semelhante à ocorrida em outras regiões do Estado, reduzindo a dependência econômica do setor público e criando um ambiente favorável à industrialização, à atração de empresas e à geração massiva de empregos.
O debate também ganhou relevância diante do crescimento das discussões sobre ocupações irregulares, expansão de áreas periféricas sem infraestrutura e aumento das dificuldades econômicas enfrentadas por milhares de famílias da Baixada Cuiabana. Para os defensores do projeto, o fortalecimento logístico da região pode criar uma nova matriz econômica capaz de combater diretamente os efeitos da pobreza estrutural apontada pelo Tribunal de Contas.
Hoje, enquanto cidades do eixo ferroviário consolidado apresentam crescimento acelerado, Cuiabá e Várzea Grande enfrentam dificuldades históricas relacionadas à industrialização, mobilidade logística e perda de competitividade econômica. O exemplo mais citado pelos defensores do projeto é Rondonópolis, município que se transformou economicamente após a chegada do terminal ferroviário da Ferronorte.
Dados econômicos apontam que Rondonópolis deixou de ser apenas um polo agrícola para se tornar uma potência logística e industrial do Centro-Oeste. Atualmente, o município possui um dos maiores PIBs de Mato Grosso e consolidou um complexo econômico diretamente ligado à ferrovia, ao armazenamento de grãos e ao transporte de cargas. Estimativas do setor produtivo apontam que parte significativa da economia local passou a girar em torno da estrutura ferroviária instalada na cidade desde o início da década passada.
O receio das lideranças da Baixada Cuiabana é que a região continue perdendo protagonismo econômico caso não consiga aproveitar o avanço dos trilhos estaduais. Hoje, Várzea Grande, que durante muitos anos ocupou a posição de segunda economia do Estado, acabou sendo ultrapassada por municípios impulsionados pela logística do agronegócio.
A reunião do próximo dia 18 deverá consolidar oficialmente a proposta do distrito industrial de Santo Antônio de Leverger e iniciar a construção de um pacto regional envolvendo setor produtivo, classe política e sociedade civil organizada. O encontro também contará com participação do presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, além de lideranças empresariais e representantes da região metropolitana.
O governador Otaviano Pivetta deverá ser convidado oficialmente para participar das discussões, assim como senadores e deputados federais de Mato Grosso. A ideia é transformar a pauta ferroviária em um projeto suprapartidário de desenvolvimento regional.
A Ferrovia Estadual Senador Vuolo é considerada uma das principais apostas estruturantes de Mato Grosso para as próximas décadas. O projeto prevê integração logística entre regiões produtoras, redução de custos operacionais e fortalecimento da competitividade econômica do Estado. Para os defensores da iniciativa, a chegada dos trilhos à Baixada Cuiabana pode representar não apenas um avanço logístico, mas uma redefinição completa do futuro econômico e social da região metropolitana de Cuiabá.