BOM DE BOLA, BOM DE ESCOLA

“Joguei muito nesse campo e hoje voltar para incentivar essas crianças é motivo de orgulho”, diz Lucas Callegari durante lançamento de projeto em Cuiabá

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“Joguei muito nesse campo e hoje voltar para incentivar essas crianças é motivo de orgulho”, diz Lucas Callegari durante lançamento de projeto em Cuiabá

JB News

Por Emerso Teixeira

Do local Guilherme Augusto

Revelado no futebol brasileiro e atualmente atuando no futebol europeu, o lateral cuiabano Lucas Callegari voltou às origens nesta quinta-feira para participar do lançamento do projeto Bom de Bola, Bom de Escola, iniciativa da Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, que alia a prática esportiva ao incentivo à permanência das crianças e adolescentes na escola. Ao lado do prefeito Abílio Brunini, do secretário Jefferson Neves e dos atletas cuiabanos Riquelme e Hernandes, o jogador destacou a importância de servir de inspiração para a nova geração e relembrou a trajetória que o levou dos campos da capital mato-grossense ao futebol internacional.

Durante a entrevista, Callegari afirmou que receber o convite para participar do lançamento do projeto teve um significado especial justamente por representar a cidade onde nasceu e iniciou sua caminhada no futebol.

“Primeiro agradeço a todos pelo convite. Eu sei que não só eu, mas também o Riquelme e todos os atletas que estão representando Cuiabá fora daqui são exemplos para essas crianças. Nós já estivemos exatamente no lugar delas. Eu joguei muito nesse campo e sei da importância que um projeto como esse tem para mudar vidas.”

O jogador ressaltou que iniciativas como o Bom de Bola, Bom de Escola vão além da formação esportiva. Segundo ele, o programa cria oportunidades de inclusão social ao incentivar simultaneamente o esporte e a educação, exigindo que os participantes mantenham bom desempenho escolar para permanecerem nas atividades.

“O esporte abre portas, mas o estudo é igualmente importante. Esse projeto oferece exatamente esse suporte para que essas crianças possam crescer dentro do esporte sem abandonar a escola. É uma iniciativa extremamente importante para o futuro delas.”

Criado pela Prefeitura de Cuiabá, o programa atenderá centenas de crianças e adolescentes em diferentes regiões da capital, oferecendo treinamentos esportivos aliados ao acompanhamento escolar. A proposta é fortalecer a formação cidadã dos participantes utilizando o esporte como ferramenta de transformação social e prevenção à vulnerabilidade.

Ao relembrar sua própria trajetória, Lucas Callegari falou sobre o desafio de deixar Cuiabá ainda jovem, passar pelas categorias de base do Fluminense e, posteriormente, transferir-se para o futebol da Turquia. Segundo ele, o maior obstáculo não foi dentro das quatro linhas.

“O mais difícil foi a adaptação à língua e à cultura. Quando cheguei lá, o choque foi muito grande. Foi justamente nesse momento que percebi o quanto o estudo faz diferença. Com persistência e dedicação consegui aprender o idioma, comecei a me comunicar melhor e isso facilitou completamente a minha adaptação.”

Ele explicou que a estreia no futebol europeu aconteceu naturalmente com certo nervosismo, mas destacou que a evolução ocorreu rapidamente graças ao trabalho diário.

“No primeiro jogo é normal sentir aquele frio na barriga. Mas, com o tempo, fui ganhando confiança e hoje me sinto totalmente adaptado. Tudo acontece com muito trabalho.”

Callegari também comparou a paixão pelo futebol vivida na Turquia com a realidade brasileira. Segundo ele, os estádios lotados impressionam e demonstram a força do esporte naquele país.

“Lá praticamente todos os jogos acontecem com 30 ou 40 mil torcedores. É um país que vive intensamente o futebol. Eles também ficaram muito surpresos com a eliminação precoce da seleção na fase de grupos porque possuem muitos jogadores de qualidade. Atuei ao lado de atletas que disputaram a Copa do Mundo e sei do potencial que eles têm.”

Questionado sobre uma possível convocação para a Seleção Brasileira, especialmente em um momento em que a posição de lateral é considerada uma das carências da equipe nacional, Lucas afirmou que nunca foi procurado pela comissão técnica, mas garantiu que vestir a camisa amarela continua sendo um dos principais objetivos da carreira.

“Não fui sondado, apesar de já ter trabalhado com o Fernando Diniz no Fluminense. Passei por um período complicado, com muitas lesões, mas de um ano e meio para cá consegui retomar a sequência de jogos e voltar ao meu melhor nível. O sonho da Seleção continua vivo.”

O lateral acredita que o caminho para alcançar esse objetivo passa por manter regularidade dentro de campo.

“Todo jogador brasileiro sonha em defender a Seleção. O importante é continuar performando bem, jogando em alto nível. Quando você faz um bom trabalho em um clube que oferece visibilidade, as oportunidades aparecem naturalmente.”

Mesmo morando fora do país, Lucas revelou que uma das maiores saudades continua sendo da culinária cuiabana.

“O peixe cuiabano não tem igual. A Maria Isabel também faz muita falta. Sempre que volto para Cuiabá faço questão de comer essas comidas típicas praticamente todos os dias.”

A presença de Lucas Callegari no lançamento do Bom de Bola, Bom de Escola reforçou justamente a proposta do programa: aproximar crianças e adolescentes de atletas que iniciaram suas carreiras nos mesmos campos onde hoje os jovens treinam. Ao compartilhar as dificuldades enfrentadas, desde a adaptação no exterior até a superação das lesões, o lateral transmitiu uma mensagem de perseverança e disciplina, mostrando que talento precisa caminhar ao lado da educação, do estudo e da dedicação para transformar sonhos em realidade.