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Por Nayara Cristina
A discussão sobre uma suposta extinção do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Mato Grosso ganhou força nos últimos dias, dominou os debates na Assembleia Legislativa e mobilizou profissionais da saúde, parlamentares e o próprio governo do Estado. No centro da polêmica, o encerramento de contratos temporários de profissionais da categoria acabou sendo interpretado por setores políticos e parte da opinião pública como um sinal de descontinuidade do serviço — leitura que foi duramente rebatida pelo governador em exercício, Otaviano Pivetta.
Durante reunião realizada na manhã desta terça-feira, na Assembleia Legislativa, logo após agenda relacionada ao pacote de medidas fiscais que inclui ações de alívio tributário no Estado, Pivetta voltou a público pela segunda vez para desmentir o que classificou como “boatos” e “fake news” sobre o fim do SAMU. Em tom crítico, o governador não apenas negou qualquer intenção de extinguir o serviço, como também elevou o tom contra o que chamou de exploração política do tema.
“Isso aí foi uma lambança que foi feita”, afirmou, ao criticar a repercussão do caso. Segundo ele, houve distorção de informações e tentativa de transformar uma questão administrativa em crise institucional. “Eu não sei por que toda essa lambança, esse aproveitamento político. Infelizmente, nós precisamos melhorar o nível da nossa política. Precisamos falar daquilo que realmente interessa para o povo”, completou.
A origem da controvérsia está no término de contratos temporários de cerca de 50 profissionais que atuavam no SAMU. De acordo com Pivetta, trata-se de um processo comum na administração pública, sem qualquer relação com desmonte do serviço. Ele ressaltou que a necessidade por profissionais da saúde permanece alta e que novas contratações devem ocorrer. “Venceu o contrato temporário, como acontece em qualquer área. Nós precisamos de enfermeiros, médicos e técnicos. Eles vão ser contratados, não tem nenhum problema”, garantiu.
O governo também reforçou que, ao contrário das críticas, houve avanços recentes no atendimento de urgência no Estado, especialmente após a formalização, em junho do ano passado, de um convênio de cooperação entre o SAMU e o Corpo de Bombeiros. A proposta, segundo o Executivo, não é extinguir, mas integrar e otimizar os serviços.
Pivetta destacou que a parceria já trouxe resultados concretos, como a redução no tempo médio de resposta às ocorrências. “Nós diminuímos de 25 minutos para 16 minutos o tempo médio de atendimento. São nove minutos a menos, o que pode significar salvar vidas”, afirmou. Além disso, houve ampliação da capacidade operacional, com aumento no número de atendimentos e reforço da força de trabalho.
Outro ponto enfatizado pelo governador é a expansão territorial do serviço. Enquanto o Corpo de Bombeiros já conta com presença consolidada em diversas regiões — passando de 15 para 27 unidades — o SAMU também segue em crescimento, com pelo menos 12 municípios já integrados ao sistema, com apoio do Estado. A estratégia, segundo ele, é utilizar a capilaridade dos bombeiros para ampliar o alcance do atendimento emergencial.
A crise, no entanto, expôs fragilidades na comunicação institucional e abriu espaço para embates políticos dentro e fora da Assembleia. Parlamentares e representantes da categoria chegaram a cobrar explicações mais claras sobre o futuro do serviço e a situação dos profissionais desligados, o que levou à realização do encontro desta terça-feira.
Apesar da tensão, o governo insiste que não houve qualquer ataque ao SAMU e que o modelo adotado busca modernizar e fortalecer o atendimento de urgência em Mato Grosso. “Nós não fizemos nada errado ou não atacamos o SAMU em nenhum momento”, reforçou Pivetta, ao tentar encerrar a controvérsia.
Mesmo com os esclarecimentos, o tema ainda deve repercutir nos próximos dias, especialmente entre servidores da saúde e lideranças políticas, que seguem atentos aos desdobramentos e à efetiva recomposição das equipes. O episódio evidencia como decisões administrativas podem rapidamente ganhar contornos políticos — e reforça a importância de transparência e comunicação clara em áreas sensíveis como a saúde pública.
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