JB News
Por Nayara Cristina
Do local Guilherme Augusto
A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá segue movimentando os bastidores políticos da capital e ganhou novos capítulos após as declarações do vereador Ilde Taques sobre a polêmica envolvendo a possível mudança do regimento interno da Casa para permitir a reeleição da atual presidente, Paula Calil. Em meio ao desgaste político causado pela discussão e após o prefeito Abilio Brunini afirmar que existe um movimento “anti-Abílio” dentro do Legislativo, Ilde rebateu a tese e afirmou que não há qualquer articulação para criar dificuldades à gestão municipal.
Segundo o parlamentar, a Câmara tem atuado em parceria com o Executivo em pautas consideradas fundamentais para Cuiabá e não existe intenção de enfrentamento político contra o prefeito. “Nós queremos discutir projetos bons para Cuiabá. Se os projetos do Executivo vierem de encontro com aquilo que a sociedade espera, nós vamos apoiar”, afirmou.
A fala ocorre após Abílio anunciar que decidiu deixar de participar das articulações da futura mesa diretora. O prefeito disse que continuará torcendo pela permanência de Paula Calil no comando da Casa, mas afirmou que percebeu um projeto político contrário à sua administração sendo construído internamente entre vereadores.
Ilde Taques, no entanto, rejeitou essa interpretação e relembrou que a Câmara aprovou medidas importantes para a atual gestão, incluindo o redirecionamento de mais de R$ 900 milhões para reorganização administrativa da prefeitura e o empréstimo de R$ 112 milhões destinado a investimentos em infraestrutura e pavimentação.
A discussão mais intensa neste momento gira em torno da possibilidade de alteração do regimento interno da Câmara. Atualmente, a regra impede a reeleição do presidente da Casa, mas vereadores articulam uma mudança que abriria caminho para Paula Calil disputar um novo mandato no comando do Legislativo.
Durante a entrevista, Ilde afirmou que a eventual entrada de Paula na disputa altera completamente o cenário político da eleição. Segundo ele, antes dessa movimentação, havia praticamente um consenso em torno de sua candidatura entre os parlamentares.
“Quando a Paula decide participar desse processo e defender a reeleição, é óbvio que o tabuleiro mexe”, declarou.
O vereador também afirmou que, caso a mudança no regimento não seja aprovada, sua candidatura ganha força dentro da Câmara. Segundo ele, muitos vereadores são simpáticos tanto à pauta da reeleição quanto ao seu projeto político para comandar o Legislativo cuiabano.
Outro ponto debatido envolve a data da eleição da mesa diretora. Atualmente marcada para agosto, a antecipação vem sendo questionada após recentes entendimentos do Supremo Tribunal Federal sobre o chamado marco temporal das eleições em casas legislativas. Ilde explicou que existem interpretações divergentes entre juristas consultados pelo grupo político.
Parte dos advogados entende que Cuiabá poderia manter o calendário atual porque a previsão existe no regimento desde 2010. Outros, porém, avaliam que uma eleição antes de outubro poderia abrir margem para judicialização futura.
Diante do impasse jurídico e político, vereadores seguem discutindo internamente se mantêm a eleição em agosto ou se haverá mudança no calendário da disputa. Enquanto isso, a sucessão da mesa diretora se transforma em uma das principais batalhas políticas da capital, com impacto direto na relação entre Câmara e Prefeitura para os próximos anos.
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