SUCESSÃO ESTADUAL

“Não aceita criticas” Wellington minimiza apoio de prefeitos a Pivetta e reage após ser chamado de “desprezível”

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“Não aceita criticas” Wellington minimiza apoio de prefeitos a Pivetta e reage após ser chamado de “desprezível”

JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

O senador Wellington Fagundes (PL), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026, adotou um discurso de cautela ao comentar a mais recente pesquisa eleitoral divulgada no Estado e aproveitou a entrevista para reagir ao avanço das articulações políticas do grupo liderado pelo governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos), especialmente após uma sequência de prefeitos do próprio Partido Liberal declararem apoio ao projeto governista. Ao mesmo tempo, respondeu às críticas feitas pelo governador Mauro Mendes (União Brasil), que recentemente o classificou como “desprezível” durante um embate público sobre o pedido de empréstimo bilionário encaminhado pelo Executivo à Assembleia Legislativa.

Embora tenha comemorado o desempenho nas pesquisas de intenção de voto, Wellington afirmou que levantamentos eleitorais representam apenas uma fotografia do momento e não podem ser tratados como resultado definitivo da disputa. Segundo ele, há mais de um ano seu nome aparece na liderança dos principais levantamentos realizados em Mato Grosso, mas o cenário ainda está em construção e somente será definido ao longo dos próximos meses.

Para o senador, quanto maior o número de candidatos, melhor para a democracia, pois amplia as opções para que a população escolha aquele que considera mais preparado para administrar o Estado. Ele afirmou que sua estratégia continuará sendo percorrer Mato Grosso, visitar municípios, ouvir lideranças, dialogar com a população e fortalecer sua pré-candidatura antes do período oficial da campanha.

Wellington ressaltou que encara a política como um aprendizado permanente e afirmou que ninguém governa sozinho. Segundo ele, ouvir as pessoas, compreender as necessidades de cada município e manter diálogo constante são pilares que pretende continuar adotando durante toda a caminhada eleitoral.

Questionado sobre a crescente adesão de prefeitos do PL ao projeto político de Otaviano Pivetta, Wellington evitou transformar o assunto em confronto direto. Nos últimos dias, os prefeitos Sérgio Machnic, de Primavera do Leste, Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Rafael Machado, de Campo Novo do Parecis, anunciaram apoio ao grupo governista, movimento interpretado nos bastidores como uma baixa importante para o projeto eleitoral do senador dentro do próprio partido.

Apesar do impacto político das declarações, Wellington minimizou as adesões e afirmou que cada gestor possui liberdade para fazer suas escolhas.

“Cada um tem o direito de escolher o que considera melhor”, afirmou, lembrando que até a realização das convenções partidárias, previstas para ocorrer até o início de agosto, ninguém é oficialmente candidato, mas apenas pré-candidato.

O senador disse acreditar que ainda há muito espaço para diálogo e que continuará trabalhando para conquistar apoios, principalmente da população. Segundo ele, o momento exige serenidade e construção política, sem precipitações.

Na tentativa de demonstrar que mantém bom relacionamento com os municípios, Wellington lembrou que esteve recentemente com o prefeito de Primavera do Leste, que, segundo ele, agradeceu pelos recursos destinados à cidade. Também destacou os investimentos encaminhados para Rondonópolis e afirmou ter liberado R$ 5 milhões para a saúde de Várzea Grande, além de atuar para destravar aproximadamente R$ 70 milhões destinados às obras de saneamento do município.

Segundo Wellington, essa é justamente a missão de um parlamentar: buscar recursos em Brasília para fortalecer estados e municípios, independentemente de disputas partidárias.

“Nosso papel não é executar obras. Nosso papel é ajudar os governos municipais e estaduais a realizarem investimentos”, afirmou.

Ele fez questão de destacar que, inclusive, destinou recursos para ações do atual Governo de Mato Grosso, afirmando que sempre atuou de forma institucional, mesmo sem fazer parte da base política do governador.

Ao comentar as recentes inaugurações promovidas pelo Governo do Estado, Wellington voltou a cobrar reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no Congresso Nacional, especialmente em relação à implantação da ferrovia estadual.

Segundo ele, durante evento em Primavera do Leste, Mauro Mendes atribuiu exclusivamente ao Governo de Mato Grosso o mérito pela obra, ignorando todo o processo legislativo que tornou possível a implantação do novo modelo ferroviário.

O senador afirmou que a ferrovia nasceu a partir da aprovação do novo Marco Regulatório das Ferrovias, construída no Congresso Nacional. Disse que trabalhou ao lado do senador Jayme Campos para viabilizar uma emenda à Constituição Estadual que permitisse a implantação da primeira ferrovia brasileira por autorização.

Além disso, lembrou que participou das articulações envolvendo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Tribunal de Contas da União, Sudeco e Governo Federal para consolidar juridicamente o projeto.

Segundo Wellington, também atuou diretamente para garantir aproximadamente R$ 400 milhões da Sudeco destinados ao empreendimento, além dos financiamentos concedidos pelo BNDES.

Ele afirmou que a obra não pertence exclusivamente a um governo, mas representa um esforço conjunto entre Congresso Nacional, Governo Federal, Governo do Estado e diversos órgãos técnicos.

O senador também reforçou que sua atuação parlamentar sempre esteve concentrada na melhoria da infraestrutura logística de Mato Grosso. Como presidente da Frente Parlamentar de Logística, afirmou ter participado de diversos projetos voltados à expansão ferroviária, modernização das rodovias federais e fortalecimento da hidrovia Paraguai-Paraná.

Entre os exemplos citados, destacou a aprovação da extensão da ferrovia em direção à região de Cáceres, os projetos de dragagem da hidrovia e os investimentos destinados à BR-070, defendendo que essas iniciativas representam uma política permanente para reduzir custos de transporte da produção mato-grossense.

Ao voltar ao tema das movimentações políticas envolvendo prefeitos, Wellington afirmou considerar natural que os gestores municipais procurem o Governo do Estado para reivindicar investimentos e obras.

Segundo ele, o próprio governador possui obrigação administrativa de atender os municípios, já que os recursos públicos pertencem à população.

No entanto, fez uma ressalva importante ao afirmar esperar que esses investimentos não estejam sendo utilizados como instrumento de convencimento político.

Sem fazer acusações diretas, declarou que a legislação eleitoral não permite qualquer tipo de favorecimento em troca de apoio político e afirmou que acompanhará atentamente para que todos os municípios sejam tratados de forma igualitária.

“Espero que isso não esteja sendo feito com direcionamento. Os recursos públicos pertencem a todos os municípios e não apenas aos aliados do governo”, afirmou.

A entrevista também foi marcada pela resposta às duras críticas feitas pelo governador Mauro Mendes após Wellington questionar o projeto de lei que prevê um empréstimo bilionário para financiar o programa habitacional do Estado.

Durante o embate, Pivetta, classificou o senador como “desprezível” e afirmou que ele desconheceria princípios básicos de gestão pública.

Questionado sobre essas declarações, Wellington afirmou que autoridades públicas devem manter respeito institucional entre si e também com a imprensa, defendendo que divergências políticas precisam ocorrer no campo das ideias e não por meio de ataques pessoais.

Segundo ele, ser chamado de “desprezível” extrapola o debate administrativo e demonstra um ambiente de intolerância às críticas.

O senador afirmou que jamais fez críticas pessoais ao governador, limitando-se a questionar a forma como o Governo pretende financiar a política habitacional.

Wellington reforçou que sua posição nunca foi contrária à construção de moradias populares. Segundo ele, o Estado possui um déficit superior a 100 mil habitações e precisa ampliar os investimentos no setor.

Sua discordância, explicou, está na decisão de contratar um novo empréstimo bilionário que acabará sendo pago pelas futuras administrações, enquanto já existe uma fonte permanente de recursos por meio do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab).

Ele lembrou que o Fethab foi criado originalmente para financiar estradas e habitação, mas teve sua finalidade alterada ao longo dos anos.

Segundo Wellington, quem financia o fundo — principalmente produtores rurais, médios e pequenos — nunca foi ouvido sobre essa mudança.

O senador afirmou ainda que, no último ano, menos de 3% dos recursos arrecadados pelo Fethab foram destinados à habitação e praticamente nada ao saneamento básico, justamente duas áreas que considera prioritárias para melhorar a qualidade de vida da população.

Na avaliação do parlamentar, antes de buscar novos empréstimos, o Governo deveria cumprir a finalidade original da legislação e utilizar corretamente os recursos já existentes.

Ao comentar a reação de Mauro Mendes às suas críticas, Wellington afirmou que o governador demonstrou irritação excessiva.

“Ele ficou obcecado. Não aceita críticas. Isso mostra arrogância”, declarou.

Mesmo diante das divergências políticas, Wellington afirmou que continuará apresentando críticas sempre que considerar necessário, sustentando que o papel da oposição e das instituições é justamente fiscalizar as ações do Poder Executivo.

Ao encerrar a entrevista, o senador voltou a afirmar que continuará percorrendo Mato Grosso, fortalecendo alianças e dialogando com lideranças municipais, acreditando que a disputa pelo Governo do Estado ainda passará por muitas mudanças até a realização das convenções partidárias.

Enquanto Otaviano Pivetta amplia sua base de apoio entre prefeitos e partidos aliados do atual governo, Wellington aposta na estrutura do PL, na presença consolidada no interior e na experiência acumulada ao longo da carreira política para tentar manter sua liderança na corrida sucessória e enfrentar um cenário que promete se tornar ainda mais acirrado nos próximos meses.

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