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Por Nayara Cristina
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, afirmou que o ataque hacker registrado nos sistemas da Secretaria de Estado de Saúde não deve impedir o avanço da CPI da Saúde, mas admitiu que o episódio pode dificultar, atrasar e até criar uma “cortina de fumaça” sobre documentos considerados importantes para as investigações.
A declaração ocorre em meio à repercussão sobre o possível comprometimento de arquivos da SES, incluindo documentos relacionados a contratos, auditorias, relatórios internos e informações que poderiam ser requisitadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito instalada para apurar suspeitas de irregularidades na gestão da saúde pública estadual.
“Tenho certeza de que não será isso que vai impedir os trabalhos. Pode dificultar, pode atrasar, pode até tentar criar uma cortina de fumaça, mas a CPI vai buscar as informações necessárias para avançar”, afirmou Max.
O caso ganhou ainda mais gravidade após vir à tona a informação, citada pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos, de que um servidor ligado à área de Tecnologia da Informação da Secretaria de Saúde teria morrido no mesmo período em que o ataque cibernético foi identificado. Segundo Wilson, a informação chegou à comissão por meio de denúncias anônimas e ainda precisa ser oficialmente esclarecida.
O parlamentar afirmou não ter confirmação sobre a causa da morte, mas disse que a CPI pretende apurar as circunstâncias e verificar se há qualquer relação com o episódio envolvendo os sistemas da pasta. Até o momento, não há confirmação oficial de vínculo entre a morte do servidor e a invasão hacker.
A invasão, segundo informações divulgadas na imprensa, teria ocorrido em março e atingido arquivos internos da Secretaria de Saúde. Reportagens apontam que milhares de documentos teriam sido criptografados ou tornados inacessíveis, com indícios de ataque do tipo ransomware. Entre os materiais citados estão arquivos administrativos, relatórios, auditorias e documentos ligados a empresas e contratos que podem ter interesse direto para os trabalhos da CPI.
A Secretaria de Estado de Saúde, por outro lado, informou que não houve comprometimento da base de dados, que os serviços prestados à população não foram interrompidos e que as informações afetadas teriam sido recuperadas por meio de sistemas de contingência. A pasta também afirmou que não houve pagamento de resgate aos criminosos.
Max Russi adotou cautela ao comentar a suspeita de que o ataque possa ter ligação com os trabalhos da CPI, mas defendeu que o fato seja investigado com profundidade. Para ele, independentemente da motivação, o Estado precisa ter mecanismos seguros de proteção e cópias de segurança das informações públicas.
“O Estado tem que ter backup dessas informações. Qualquer estrutura, seja a Assembleia, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público ou grandes empresas, precisa armazenar seus dados em mais de um local. Se não tiver isso, aí é incompetência por parte do Estado”, afirmou.
O presidente da Assembleia também destacou que, em estruturas do porte do governo estadual, informações sensíveis não podem depender de um único ambiente digital. Segundo ele, qualquer ataque, falha técnica ou incidente externo deve encontrar uma barreira de proteção capaz de preservar documentos públicos e permitir a recuperação integral dos dados.
A CPI da Saúde já discute a necessidade de pedir informações detalhadas à SES e à Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação sobre a origem do ataque, os sistemas atingidos, a política de backup, os procedimentos de recuperação dos arquivos e a eventual comunicação do episódio às autoridades competentes.
Deputados também querem saber quais documentos foram efetivamente afetados, se houve perda definitiva de informações e se contratos, relatórios e auditorias requisitados pela CPI estão entre os arquivos comprometidos. A preocupação central é saber se o episódio pode prejudicar a reconstrução documental necessária para o relatório final da comissão.
A CPI investiga contratos e atos administrativos da Secretaria de Saúde, com foco em suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos públicos. O avanço dos trabalhos depende do acesso a documentos oficiais, relatórios técnicos, contratos, notas, processos de compra e registros administrativos produzidos durante os períodos sob apuração.
Para Max Russi, a resposta institucional precisa ir além da recuperação dos dados. O deputado defende que o episódio sirva para ampliar a transparência sobre contratos, emendas parlamentares e aplicação de recursos públicos na saúde.
“Tudo o que a gente fizer para dar mais transparência e acompanhamento em termos de emendas parlamentares e recurso público é importante. As emendas chegam com investimentos setorizados em municípios onde, muitas vezes, projetos macros do governo não chegam. Por isso, é preciso tornar público como está sendo gasto e investido esse dinheiro”, afirmou.
A comissão deve seguir cobrando explicações formais do governo e dos órgãos técnicos responsáveis pela segurança digital. A apuração também poderá indicar se houve apenas falha de segurança, negligência administrativa ou algum tipo de ação deliberada para dificultar o acesso da CPI a documentos sensíveis.
Enquanto isso, a morte do servidor citada por Wilson Santos e o ataque hacker à SES passam a integrar o conjunto de fatos paralelos que a CPI pretende esclarecer. A comissão quer saber se os episódios são isolados ou se revelam uma sequência de falhas e omissões capazes de comprometer a transparência das investigações.
Max Russi, no entanto, reforça que a CPI não deve parar diante das dificuldades. Para ele, mesmo que documentos digitais tenham sido apagados, criptografados ou temporariamente inacessíveis, o Estado deve dispor de cópias em outros ambientes, e a Assembleia tem o dever de buscar todas as informações necessárias para concluir os trabalhos.
O caso permanece sob investigação e deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, com pedidos de perícia técnica, cobrança de relatórios oficiais e convocação de responsáveis para explicar o real impacto da invasão cibernética sobre os arquivos da Secretaria de Saúde.
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