ASSASSINADO POR ENGANO

Sete são detidos por morte de sargento; atirador diz que ordem do CV era para executar outros dois em Cáceres

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Sete são detidos por morte de sargento; atirador diz que ordem do CV era para executar outros dois em Cáceres

JB News

Por Emerson Teixeira

A investigação sobre a morte do primeiro-sargento da Marinha Anderson de Alencar Batista, de 43 anos, avançou poucas horas depois do crime e levou as forças de segurança a sete pessoas apontadas como envolvidas na execução ou no apoio logístico ao grupo criminoso. A informação que muda o rumo inicial do caso é que Anderson não seria o alvo original: segundo relato atribuído ao suspeito apontado como autor dos disparos, a ordem recebida seria para executar dois homens que estariam na residência. 

No balanço mais detalhado da ocorrência, foram conduzidos à 1ª Delegacia de Polícia de Cáceres dois adultos e cinco adolescentes. Os adultos são L.G., apontado pela PM como autor dos disparos, e L.D.P., de 19 anos. Como parte dos envolvidos é menor de idade, os nomes aparecem apenas pelas iniciais nos registros divulgados. 

Entre os adolescentes estão F.M.S., de 15 anos, apontado como responsável pela condução do veículo utilizado na ação; K.P.A., de 14 anos, suspeita de guardar e ocultar a arma; P.C.S.S., de 16 anos, que teria transportado o revólver até o imóvel onde foi escondido; L.D.S.M., de 17 anos, e D.A.S.A., de 15 anos, que, conforme a ocorrência, teriam prestado apoio aos envolvidos, inclusive na ocultação, fuga e esconderijo da arma. 

Durante as diligências, os policiais chegaram a uma residência no Residencial Valter Fidelis, onde localizaram um revólver Taurus calibre .38, apontado como a possível arma do crime. Também foram apreendidos nove munições calibre .38, cinco aparelhos celulares, um capacete, uma peça de roupa e R$ 37 em dinheiro. 

As equipes também abordaram um Volkswagen Polo branco, onde localizaram F.M.S. e L.G. Segundo as informações reunidas na ocorrência, F.M.S. teria atuado na condução utilizada durante a ação, enquanto L.G. foi apontado como o homem que efetuou os disparos contra Anderson. 

Foi justamente a versão atribuída a L.G. que abriu uma nova frente na investigação. Aos policiais, ele teria afirmado que a ação foi coordenada por integrantes do Comando Vermelho, conhecidos pelos apelidos de “Ninja”, “Religião do Mal” e “Monarca”. A informação ainda depende de confirmação pela investigação da Polícia Civil. 

Segundo esse relato, a determinação original seria matar dois homens que estariam no imóvel, e não Anderson. O suspeito teria ido até as proximidades da residência, cortado a cerca elétrica propositalmente e se escondido em uma área de mata, aguardando que alguém saísse para verificar o acionamento do sistema de segurança. 

L.G. teria contado ainda que permaneceu em uma chamada de vídeo com os supostos coordenadores da ação. Pela versão apresentada aos policiais, quando Anderson apareceu para verificar o alarme, as pessoas que acompanhavam a ação pelo celular teriam visto o militar e determinado que o suspeito atirasse. Essa narrativa será confrontada pela Polícia Civil com os demais elementos obtidos na investigação, especialmente os celulares apreendidos. 

Anderson foi atingido e morreu ainda no local. O assassinato ocorreu na madrugada de quarta-feira (30), no bairro Jardim Universitário. A partir daí, equipes do 6º Batalhão da Polícia Militar, Força Tática, Gefron e Polícia Rodoviária Federal iniciaram uma série de diligências para identificar quem havia participado diretamente do ataque e quem teria auxiliado na logística. 

As investigações apontaram inicialmente que pessoas envolvidas no apoio ao crime estariam na região da Rua da Areeira, nas proximidades de um campo de futebol do Jardim das Oliveiras, e que suspeitos teriam tentado deixar a cidade utilizando transporte por aplicativo. O compartilhamento dessas informações permitiu ampliar as buscas pela região de Cáceres e pela faixa de fronteira. 

Há uma divergência nos primeiros balanços divulgados pelas forças de segurança. Enquanto o registro detalhado reproduzido pelo Cáceres Notícias aponta sete conduzidos — dois adultos e cinco adolescentes —, outra divulgação sobre a operação informou quatro presos e três adolescentes apreendidos. O número total permanece sete, mas a classificação individual dos envolvidos deverá ser consolidada pela Polícia Civil conforme os procedimentos realizados na delegacia. 

Agora, a investigação precisa esclarecer principalmente quem eram os dois homens que deveriam ser mortos, qual a razão da suposta ordem de execução e quem são efetivamente os integrantes identificados pelos apelidos “Ninja”, “Religião do Mal” e “Monarca”. Também será necessário determinar se eles comandaram a ação à distância e qual foi exatamente a participação de cada uma das sete pessoas levadas à delegacia.

Os celulares apreendidos e a perícia no revólver calibre .38 poderão ser decisivos para confirmar ou derrubar a versão apresentada pelo suspeito. A Polícia Civil também deverá verificar eventuais registros da chamada de vídeo mencionada no relato e reconstruir a comunicação entre os envolvidos antes, durante e depois do assassinato. A atribuição do crime ao Comando Vermelho e as funções individuais descritas pela PM permanecem sob investigação e ainda não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal de cada conduzido.