FRAGMENTAÇÃO ELEITORAL

“Todo mundo olhando para o seu umbigo”: Dr. João aponta erros do MDB e vê aliança com PL como má escolha

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“Todo mundo olhando para o seu umbigo”: Dr. João aponta erros do MDB e vê aliança com PL como má escolha

JB News

Por José Teixeira

O deputado estadual reeleito Dr. João (MDB) atribuiu à falta de união entre os candidatos, ao desempenho abaixo das expectativas de parte da chapa e aos erros de encaminhamento político as dificuldades enfrentadas por seu grupo nas eleições de 2026. Ao avaliar o resultado de domingo, 4 de outubro, o parlamentar afirmou que o individualismo marcou a campanha e reconheceu que a aliança com o PL, considerada promissora antes da votação, não se mostrou uma boa escolha depois da abertura das urnas.

“Todo mundo olhando para o seu umbigo. Todos os partidos, todos os candidatos foram individualistas. Ninguém fez grupo, não. Foi todo mundo individualista”, declarou.

A avaliação expõe o desconforto dentro de um dos grupos que chegaram à disputa com lideranças tradicionais, estrutura partidária e expectativa de ampliar sua presença política em Mato Grosso. Para Dr. João, porém, a força projetada durante a montagem das candidaturas não se confirmou integralmente na votação.

O deputado afirmou que o MDB pretendia conquistar quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, mas terminou com três. Em sua leitura, o partido ficou próximo de alcançar o objetivo, embora a votação de alguns integrantes tenha sido insuficiente para sustentar o resultado esperado.

“O nosso sonho era eleger quatro deputados. Por pouco não foi. Poderia ter sido melhor. A votação de algumas pessoas ficou aquém do que a gente esperava”, afirmou.

O principal problema, segundo ele, foi a distância entre o potencial eleitoral atribuído aos candidatos e o desempenho efetivamente registrado nas urnas. Dr. João explicou que a chapa foi organizada com a expectativa de contar com cinco nomes capazes de obter votações expressivas. Ao fim da disputa, disse, apenas ele e Léo Bortolin ultrapassaram a marca de 50 mil votos.

“Na teoria e na realidade não teve cinco puxadores, teve dois”, resumiu.

O parlamentar rejeitou a interpretação de que o MDB entrou na eleição sem nomes capazes de compensar a saída de Janaína Riva da disputa por uma cadeira na Assembleia. Segundo ele, o planejamento previa vários candidatos com capacidade de impulsionar a votação partidária, mas essa projeção não se concretizou.

“Quando foi montado, existiam cinco pessoas muito boas de voto. Só que, na teoria, era isso. Na prática, não teve”, declarou.

A frustração também alcançou os candidatos dos quais o partido esperava uma contribuição intermediária para o total de votos. Conforme Dr. João, nomes que eram considerados capazes de receber entre 10 mil e 15 mil votos terminaram com aproximadamente 2 mil ou 3 mil, comprometendo a soma da chapa.

“O final da chapa foi muito fraco. Pessoas que a gente imaginava que teriam 15 mil votos, 10 mil votos, tiveram 3 mil, 2 mil. Então foi isso que atrapalhou”, afirmou.

Ao comentar o desempenho de Botelho, o deputado avaliou que a votação foi boa, mas ficou abaixo da expectativa do grupo. A observação reforça que, em sua análise, o problema não se concentrou apenas nas candidaturas menores: também houve diferença entre o resultado esperado de nomes de maior peso político e aquilo que entregaram nas urnas.

Questionado sobre a aliança com o PL de Wellington Fagundes, Dr. João reconheceu que o resultado levou a uma revisão da avaliação feita antes da campanha. Segundo ele, a composição parecia adequada quando foi construída, em um cenário de confiança no projeto eleitoral.

“Quando foi coligado, existia uma ideia. Depois que aconteceu, a gente vê que não foi uma boa ideia. Mas, antes, todo mundo achava que era uma boa ideia”, declarou.

A fala evidencia uma mudança de percepção dentro do grupo: a composição que inicialmente era vista como um caminho para a vitória passou a ser questionada diante do resultado. Dr. João ponderou, entretanto, que essa conclusão surgiu depois da eleição e que não seria correto tratar o desfecho como algo conhecido antecipadamente.

O parlamentar também apontou falta de foco e discordâncias sobre os rumos adotados durante a campanha. Embora não tenha detalhado quais decisões considera equivocadas, afirmou que o encaminhamento político não lhe parecia adequado desde o início.

“Eu acho que faltou algumas coisas. Um foco maior em algumas coisas. O encaminhamento, eu acho que desde o início não foi legal”, disse.

Sobre Janaína Riva, Dr. João afirmou que uma avaliação mais aprofundada ainda depende de conversa interna. Disse ter opinião sobre os motivos do resultado, mas defendeu que a própria correligionária apresente sua leitura antes que o partido estabeleça um diagnóstico coletivo.

“Vamos agora conversar, perguntar para ela, principalmente. Eu acho que ela que tem que dar a resposta. O que ela acha que aconteceu?”, afirmou.

O deputado ressaltou que o MDB ainda precisa reunir seus integrantes para discutir os erros, reorganizar o partido e definir os próximos passos. Após uma campanha que classificou como pesada e cansativa, disse ter preferido descansar antes de iniciar essas conversas.

Apesar das críticas ao desempenho coletivo, Dr. João demonstrou satisfação com a própria reeleição e com a presença de sua votação em diferentes regiões de Mato Grosso. O resultado pessoal, entretanto, não eliminou a necessidade de revisar a estratégia partidária e compreender por que parte das expectativas ficou pelo caminho.

Ao comentar a renovação na Assembleia Legislativa, o parlamentar disse que a substituição de quatro a seis deputados já era uma possibilidade mencionada durante a campanha. Reconheceu o sentimento de tristeza pela saída de amigos e colegas, mas afirmou que mudanças na composição do Legislativo fazem parte da disputa eleitoral.

Sua avaliação reúne dois problemas que o MDB terá de enfrentar na reorganização: a aposta em uma chapa cuja força eleitoral foi superestimada e uma campanha que, segundo ele, não conseguiu transformar candidaturas individuais em um projeto de grupo.

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