MAPA ELEITORAL

Pivetta passa de 61%; Lúdio Cabral lidera posição, Max vem forte em segundo e Samantha aparece entre os mais votados à ALMT

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Pivetta passa de 61%; Lúdio Cabral lidera posição, Max vem forte em segundo e Samantha aparece entre os mais votados à ALMT

JB News

Por José Teixeira

URNAS ABERTAS

Com quase 80% das urnas apuradas em Mato Grosso, Otaviano Pivetta abre ampla vantagem sobre Wellington Fagundes; disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia começa a desenhar seus principais nomes e aponta para uma nova configuração de forças a partir de 2027

A apuração das eleições de 2026 começa a desenhar um cenário cada vez mais definido em Mato Grosso. Com quase 80% das urnas contabilizadas no Estado, Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece com aproximadamente 61,14% dos votos na disputa pelo Governo, enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) registra pouco mais de 22%.

Os números ainda são parciais e podem sofrer alterações até a totalização dos votos pela Justiça Eleitoral, mas a vantagem construída por Pivetta nesta etapa da apuração já o coloca em posição amplamente confortável na disputa pelo comando do Palácio Paiaguás.

A movimentação também chama atenção na disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), onde nomes conhecidos da política estadual aparecem misturados a candidaturas que ganham força nas urnas.

Ludio Cabral do PT ocupa, neste momento da apuração, a primeira colocação entre os candidatos a deputado estadual, com 72.091 votos. Logo atrás aparece o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, com aproximadamente 64 mil votos.

Gilberto Cattani surge na sequência, com 57.756 votos. Uma das principais novidades da apuração é Samantha Iris, primeira-dama de Cuiabá e esposa do prefeito Abilio Brunini, que já contabiliza 49.953 votos e aparece na quarta colocação neste recorte da contagem.

Ulisses Moraes vem logo depois, com 45.471 votos, seguido por Gilmar Dal Bosco, com 43.500. Alessandra Ferreira registra 41.385 votos, enquanto Peto Dois a Um soma 39.225.

Dr. João aparece com 36.068 votos e Léo Bertolini fecha, neste momento, o grupo dos dez candidatos mais votados, com 35.763 votos.

Na sequência aparecem Faissal Calil, com 32.265 votos; Thiago Silva, com 31.017; Diego Guimarães, com 30.612; Eduardo Botelho, com 29.641; Dr. Eugênio, com 28.204; Ari Lafin, com 27.920; Fabinho Tardim, com 26.656; Nininho, com 25.678; Carlos Avallone, com 24.119; e o engenheiro Sebastião Rezende, com 22.962 votos.

O desempenho de Samantha Iris é um dos pontos de destaque desta primeira fotografia das urnas. Em sua estreia na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, ela aparece entre os quatro nomes com maior votação no Estado, enquanto políticos já consolidados, como Max Russi, Gilberto Cattani, Dr. João, Faissal Calil, Thiago Silva, Diego Guimarães, Eduardo Botelho, Dr. Eugênio, Nininho, Carlos Avallone e Sebastião Rezende, também figuram entre as principais votações.

NOVO DESENHO DE PODER

Além dos números individuais, a apuração começa a revelar algo que terá peso político a partir de janeiro de 2027: a configuração da Assembleia que poderá dividir o poder estadual com Otaviano Pivetta caso a vantagem registrada nas urnas seja confirmada.

A eleição de 2026 ocorre depois de um período em que o Legislativo estadual ampliou sua influência nas grandes decisões de Mato Grosso. A Assembleia deixou de ser apenas uma Casa de sustentação do Executivo e passou a ocupar posição central nas discussões envolvendo orçamento, investimentos, incentivos fiscais, infraestrutura, saúde e articulação política com os municípios.

É nesse ambiente que Max Russi surge novamente com votação expressiva. Presidente da Assembleia e uma das principais lideranças políticas do Estado, Max atravessou a campanha percorrendo dezenas de municípios e chega à apuração com força eleitoral suficiente para permanecer entre os personagens centrais da política mato-grossense na próxima legislatura.

Ao mesmo tempo, as urnas apontam para o fortalecimento de uma ala mais identificada com a direita. Gilberto Cattani aparece entre os três primeiros colocados, enquanto Samantha Iris desponta em quarto lugar. Ulisses Moraes também figura entre os mais votados e Diego Guimarães permanece no grupo de candidatos com votação expressiva.

A presença de Samantha entre as maiores votações também projeta para dentro da Assembleia a força política construída em Cuiabá pelo prefeito Abilio Brunini. Caso sua eleição seja confirmada após a aplicação do sistema proporcional, a primeira-dama chegará ao Parlamento estadual respaldada por uma votação individual expressiva e ligada diretamente a um dos principais grupos políticos da Capital.

Outro elemento importante é a presença de Diego Guimarães entre os nomes que avançam na disputa. Filiado ao Republicanos, mesmo partido de Pivetta, o deputado pode integrar uma bancada diretamente vinculada à legenda do eventual governador, fator relevante na montagem da base política do próximo governo dentro da Assembleia.

Ao lado desses movimentos, permanecem nomes experientes e com forte presença no interior, como Dr. João, Thiago Silva, Eduardo Botelho, Dr. Eugênio, Nininho, Carlos Avallone e Sebastião Rezende. A fotografia parcial das urnas, portanto, não indica simplesmente uma ruptura com a atual Assembleia, mas uma combinação entre continuidade, renovação e fortalecimento de novos grupos.

Esse equilíbrio será fundamental para Pivetta caso sua vitória seja confirmada.

Com mais de 61% dos votos neste estágio da apuração, Pivetta não estaria apenas conquistando o Governo. Uma vitória com essa dimensão lhe daria forte capital político para iniciar a montagem da próxima administração e negociar sua base na Assembleia. O tamanho dessa base, entretanto, dependerá da composição final das 24 cadeiras e, principalmente, das alianças construídas após a eleição.

Pivetta chega a esse momento depois de construir sua trajetória política como empresário, prefeito de Lucas do Rio Verde, deputado estadual e vice-governador, tornando-se uma das figuras centrais do grupo que comandou Mato Grosso nos últimos anos. Durante a campanha, procurou associar seu projeto à continuidade administrativa, à austeridade fiscal e aos investimentos realizados pelo Estado, ao mesmo tempo em que buscou imprimir características próprias à candidatura.

Do outro lado, Wellington Fagundes entrou na eleição representando outra parcela da direita mato-grossense. A campanha expôs uma divisão desse campo político no Estado, com lideranças conservadoras distribuídas entre os dois projetos. A diferença superior a 38 pontos percentuais registrada nesta etapa da apuração mostra, até aqui, uma concentração muito maior do eleitorado em torno de Pivetta.

Na Assembleia, porém, a lógica será diferente. Independentemente do resultado majoritário, o próximo governador terá que construir diálogo com parlamentares de diferentes partidos e grupos políticos.

É justamente aí que nomes como Max Russi ganham ainda mais relevância. Com experiência na condução da Assembleia e trânsito entre deputados, prefeitos e o Executivo, Max poderá permanecer como uma das peças fundamentais na organização do Legislativo durante o próximo ciclo político.

A relação entre um eventual governo Pivetta e a futura Assembleia também terá personagens com bases políticas próprias. Samantha chega ligada ao grupo de Abilio em Cuiabá; Cattani mantém identidade política fortemente associada ao eleitorado conservador; Max possui uma estrutura estadual consolidada; enquanto outros parlamentares mantêm bases regionais espalhadas pelo interior.

O resultado pode produzir uma Assembleia com diferentes polos de influência, obrigando o Palácio Paiaguás a construir maioria a partir de uma composição mais ampla.

A relação dos mais votados, porém, não representa necessariamente a composição definitiva da próxima legislatura. A eleição para deputado estadual segue o sistema proporcional, no qual a definição das 24 cadeiras depende também do desempenho dos partidos e federações, dos quocientes eleitoral e partidário e da distribuição das vagas.

Por isso, candidatos que aparecem entre os mais votados individualmente ainda dependem do desempenho de suas respectivas legendas para a confirmação matemática das cadeiras, enquanto outros nomes posicionados abaixo deles podem conquistar mandato pela distribuição proporcional.

No Executivo, a fotografia deste estágio da apuração mostra Pivetta com vantagem superior a 38 pontos percentuais sobre Wellington. O candidato do Republicanos ultrapassa a marca dos 60%, enquanto Wellington, candidato do PL e representante de uma das principais alas da direita no Estado, permanece pouco acima dos 22%.

Se esse desenho for confirmado na totalização, Mato Grosso poderá sair das urnas não apenas com uma definição expressiva para o Governo, mas com uma Assembleia em processo de rearranjo político.

De um lado estarão lideranças tradicionais que renovam sua força eleitoral. De outro, nomes que chegam respaldados por novos grupos e votações expressivas. No centro dessa articulação estará um eventual governo Pivetta buscando transformar a força demonstrada nas urnas em maioria parlamentar para executar sua agenda a partir de 2027.

Com a apuração avançando para sua reta final, Mato Grosso começa, portanto, a conhecer muito mais do que seus próximos eleitos. As urnas começam a desenhar a correlação de forças que poderá determinar a relação entre Palácio Paiaguás e Assembleia Legislativa pelos próximos quatro anos.

Os números permanecem em atualização e somente a totalização oficial confirmará os eleitos e o tamanho de cada bancada.