MORTE SOB INVESTIGAÇÃO

Advogado preso por suspeita de abuso sexual morre após duas semanas internado em VG

· 2 min de leitura
Advogado preso por suspeita de abuso sexual morre após duas semanas internado em VG

JBNews

Por Emer Teixeira

O advogado Elias Gomes da Silva, de 67 anos, morreu na noite de domingo (2), no Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, após permanecer internado por aproximadamente duas semanas. Ele estava sob custódia da Justiça por suspeita de abuso sexual contra uma menina de 6 anos.

Elias foi encaminhado à unidade hospitalar no dia 18 de julho, data em que foi preso, apresentando várias escoriações pelo corpo. Desde então, permaneceu recebendo atendimento médico, mas seu estado de saúde se agravou durante o período de internação.

Conforme as informações apuradas, o advogado desenvolveu uma infecção que teria sido provocada inicialmente pelo rompimento de uma úlcera. Com a piora do quadro clínico, a equipe médica decidiu submetê-lo a uma cirurgia de emergência.

Durante o procedimento anestésico, no entanto, Elias sofreu uma parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação, ele não resistiu e morreu antes que a cirurgia fosse concluída.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde será submetido a exames de necropsia. O laudo pericial deverá estabelecer oficialmente a causa da morte e esclarecer se as lesões apresentadas no momento da internação tiveram alguma relação com o agravamento de seu estado de saúde.

Elias havia sido preso após a mãe de uma menina de 6 anos procurar a polícia e relatar que a filha teria sido vítima de abuso sexual dentro de uma residência em Várzea Grande. O advogado negou as acusações durante a abordagem policial.

Segundo os registros divulgados na época, um notebook, documentos pessoais, cartões bancários e dinheiro foram apreendidos durante a ocorrência. O equipamento seria submetido à perícia para verificar o conteúdo armazenado e auxiliar no andamento das investigações.

Imagens de câmeras de segurança também teriam registrado o momento em que o investigado supostamente toca as partes íntimas da criança. A existência e o conteúdo integral das gravações ainda dependiam da análise das autoridades responsáveis pelo caso.

Após a prisão, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso determinou a suspensão cautelar do exercício profissional de Elias. A entidade também instaurou um processo disciplinar no Tribunal de Ética e Disciplina para apurar a conduta atribuída ao advogado, assegurando o contraditório e a ampla defesa.

Com a morte do investigado, eventual responsabilidade criminal pessoal será extinta, conforme prevê a legislação, mas a Polícia Civil ainda poderá concluir os procedimentos necessários para esclarecer os fatos, preservar as provas produzidas e identificar a possível existência de outras pessoas envolvidas.

Paralelamente, a morte ocorrida dentro da unidade hospitalar deverá ser analisada com base nos prontuários médicos, nos exames realizados durante a internação e no laudo do IML. As circunstâncias oficiais do óbito somente poderão ser confirmadas após a conclusão da perícia.