Por José Teixeira
JBNews
Presidente da ALMT afirma que governador começa bem ao buscar diálogo com deputados e defende reorganização administrativa sem comprometer serviços públicos; proposta deverá passar pelo Legislativo
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), elogiou a condução política do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e sinalizou apoio à proposta de reduzir o tamanho da máquina pública estadual. Em manifestação divulgada neste sábado (17 de outubro de 2026), o parlamentar destacou a disposição do chefe do Executivo para manter o diálogo com os deputados e demonstrou confiança nas primeiras iniciativas anunciadas para a reorganização administrativa do Estado.
Para Max, a aproximação institucional entre os dois Poderes representa um sinal positivo para a continuidade dos investimentos e a execução de projetos considerados estratégicos para Mato Grosso. O presidente da Assembleia também avaliou favoravelmente a intenção de Pivetta de revisar a estrutura administrativa, reduzir despesas e tornar o funcionamento do Governo mais eficiente.
“Começa muito bem, o Pivetta está procurando o diálogo com a Assembleia, está com boas ideias, como a redução no tamanho da máquina, acho que ele começa muito bem. Eu estou com muita expectativa e tenho certeza que tem tudo para fazer um excelente governo”, afirmou Max Russi.
A declaração ocorre em meio às articulações para a reforma administrativa que Pivetta pretende implementar no novo mandato, iniciado em janeiro de 2027. Reeleito no primeiro turno das eleições de 4 de outubro, o governador colocou a revisão dos gastos públicos entre as prioridades da próxima etapa de sua gestão.
O projeto de reorganização deverá analisar despesas de custeio, estrutura das secretarias, distribuição de servidores, contratos administrativos e possíveis sobreposições de funções entre órgãos estaduais. O objetivo anunciado pelo Executivo é diminuir o custo de funcionamento do Estado, preservar os serviços essenciais e manter a capacidade de investimento em áreas como infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.
A elaboração do diagnóstico foi atribuída ao ex-secretário de Fazenda e procurador do Estado Rogério Gallo, que recebeu a missão de avaliar a estrutura administrativa e apresentar alternativas para reduzir despesas. O trabalho também envolve a análise dos impactos financeiros de eventuais mudanças na organização do Governo.
Entre as possibilidades discutidas publicamente estão a reorganização de órgãos, a revisão de contratos e a redução de gastos administrativos. Entretanto, até o momento, não há confirmação de quais secretarias poderão ser fundidas, quais cargos poderão ser extintos ou qual economia efetiva será alcançada.
A proposta também ganhou relevância diante das preocupações do Governo com a manutenção das receitas estaduais e o financiamento de investimentos públicos. A administração estadual pretende preservar recursos para obras e serviços, ao mesmo tempo em que busca conter o crescimento das despesas de funcionamento.
Nesse cenário, o apoio de Max Russi é politicamente importante porque mudanças na estrutura do Executivo poderão depender de projetos de lei submetidos à Assembleia Legislativa. Caberá aos deputados analisar o conteúdo das propostas, apresentar eventuais alterações e deliberar sobre medidas que exijam autorização legislativa.
A manifestação divulgada neste sábado reforça uma posição que o presidente da Assembleia já havia expressado em 9 de outubro, quando defendeu a necessidade de uma administração pública mais enxuta, desde que o processo não prejudique os serviços oferecidos à população.
Na ocasião, Max afirmou que o Governo teria respaldo do Legislativo para discutir mudanças consideradas necessárias e resumiu sua posição na defesa de um Estado menor em estrutura, mas capaz de cumprir suas obrigações.
“Acho que o Estado mínimo, mas o Estado necessário, é o que nós precisamos trabalhar”, declarou o deputado durante entrevista concedida naquele período.
O presidente da ALMT também destacou que a redução de despesas precisa estar acompanhada de resultados concretos para a população. A reorganização administrativa, na avaliação do parlamentar, não deve ser medida apenas pela quantidade de cargos ou órgãos eventualmente eliminados, mas pela capacidade de melhorar o atendimento público e garantir a continuidade das políticas estaduais.
A relação institucional entre Max Russi e Otaviano Pivetta ganhou maior proximidade em março de 2026, quando o republicano assumiu interinamente o comando do Executivo estadual. Desde então, os dois mantêm interlocução política e administrativa sobre matérias de interesse do Governo e do Parlamento.
A aproximação também foi fortalecida durante as eleições de outubro, quando ambos integraram o mesmo campo político. Pivetta conquistou a reeleição ao Governo de Mato Grosso no primeiro turno, enquanto Max obteve uma votação expressiva na disputa pela Assembleia Legislativa.
Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Pivetta recebeu 1.128.099 votos, correspondentes a 60,77% dos votos válidos, consolidando sua vitória sem necessidade de segundo turno. O governador disputou a eleição com Gisela Simona (União Brasil) como candidata a vice-governadora.
A vitória eleitoral ampliou a responsabilidade política de Pivetta na condução do Estado e abriu uma nova fase de articulação com os deputados estaduais, especialmente diante da intenção de promover alterações administrativas para o período de 2027 a 2030.
Embora o presidente da Assembleia demonstre confiança no governador, a cooperação institucional não elimina a independência entre os Poderes. O Legislativo permanece responsável por fiscalizar as ações do Executivo, analisar a aplicação dos recursos públicos, acompanhar a execução orçamentária e votar propostas encaminhadas pelo Governo.
Essa autonomia será especialmente relevante na discussão da reforma administrativa, uma vez que eventuais mudanças poderão atingir a estrutura de órgãos estaduais, despesas com pessoal, contratos e a organização de serviços públicos.
A proposta também deverá ser acompanhada pelas categorias do funcionalismo, que cobram valorização profissional e recomposição de perdas salariais. A discussão sobre o enxugamento da máquina pública poderá provocar debates sobre a preservação de direitos dos servidores, a continuidade dos atendimentos e os limites das medidas de contenção de despesas.
O Governo ainda terá de apresentar os efeitos financeiros das alterações pretendidas, incluindo a estimativa de economia, os custos de implementação e os impactos sobre os serviços prestados à população.
Outro aspecto da relação entre Executivo e Legislativo envolve a composição política da Assembleia a partir de fevereiro de 2027, quando terá início a nova legislatura. Max Russi, que preside atualmente a Casa, participa das articulações para a escolha da futura Mesa Diretora, responsável pela condução administrativa e política do Parlamento.
A definição da nova direção da Assembleia ocorrerá em um momento no qual o Governo buscará apoio para medidas estruturais, projetos orçamentários e propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico de Mato Grosso.
A sinalização de Max, entretanto, não representa aprovação antecipada de qualquer projeto de reforma administrativa. O conteúdo das propostas ainda precisará ser apresentado oficialmente, analisado pelas comissões competentes e submetido à deliberação dos parlamentares, conforme as exigências legais.
Ao elogiar a postura de Pivetta, o presidente da Assembleia indica que pretende manter aberto o canal de negociação entre os Poderes, sem antecipar o resultado das discussões legislativas.
Para o governador, a disposição de diálogo manifestada por Max poderá facilitar a construção de consensos em torno das medidas administrativas. Para a Assembleia, a discussão representará uma oportunidade de avaliar se a redução da estrutura estatal produzirá economia efetiva e melhorias no atendimento à população.
A manifestação deste sábado consolida, portanto, uma sinalização política de cooperação entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa, em um momento no qual o Governo prepara mudanças na administração estadual e busca estabelecer as prioridades do novo mandato.