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Por Nayara Cristina
A crise política e administrativa em Várzea Grande ganhou mais um capítulo explosivo após o Ministério Público de Mato Grosso determinar prazo de 10 dias para que a prefeita Flávia Moretti promova o desligamento do secretário de Governo Silvio Fidelis da administração municipal. A recomendação emitida pela promotora Taiana Castrillon Dionello elevou ainda mais a pressão sobre a gestora, que enfrenta sucessivas crises políticas, ameaças de cassação na Câmara Municipal e desgaste interno dentro da própria administração.
A medida do Ministério Público tem como base investigações relacionadas a supostas irregularidades em contratos do transporte escolar firmados em 2022, durante a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat. Segundo apurações da Controladoria Geral do Município, os contratos investigados teriam provocado prejuízo estimado em cerca de R$ 6 milhões aos cofres públicos.
Além de Silvio Fidelis, também são investigadas três empresas ligadas à prestação de serviços de transporte escolar no município. O Ministério Público aponta que a permanência do secretário na estrutura administrativa pode representar afronta aos princípios da moralidade administrativa e da probidade pública, motivo pelo qual recomendou oficialmente seu afastamento imediato.
O episódio gerou ainda mais repercussão porque a própria prefeita Flávia Moretti havia levado o caso às autoridades anteriormente, apontando possíveis irregularidades envolvendo os contratos investigados. Nos bastidores políticos da cidade, a situação passou a ser vista como contraditória após a gestora, meses depois das denúncias e do avanço das investigações, decidir nomear Silvio Fidelis para uma das funções mais estratégicas da administração municipal.
Segundo informações ligadas às investigações internas conduzidas pela Controladoria-Geral do Município, os fatos relacionados ao possível superfaturamento e aos pagamentos indevidos já eram de conhecimento da atual gestão desde o início de 2025. A recomendação do Ministério Público destaca justamente o risco administrativo e jurídico da permanência do secretário no comando político da prefeitura diante das apurações em andamento.
A notificação recomendatória do Ministério Público foi expedida oficialmente em 11 de maio de 2026, data em que a prefeita recebeu o documento determinando que, no prazo máximo de 10 dias, promova o desligamento de Silvio Fidelis da administração pública municipal.
Caso a determinação seja ignorada, Flávia Moretti poderá enfrentar consequências jurídicas severas. Entre as possíveis implicações apontadas por especialistas em direito público estão a abertura de ação por improbidade administrativa, responsabilização por eventual afronta aos princípios da moralidade e legalidade administrativa, além da possibilidade de medidas judiciais para afastamento do agente público investigado.
O descumprimento da recomendação ministerial também pode servir como elemento para futuras ações civis públicas e reforçar eventuais pedidos de responsabilização da prefeita perante órgãos de controle e fiscalização. Nos bastidores políticos e jurídicos de Várzea Grande, a avaliação é de que a manutenção de Silvio Fidelis no cargo, mesmo diante das investigações e da recomendação formal do Ministério Público, pode agravar ainda mais a crise institucional enfrentada pela administração municipal.
Desde o início do mandato, Flávia Moretti enfrenta turbulências políticas, crises internas e forte pressão no Legislativo municipal. A prefeita já foi alvo de discussões relacionadas a possíveis pedidos de cassação e sofreu desgaste após o rompimento político com o vice-prefeito, que deixou a administração alegando falta de capacidade técnica e psicológica da gestora para conduzir a prefeitura.
Agora, a permanência de Silvio Fidelis no núcleo estratégico do governo municipal amplia o desgaste político da prefeita em um momento delicado da administração. O episódio também reacende o debate sobre transparência, responsabilidade administrativa e os critérios adotados na nomeação de agentes públicos investigados por supostos prejuízos milionários ao erário.
Com a contagem regressiva iniciada pelo Ministério Público, a expectativa política em Várzea Grande gira em torno da decisão que será tomada pela prefeita nos próximos dias. A definição poderá impactar diretamente não apenas a estabilidade do governo municipal, mas também o ambiente político da segunda maior cidade de Mato Grosso.