OPERAÇÃO ADSUMUS

Bingo da facção: Polícia Civil prende três e fecha esquema milionário de lavagem de dinheiro em Mato Grosso

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Bingo da facção: Polícia Civil prende três e fecha esquema milionário de lavagem de dinheiro em Mato Grosso

Por Emerson Teixeira

Da Redação | JB News

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Adsumus para desarticular um núcleo de uma facção criminosa investigada por utilizar casas de bingo e jogos de azar como instrumento para lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas. A ofensiva foi realizada simultaneamente nos municípios de Rondonópolis, Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra.

Ao todo, a Justiça expediu 17 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão preventiva e outras três medidas cautelares, que incluem bloqueio de contas bancárias, quebra de sigilo bancário e suspensão das atividades comerciais de uma empresa apontada como peça-chave no esquema financeiro da organização criminosa.

Três pessoas foram presas preventivamente durante a operação. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou oficialmente a identidade dos investigados, uma vez que as diligências ainda estão em andamento.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis e aponta que a facção utilizava eventos de bingo, sorteios e jogos de azar para movimentar recursos ilícitos e dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio de diversos crimes.

Segundo os investigadores, um estabelecimento comercial localizado em Rondonópolis funcionava como ponto permanente para realização dos bingos clandestinos. Além da exploração ilegal dos jogos, a empresa apresentava movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos responsáveis, reforçando os indícios de lavagem de capitais.

Por determinação judicial, o imóvel foi interditado e lacrado. Também foram apreendidos equipamentos utilizados na atividade ilegal, entre eles máquinas de bingo, máquinas de pelúcia conhecidas como “máquina de urso” e outros aparelhos empregados na exploração dos jogos.

As investigações revelaram ainda que os integrantes da organização criminosa são suspeitos de participação em diversos delitos, entre eles organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, associação para o tráfico, extorsão, fraude processual, falsidade ideológica, posse irregular de arma de fogo e facilitação da entrada de aparelhos celulares em unidades prisionais.

A origem da investigação remonta ao dia 18 de fevereiro de 2025, quando uma padaria localizada no bairro São Sebastião, em Rondonópolis, foi alvo de um violento assalto seguido de incêndio criminoso. Durante as apurações, a Polícia Civil identificou os autores do ataque e obteve a decretação das prisões preventivas.

Meses depois, em maio de 2025, os dois suspeitos foram localizados pela Polícia Rodoviária Federal durante uma fiscalização em um ônibus interestadual que seguia de Cuiabá para o Rio de Janeiro. Na ocasião, ambos utilizavam documentos falsos para tentar escapar da identificação.

Os aparelhos celulares apreendidos com os investigados foram encaminhados para perícia e se tornaram a principal fonte de informações da investigação. A análise do conteúdo permitiu aos policiais descobrir a existência de uma estrutura organizada da facção, com atuação em diferentes cidades de Mato Grosso e envolvimento em diversas modalidades criminosas.

As informações extraídas dos dispositivos revelaram uma complexa rede de movimentação financeira, além de diálogos e registros que indicam a utilização dos bingos clandestinos como mecanismo para ocultação e circulação de recursos provenientes do crime organizado.

As ordens judiciais foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo de Rondonópolis.

A Operação Adsumus contou com a participação de policiais da Derf de Rondonópolis, da 1ª Delegacia de Polícia de Tangará da Serra, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa, aprofundar o rastreamento da movimentação financeira do grupo e concluir o inquérito policial, que deverá resultar no indiciamento dos envolvidos.