GUERRA PELA MESA DIRETORA

“Tem um grande grupo político tentando tomar a presidência da Câmara para colocar a faca no pescoço do prefeito”, dispara Samanta Iris

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“Tem um grande grupo político tentando tomar a presidência da Câmara para colocar a faca no pescoço do prefeito”, dispara Samanta Iris

JB News

Da redação

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo e explosivo capítulo nesta quinta-feira (9). Em meio ao acirramento da crise institucional envolvendo a tentativa de mudança do Regimento Interno da Casa de Leis, a primeira-dama e vereadora Samanta Iris (PL) saiu publicamente em defesa do prefeito Abílio Brunini (PL) e afirmou que as recentes movimentações políticas não representam uma simples divergência entre vereadores, mas fazem parte de uma estratégia de grupos políticos que, segundo ela, tentam assumir o controle do Legislativo para pressionar e enfraquecer a gestão municipal.

Durante entrevista concedida aos portais Olhar Direto, Muvuca Popular e RD News, Samanta afirmou que o debate sobre uma suposta interferência do prefeito na Câmara ignora, segundo ela, uma articulação política muito maior, envolvendo lideranças externas ao Palácio Alencastro e interessadas em comandar a Mesa Diretora.

“Eu interpreto que eles falam de interferência quando é conveniente para eles. Ninguém fala que tem um grupo da Assembleia Legislativa que hoje quer tomar conta da Câmara, que quer ganhar a presidência da Câmara para botar a faca no pescoço do prefeito. Ninguém fala que tem uma deputada que foi lá e atraiu a vice-prefeita para o grupo deles, que também está tentando tomar conta da Prefeitura”, declarou.

As declarações foram dadas poucos dias após a forte reação provocada pela iniciativa do prefeito Abílio Brunini de recorrer ao Tribunal de Justiça para questionar dispositivos do Regimento Interno da Câmara relacionados à eleição da Mesa Diretora. A medida, segundo diversos vereadores, surpreendeu o Parlamento e aprofundou o desgaste entre o Executivo e parte da base legislativa, principalmente porque, segundo os próprios parlamentares, não houve diálogo prévio sobre a judicialização do tema.

Nos bastidores da política cuiabana, a avaliação predominante é de que a ação judicial foi apresentada após solicitação da presidente da Câmara, Paula Calil (PL), que busca viabilizar sua permanência na disputa pela reeleição ao comando da Casa. A iniciativa abriu uma intensa disputa política e provocou uma divisão entre grupos de vereadores favoráveis e contrários à alteração das regras previstas no Regimento Interno.

O principal ponto da controvérsia envolve a tentativa de modificar o quórum exigido para alterações regimentais e as regras que disciplinam a recondução da Mesa Diretora. A judicialização do tema elevou a temperatura no Legislativo, desencadeando uma sequência de discursos contundentes, trocas de acusações e sucessivos confrontos em plenário.

Para Samanta Iris, entretanto, as críticas direcionadas ao prefeito desconsideram o contexto político que envolve a disputa pela presidência da Câmara. Segundo ela, Abílio estaria apenas reagindo às tentativas de pressão de grupos interessados em ampliar influência sobre a administração municipal.

“Interferência é uma coisa, proteger-se é outra. Eu tenho visto que o Abílio tem tentado se proteger dessa tentativa de grupos políticos quererem interferir na Prefeitura ou achar que ele vai ter que ceder à pressão política. Isso precisa ser pontuado”, afirmou.

A parlamentar ainda questionou os interesses por trás da corrida pelo comando do Legislativo e afirmou que existe uma articulação política muito maior do que a disputa institucional apresentada publicamente.

“Eles falam muito de interferência, mas interferência de quem? Vamos falar de todas as interferências que existem. Pelo que estou entendendo, tem um grande grupo político tentando levar a presidência da Câmara a qualquer custo. A troco de quê? Para quê? Com que interesse?”, indagou.

Samanta também relacionou o clima de tensão vivido durante a sessão ordinária desta quinta-feira aos desdobramentos da disputa política. Segundo ela, parte das reações recebidas no plenário decorreu de posicionamentos que adotou anteriormente sobre a discussão envolvendo a possibilidade de reeleição da Mesa Diretora.

As declarações reforçam o ambiente de instabilidade instalado na Câmara de Cuiabá, onde a eleição da próxima Mesa Diretora passou a extrapolar os limites internos do Parlamento e se transformou em um dos principais focos da disputa política da capital. A polarização entre grupos ligados ao Executivo e alas independentes ou de oposição tem provocado sucessivos embates públicos, ampliando o desgaste institucional e tornando a sucessão da presidência da Casa um dos temas centrais do cenário político mato-grossense.

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