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Por José Teixeira
A construção do cenário sucessório para o governo de Mato Grosso em 2026 tem intensificado tensões dentro da federação formada por União Brasil e Progressistas, revelando um ambiente de disputa acirrada entre lideranças que, até então, integravam o mesmo campo político. Nos bastidores, o embate gira em torno da definição de quem representará a direita no pleito estadual, com três nomes consolidados na corrida: Otaviano Pivetta, Jaime Campos e Wellington Fagundes.
O ponto de maior tensão está dentro da própria federação, onde mudanças nas regras internas alteraram o peso das decisões políticas. Se antes os diretórios estaduais tinham protagonismo na definição de candidaturas majoritárias, agora a palavra final ficará concentrada em um grupo restrito de sete convencionais — cinco do União Brasil e dois do PP. Essa nova configuração reduziu o espaço de articulação mais ampla e levou a disputa para um campo mais fechado, aumentando o grau de imprevisibilidade e pressão entre os envolvidos.
A senadora Margareth Buzetti foi direta ao comentar o novo cenário e não escondeu o desconforto com a condução do processo. Segundo ela, a mudança na estrutura decisória da federação alterou completamente a dinâmica interna e poderia ter sido tratada com mais antecedência. A parlamentar classificou como lamentável o fato de a discussão ter avançado sem um consenso prévio entre os principais atores políticos do grupo, destacando que a situação poderia ter sido evitada com diálogo antecipado.
Margaret também fez questão de ressaltar que, apesar da tensão interna, a decisão final será soberana no estado e não sofrerá interferência externa. De acordo com a senadora, qualquer definição tomada pelos sete convencionais em Mato Grosso terá respaldo integral das instâncias nacionais, sem ingerência da executiva ou dos diretórios nacionais da federação. A declaração reforça o peso político concentrado no grupo reduzido que conduzirá a escolha e indica que o desfecho dependerá exclusivamente da correlação de forças local.
Apesar do ambiente de incerteza, a senadora deixou clara sua posição ao declarar apoio à candidatura de Otaviano Pivetta, alinhando-se ao grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes. Ela ressaltou que a lógica de grupo deve prevalecer e que, na sua avaliação, a continuidade do projeto político passa pela candidatura apoiada pelo atual núcleo de poder do governo estadual.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que Pivetta chega fortalecido ao processo, especialmente por contar com o apoio de figuras influentes dentro do colégio de convencionais. Entre os nomes com direito a voto estão, além de Mauro Mendes, o deputado Fábio Garcia, o ex-senador Cidinho Santos e a própria Margarete Buzetti — grupo que, na prática, já forma maioria favorável ao governador.
Ainda assim, o cenário está longe de uma definição tranquila. A permanência da pré-candidatura de Jaime Campos mantém o ambiente de disputa aberto e pode levar o impasse até as convenções partidárias, previstas para o meio de 2026. Margarete reconheceu esse risco ao afirmar que não há garantia sobre o comportamento final dos convencionais, o que pode gerar surpresas no momento decisivo.
A indefinição interna ocorre em paralelo à reorganização das forças da direita no estado, que também conta com a movimentação de Wellington Fagundes, ampliando o leque de candidaturas e fragmentando o campo político que hoje sustenta o governo estadual. O resultado desse embate dentro da federação poderá não apenas definir o candidato ao Palácio Paiaguás, mas também influenciar diretamente a unidade — ou a divisão — do grupo nas eleições que se aproximam.
Com as convenções como palco final dessa disputa, a federação União Brasil-PP se vê diante de um teste de coesão política, enquanto lideranças tentam equilibrar interesses individuais e estratégias coletivas em um cenário que promete intensificar ainda mais os bastidores da política mato-grossense nos próximos meses.
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