CANDIDATA A FEDERAL

Katiuscia defende criação de programa para agir antes do feminicídio e afastar agressores “Não queremos homenagear mulheres mortas”

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Katiuscia defende criação de programa para agir antes do feminicídio e afastar agressores “Não queremos homenagear mulheres mortas”

COMBATE AO FEMINICÍDIO

JB News

Por Redação

“Precisamos privar da liberdade o futuro feminicida, e não a vítima e sua família”, afirmou a candidata a deputada federal durante lançamento da campanha de Max Russi

A vereadora por Cuiabá e candidata a deputada federal Katiuscia Manteli (Podemos) defendeu a criação de um programa voltado à prevenção do feminicídio durante o lançamento da campanha do deputado estadual Max Russi, realizado nesta quarta-feira (9), em Cuiabá. Ao lado da deputada estadual Janaína Riva, a parlamentar sustentou que o Poder Público precisa agir antes que os casos de violência doméstica evoluam para o assassinato de mulheres.

Em seu discurso, Katiuscia apresentou as ideias que pretende transformar em uma proposta denominada Programa Mulher Viva. A iniciativa defendida pela vereadora teria como foco a prevenção, a proteção das vítimas, a responsabilização dos agressores e a reconstrução da vida das mulheres que conseguem romper o ciclo de violência.

Candidata a uma cadeira na Câmara Federal, Katiuscia afirmou que, se eleita, pretende levar o debate ao Congresso Nacional e trabalhar pela criação de mecanismos mais rigorosos para afastar agressores identificados como uma ameaça concreta à vida das mulheres.

“Precisamos privar da liberdade o futuro feminicida, e não a vítima, e não a sua família”, declarou.

A manifestação ocorre diante dos números alarmantes registrados em Mato Grosso. Somente em 2026, 35 mulheres já foram vítimas de feminicídio no estado. Em 2025, foram contabilizados 54 casos, resultado que colocou Mato Grosso no topo do ranking nacional desse tipo de crime.

Para Katiuscia, a concessão de uma medida protetiva ou de um botão do pânico representa o reconhecimento, pelo próprio Estado, de que determinada mulher está ameaçada e pode ser assassinada. Na avaliação da vereadora, esse alerta deveria provocar uma resposta mais firme e imediata contra o agressor.

“Quando o Poder Público concede um botão do pânico ou uma medida protetiva a uma mulher, ele está reconhecendo que a vida desta mulher está em risco, que ela pode, sim, morrer”, afirmou.

A proposta debatida por Katiuscia está estruturada em quatro eixos: prevenção, proteção, responsabilização e reconstrução de vidas. A vereadora argumenta que as punições são necessárias, mas geralmente são aplicadas depois que o crime já ocorreu. Por isso, defende que o enfrentamento também alcance o período anterior ao feminicídio, quando ameaças, agressões e outros sinais de risco já estão presentes.

“O feminicídio é um crime anunciado. Antes da morte, vem a violência. Vem a violência doméstica. Antes de ser morta, essa mulher foi violentada, essa mulher foi agredida, essa mulher foi torturada”, declarou.

Katiuscia também chamou a atenção para os riscos enfrentados pelas mulheres que decidem romper relacionamentos abusivos. Conforme ressaltou, a separação pode representar o momento de maior vulnerabilidade, porque o agressor pode intensificar ameaças e ataques ao perceber que está perdendo o controle sobre a vítima.

Além do medo, muitas mulheres enfrentam dependência emocional e financeira, situações que dificultam o rompimento do ciclo de violência. Diante desse cenário, a vereadora defende que uma futura política pública também ofereça condições para que as vítimas reconstruam suas vidas com segurança e autonomia.

Ao tratar do endurecimento das penas, Katiuscia ponderou que responsabilizar o autor depois do assassinato não consegue reparar os danos provocados pelo feminicídio nem devolver a mulher à sua família.

“Temos que endurecer as penas, temos que buscar meios de que ele pague por isso, mas não vai trazer a vida dessa mulher de volta. Vai ser mais uma família acabada, mais filhos órfãos”, disse.

Durante o ato político de Max Russi, a candidata deixou claro que pretende transformar o combate preventivo ao feminicídio em uma das bandeiras de sua atuação, caso conquiste uma cadeira na Câmara dos Deputados. A ideia é ampliar nacionalmente o debate sobre medidas destinadas a interromper a violência antes que ela termine em morte.

“Precisamos privar da liberdade o futuro feminicida, e não a vítima, e não a sua família. É esse o projeto, o programa que nós temos hoje apresentado como um projeto para a Câmara Federal”, concluiu.

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