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Da redação
Pastor pede votos para chapa de Wellington Fagundes e Reinaldo Morais em momento em que candidato tenta fortalecer eleitorado conservador e conter perdas dentro do próprio PL
O pastor Silas Malafaia, uma das lideranças evangélicas de maior projeção no campo conservador brasileiro, entrou diretamente na campanha pelo Governo de Mato Grosso e declarou apoio ao senador Wellington Fagundes (PL), que disputa o Palácio Paiaguás tendo Reinaldo Morais (Novo) como candidato a vice.
Em vídeo direcionado aos eleitores mato-grossenses, Malafaia pediu votos para a chapa e associou Wellington e Reinaldo às principais bandeiras defendidas pelo segmento conservador e cristão.
“Eles têm compromisso com pátria, família, liberdade e valores cristãos”, afirmou.
Malafaia encerrou a manifestação fazendo um pedido direto ao eleitorado: “Mato Grosso, é 22 pra governador”.
A entrada do pastor na campanha ocorre em um momento politicamente sensível para Wellington.
Embora o candidato do PL permaneça competitivo e apareça numericamente na liderança em alguns levantamentos, sua campanha enfrenta um movimento incomum dentro da própria legenda: prefeitos e candidatos liberais romperam a orientação partidária ou anunciaram que não estarão no palanque do senador.
Entre os casos de maior repercussão estão a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, e o prefeito Sérgio Machnic, que declararam apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A direção estadual do PL reagiu. O presidente da legenda em Mato Grosso, Ananias Filho, anunciou procedimentos internos para analisar as condutas dos gestores, com possibilidade de punições partidárias
O problema para Wellington não ficou restrito aos prefeitos.
O candidato a deputado federal Thiago Boava, identificado politicamente com o grupo Bolsonaro, também anunciou que não apoiará a candidatura de Wellington e afirmou estar sendo prejudicado dentro do partido por se recusar a integrar o projeto estadual da legenda.
Boava chegou a denunciar pressão relacionada à distribuição de recursos partidários. A acusação é dele e não representa comprovação de irregularidade por parte do PL
É nesse cenário que o apoio de Malafaia ganha importância política.
A campanha de Wellington passa a buscar uma liderança nacional capaz de dialogar diretamente com um eleitorado conservador que, em tese, deveria estar naturalmente próximo do candidato do PL, mas que em Mato Grosso não aparece integralmente consolidado em torno de sua candidatura.
Os próprios números ajudam a explicar a movimentação.
A Paraná Pesquisas, divulgada em 9 de setembro, mostrou Pivetta com 40,8%, contra 30% de Wellington. Doutora Natasha (PSD) apareceu com 12%.
Na comparação com a rodada anterior do instituto, Pivetta avançou 1,8 ponto percentual, enquanto Wellington recuou cinco pontos.
O levantamento entrevistou 1.352 eleitores entre 6 e 8 de setembro, em 52 municípios. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais e o registro no Tribunal Superior Eleitoral é MT-01505/2026.
Um recorte dessa mesma pesquisa ajuda a compreender por que a campanha pode considerar estratégico o apoio de uma liderança religiosa nacional.
Entre os entrevistados que disseram ter participado de cerimônias religiosas nos dias anteriores à pesquisa, Pivetta alcançou 43,7%, enquanto Wellington registrou 29,6%.
O levantamento não permite tratar esse grupo automaticamente como eleitorado evangélico, porque a pergunta abrange participação em cerimônias religiosas de forma geral. Ainda assim, o resultado revela uma vantagem expressiva do governador dentro de um segmento no qual a candidatura do PL tenta avançar.
Mas a fotografia eleitoral muda significativamente quando outro instituto entra em campo.
Pesquisa AtlasIntel, divulgada em 11 de setembro, colocou Wellington numericamente na frente, com 34,4%, contra 30,8% de Pivetta.
Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois aparecem em empate técnico.
Doutora Natasha alcançou 23,2%, seguida por Rafaell Millas, com 3,5%; Maurício Coelho, com 1,3%; e Sargento Laudicério, com 0,7%.
A AtlasIntel ouviu 1.209 eleitores entre 4 e 9 de setembro. O levantamento está registrado no TSE sob o número MT-02766/2026.
A Atlas também testou um eventual segundo turno entre Wellington e Pivetta.
Nesse cenário, Wellington aparece com 40,4%, enquanto Pivetta registra 36,9%. Pela margem de erro do levantamento, novamente não existe vantagem estatisticamente conclusiva entre os dois.
Uma terceira pesquisa reforça como os institutos estão produzindo fotografias diferentes da eleição.
O Real Time Big Data, em levantamento divulgado no início de setembro, colocou Wellington com 34% e Pivetta com 27% no primeiro turno.
Em eventual segundo turno, Wellington marcou 45% contra 33% do governador.
O Real Time ouviu 1.600 eleitores entre 29 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada sob o número MT-07156/2026.
Há ainda o levantamento do Instituto Veritá, divulgado em 3 de setembro, mostrando cenário inverso: Pivetta com 32,1% e Wellington com 28,8%.
O dado chamou atenção pela trajetória registrada pelo próprio instituto. Em abril, Wellington tinha 34,9% e Pivetta, 22,4%. Na rodada divulgada em setembro, o governador avançou para 32,1%, enquanto o senador recuou para 28,8%.
O Veritá ouviu 1.220 eleitores entre 19 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais.
As diferenças entre os levantamentos impedem afirmar que exista hoje uma liderança consolidada na corrida pelo Palácio Paiaguás.
O que os números mostram é uma eleição aberta e uma disputa pela consolidação de dois campos políticos: Wellington tenta transformar a força eleitoral do PL e do conservadorismo nacional em voto estadual, enquanto Pivetta trabalha para ampliar uma rede municipal construída com prefeitos, vereadores e lideranças de diferentes partidos — inclusive integrantes do próprio PL.
Esse movimento tem provocado uma das principais contradições da eleição mato-grossense.
Wellington possui a candidatura oficial do partido que representa o principal campo conservador da disputa, mas Pivetta conseguiu atrair lideranças liberais importantes no interior e em duas das maiores cidades do Estado.
Várzea Grande tornou-se o exemplo mais emblemático dessa disputa.
Mesmo filiada ao PL, a prefeita Flávia Moretti declarou apoio público a Pivetta. Em Rondonópolis, outro grande colégio eleitoral, Cláudio Ferreira seguiu caminho semelhante.
A chegada de Silas Malafaia ao palanque virtual de Wellington deve ser entendida dentro desse tabuleiro.
Mais do que uma simples declaração individual, o vídeo oferece à campanha uma liderança com capacidade de falar diretamente ao eleitorado religioso e conservador e de reforçar a identificação ideológica da chapa Wellington-Reinaldo.
Malafaia mantém forte ligação política com o bolsonarismo e, na disputa presidencial deste ano, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Sua participação na eleição de Mato Grosso permite que Wellington tente aproximar ainda mais sua candidatura estadual do campo conservador nacional.
A disputa, porém, deverá mostrar nas próximas semanas se apoios nacionais conseguem compensar o movimento municipal construído por Pivetta.
As pesquisas apresentam fotografias diferentes, mas convergem em um ponto: Wellington e Pivetta concentram o confronto principal pelo Governo de Mato Grosso, enquanto Doutora Natasha tenta ocupar espaço como terceira força.
Para Wellington, a missão passa por transformar o peso da marca PL e de lideranças como Malafaia em votos e, ao mesmo tempo, conter as fissuras abertas dentro do próprio partido.
Para Pivetta, o desafio é transformar a extensa rede de apoios municipais e a condição de governador em vantagem eleitoral consolidada.
A declaração de Malafaia, portanto, chega quando a campanha entra justamente nessa fase: de um lado, a força nacional do conservadorismo; do outro, a disputa pelo controle político das bases municipais de Mato Grosso.
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