Jab News
Por Nayara Cristina
A disputa territorial entre Mato Grosso e Pará voltou a ganhar força nos bastidores políticos e jurídicos do país após novas movimentações no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi, afirmou que o estado pretende utilizar todos os instrumentos políticos e judiciais possíveis para manter sob domínio mato-grossense uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados localizada na região de divisa com o Pará.
A área em litígio é considerada estratégica tanto pelo tamanho quanto pelo impacto econômico e social. O território envolve municípios paraenses e possui forte influência da estrutura pública de Mato Grosso, segundo lideranças políticas do estado. Durante entrevista à rádio Vila Real, Max Russi afirmou que a população residente na região possui ligação direta com Mato Grosso e depende de serviços oferecidos pelo estado mato-grossense.
“Vamos brigar com tudo que for possível. Essa área pertence a Mato Grosso e a população utiliza os serviços públicos do nosso estado”, declarou o parlamentar.
O impasse territorial afeta diretamente municípios do Pará como Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia. O governo de Mato Grosso sustenta que houve falhas históricas na definição dos limites territoriais e defende uma revisão geográfica baseada em antigos marcos naturais da região, especialmente envolvendo o Salto das Sete Quedas.
A disputa não é recente e já passou pelo STF anteriormente. Em 2020, a Suprema Corte julgou a ação relacionada ao conflito territorial, mas o caso voltou ao centro das discussões após novas tentativas de conciliação entre os dois estados.
Nos bastidores do processo, o ministro Flávio Dino sugeriu recentemente a realização de um plebiscito para ouvir os moradores da área disputada. A proposta busca identificar qual estado possui maior vínculo administrativo, econômico e social com a população local.
A possibilidade reacendeu o clima de tensão entre os governos estaduais. Do lado paraense, a governadora Hana Ghassan afirmou que o Pará não pretende abrir mão do território reivindicado por Mato Grosso. Segundo o governo paraense, a área em discussão possui dimensão comparável ao estado de Sergipe.
Em Mato Grosso, a mobilização política aumentou nos últimos dias. Max Russi afirmou que a Procuradoria da Assembleia Legislativa, parlamentares e equipes técnicas acompanham o processo de forma permanente e estão articulados na defesa dos interesses territoriais do estado.
O deputado também criticou a atuação do Pará na região contestada, alegando que os moradores dependem diretamente da infraestrutura mato-grossense para acesso à saúde, educação, transporte e outros serviços públicos essenciais.
A disputa territorial é considerada uma das mais complexas do país porque envolve não apenas questões cartográficas, mas também interesses econômicos, arrecadação tributária, exploração mineral, produção agropecuária e influência política sobre uma extensa faixa da Amazônia Legal.
Enquanto o STF busca uma solução definitiva para o impasse, o clima entre os dois estados permanece acirrado. Nos bastidores políticos de Mato Grosso, o entendimento é de que o estado não pretende recuar na disputa e deverá intensificar a pressão institucional e jurídica nos próximos meses.