GUERRA ABERTA

Pivetta parte para o ataque, chama Wellington de “negociador voraz de emendas” e dispara: “Só fez negócio a vida inteira no governo”

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Pivetta parte para o ataque, chama Wellington de “negociador voraz de emendas” e dispara: “Só fez negócio a vida inteira no governo”

JB News

Por José Teixeira

A disputa pelo Governo de Mato Grosso ganhou contornos de guerra aberta nesta sexta-feira (14). Depois de ser comparado ao senador Wellington Fagundes (PL) e virar alvo de críticas do grupo adversário, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à reeleição, abandonou o tom moderado e respondeu com acusações pesadas contra o principal concorrente ao Palácio Paiaguás.

Durante entrevista coletiva realizada pela manhã, no Palácio Paiaguás, onde tratou de obras em andamento no estado, Pivetta não economizou palavras ao reagir às declarações feitas por Wellington. O governador rejeitou qualquer comparação entre as trajetórias dos dois e acusou o senador de construir sua carreira política em torno da distribuição e da negociação de emendas parlamentares.

O embate ocorre em meio à escalada da tensão eleitoral. Wellington passou a reunir em seu entorno lideranças que romperam ou se afastaram do atual grupo governista, entre elas o senador Jayme Campos (União Brasil), formando uma frente de oposição contra a permanência de Pivetta no comando do estado. A troca de ataques também acontece no momento em que a distância entre os principais candidatos diminui nas pesquisas e a campanha começa a ganhar temperatura.

Visivelmente incomodado, Pivetta afirmou que não aceitará ser colocado no mesmo patamar do adversário. Segundo o governador, enquanto sua história foi construída no trabalho, na produção e na iniciativa privada, Wellington teria seguido diretamente para a política e nunca acumulado experiência empresarial ou administrativa no Poder Executivo.

“Ele precisa comparar a trajetória dele com a minha. A minha é a trajetória de um trabalhador que começou aos 15 anos, produziu, gerou resultados e entrou para a política com a vida feita para servir ao povo. Diferente dele, que se formou agrônomo, foi para a política; formou-se veterinário, foi para a política; nunca atuou empresarialmente e só fez negócio no governo”, disparou.

Pivetta também associou Wellington aos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Conforme o governador, o senador exerceu influência sobre a liberação de recursos federais e ocupou posições estratégicas durante as administrações petistas.

“Lula 1, Lula 2, Dilma 1 e Dilma 2. Ele mandava em todas as emendas, mandava em todas as áreas”, acusou.

Ao aprofundar o ataque, o governador mencionou personagens ligados a administrações passadas de Mato Grosso e fez referência a delações que revelaram esquemas de corrupção no estado. Pivetta afirmou que, durante a campanha, seu grupo pretende expor informações relacionadas à destinação de emendas parlamentares atribuídas ao senador.

Na avaliação de Pivetta, Wellington passou décadas no Congresso Nacional sem apresentar uma lei de grande impacto para a população brasileira. O governador ainda desafiou o adversário a demonstrar onde foram aplicados os recursos destinados por ele ao longo dos últimos anos.

“Ele está há dez mandatos no Congresso. Só nos últimos 12 anos em que é senador, distribuiu mais de R$ 1,5 bilhão em emendas. Procurem saber onde estão as emendas dele”, declarou.

Pivetta comparou o montante mencionado por ele ao investimento necessário para a construção de grandes unidades hospitalares. Segundo o governador, R$ 1,5 bilhão seria suficiente para erguer quatro hospitais do porte do Hospital Central de Mato Grosso.

“Um bilhão e meio daria para fazer quatro hospitais centrais como esse que está sendo inaugurado. Tem algum hospital que ele fez? Com R$ 1,5 bilhão distribuído nos últimos 12 anos, existe algum hospital feito por ele?”, questionou.

No trecho mais duro da entrevista, Pivetta classificou Wellington como um político especializado na negociação de emendas e prometeu transformar o assunto em uma das principais linhas de confronto da campanha eleitoral.

“Durante a campanha, nós vamos mostrar muita coisa sobre emenda. Ele é um negociador voraz de emendas. Essa é a profissão dele”, atacou.

O governador também afirmou que considera ofensiva a tentativa de igualar as duas trajetórias. Pivetta lembrou sua passagem pela Prefeitura de Lucas do Rio Verde e sua atuação na iniciativa privada para sustentar que possui experiência administrativa e resultados concretos, ao contrário do senador, cuja carreira foi predominantemente construída no Legislativo.

“Eu não vou suportar uma comparação com alguém que nunca trabalhou no Executivo, só no Legislativo, e não tem uma lei sequer na história dele que tenha sido importante para a sociedade brasileira”, completou.

A manifestação representa uma mudança clara no tom adotado por Pivetta. Se antes o governador evitava responder diretamente às provocações, agora sinaliza que enfrentará Wellington no campo político, administrativo e pessoal. A promessa de abrir a “caixa-preta” das emendas indica que o tema deverá ocupar espaço central na campanha.

As declarações sobre corrupção, negócios com governos e negociação de emendas são acusações feitas por Otaviano Pivetta e não foram acompanhadas, durante a coletiva, da apresentação de documentos que comprovassem eventuais irregularidades. Wellington Fagundes deverá ser procurado para apresentar sua versão, e o espaço permanece aberto para manifestação do senador.

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